O Meu Manifesto
Se me empreenderam um caminho
de muitas cruzes plantadas
não devo rejeitar o espinho
que me dói como navalhadas
Era outro o meu destino
nesta vida de curtas vistas
fazem-me perder o tino
as sociedades machistas
Parem ratos, matam gente
como quem desenha luas
andam sempre pela tangente
e só fazem falcatruas
Em frente é sempre mais perto
se se empenha a valer
somos um livro aberto
e só queremos viver
Cada um à sua maneira
não há modelos e formas
dou lenha à minha fogueira
não me lixem com as normas
Deram-me asas para voar
que nunca mas cercearam
deram-me armas para lutar
e sonhos que se truncaram
Nasci rio a engrossar
pelas margens do saber
mas em vez de avolumar
senti o leito a encolher
Queriam para mim esporas
de outro timbre, outra arte
deitei por terra as escoras
e teci outro estandarte
Ser mulher não é, talvez,
servir o homem e os filhos
destinos de outro jaez
têm muitos mais cadilhos
06/03/2013, (23h:30')
