Os pinheiros dos quintais
Estão às outras árvores iguais
Já não luzem, já não brilham
Estão despidos de côr
Só de verde, erectos, se ergam
Esqueceram do Natal o fulgor
Não há lâmpadas, não há luz
De mil côres a piscar
Cerraram-se as gelosias,
Não deixam entrar o luar
Com que o Natal e Jesus
Nos quiseram presentear
Nos cheiros do mar, das maresias
Estão aos outros dias tal qual
Ruas, casas, portadas, janelas
Conta-se a vida que morre
Nos passos apressados nas vielas
Não se vê vivalma em corre-corre
Descansam-se agora as euforias
Vividas de um outro Natal
Está tudo mais calmo agora
Com pouca gente de fora
Que fugiu de outras crises,
Lá onde labutam e vivem
Deixaram para trás as raízes
Por cá passeiam e riem
28/12/2012, (12h:40')
