O Garrincha
Parênteses: que me perdoe o desportista com este nome....
.... uma aberração das piores cá do bairro.
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.... ri-se de forma dúbia por tudo e por nada - pura e simplesmente irritante.
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.... desaustinava-me de todas as maneiras, provocando-me.
Ora era porque a porta de entrada do prédio devia estar fechada, e ele entendia que tinha que estar aberta....; ora entendia que o "hall" de entrada era parque de estacionamento de bicicletas..... se não fossem bicicletas, seriam "skates", ou qualquer outro artigo de desporto.
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Deram cabo do painel das campainhas, ....a minha ficou a funcionar, e, um dos divertimentos predilectos, era tocar na que me correspondia. Uma vez ainda negou descaradamente, que o havia feito, tendo eu.... a certeza que era ele, mais dois compinchas, porque não estava mais ninguém do lado de fora da porta da rua.
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Falar com os pais, é melhor desistir.......
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Aliás: que espécie de gente serão eles, que permitem que esta anormalidade destrate a mãe....? Como, e porque, não deveria ser assim com os de fora?
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O meu carro era o objecto de brincadeira, .... preferido.
Retallharam um pneu......
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Agora deu-lhe em estacionar debaixo das minhas janelas, quer das da frente, quer das de trás, à conversa com quem bem entende, e às horas que bem lhe apraz, acordando-me, por vezes, a meio da noite.
É, de facto, um mimo!?...
Com uns princípios invejáveis!?...
In Contos em Noites de Lua Cheia - "Brumas Sobre o Vale"
ISBN: 978-989-20-3163-7
Junho 2012
