Friday, May 24, 2013

Dia da Criança - 2013

Terapias Alternativas

Já se tornou vulgar ouvir-se falar em terapias recursivas, visando a integração na sociedade comum de crianças e/ou adolescentes com Trissomia 21.
Até gente com mais idade: muito recentemente conheci um rapaz de vinte e oito anos, que, depois de muitas tentativas falhadas para o habilitar a uma inserção, como ser capaz e útil, na amálgama em que vivemos, os pais, mais propriamente a mãe, ( porque normalmente são as mães as que menos se cansam de tentar, e insistem até às últimas consequências no que consideram pertinente), decidiram, talvez por influência de vários "talkshows", conduzir o filho para uma coudelaria.
Estive à conversa com ele e a mãe - a preguiça para fazer o que quer que seja é imensa. "Que gostavas, ou querias fazer?"
                                             "Nada!"  - uma encolhidela de ombros de perfeito desinteresse por tudo.
Pouco mais disse que isto e o nome, quando lho perguntei. Tudo o resto, que pudesse ter sido desenvolvido em conversa, falhou. Respondia-me a mãe por ele.
Cavalos, burros, póneis têm sido os recursos mais utilizados, em vez dos habituais, estafados trabalhos de grupo em salas de terapia criadas para o efeito.
Conheço uma Associação bem perto do lugarejo onde vivo, que funciona, muito embora com extremas dificuldades de gestão, e com o contributo de muita gente, (a meu ver), bem.
É uma alegria entrar lá -  rapazes e raparigas, abrangendo várias faixas etárias, socializam, riem, brincam, criam e são de uma disponibilidade prestativa sem limites. Impossível não os admirar, não nos sentirmos envolvidos num vórtice afectivo e aconchegante. São, de facto, excepcionais: as exposições que realizam, apoiados pelas professoras, bem entendido, apresentam artefactos, que denotam critérios de gosto, de adequação da(s) aplicaç(ão)/(ões), de selecção de cores e materiais. O modo como lidam com o que lhes é ofertado para trabalho, ou com o produto já acabado, transmite-nos uma ternura nata, um cuidado infinito no manuseamento.
Este, a que me refiro (evitando, por bem, citar nomes), o que lhe vi, durante dois longos dias, fazer bem, foi comer. Vorazmente.
Haverá ocasião de os voltar a encontrar: nessa altura saberei como estão a decorrer as suas lições de tratador de cavalos, e que evolução será observável.

Contudo, tinha decidido referir-me a uma outra terapia, tão mais morosa, quanto mais profundo fôr o grau de dependência e de limitação das capacidades do doente - é mais onerosa, bastante, até.
Trata-se da utilização dos golfinhos.
Dispendiosa, porque ocorre, naturalmente, em tanques ou aquários de grande porte, e precisam de ser vigiados, dirigidos, seguidos por pessoas minimamente idóneas, ou credibilizadas.
A atenção, que as crianças autistas requerem, tem vindo, gradualmente, a desestabilizar e a reestruturar, (quando não pior ainda), o equilíbrio familiar.Um dos elementos do casal tem, por força das circunstâncias, de abandonar toda uma vida de hábitos adquiridos, para se dedicar, de corpo e alma, ao filho, ou à filha, para que a evolução, longa e pacientemente esperada, se realize.
Contudo, que poderes naturais e ainda não completamente conhecidos possuem os golfinhos? Sabe-se que conseguem comunicar. Sabe-se que a frequência dos sons que emitem atingiram, aqui há anos atrás, quase que uma ciência extra-terrestre. Sabe-se que captam frequências absolutamente inaudíveis para o ouvido humano, e para a maioria dos animais - foram captadas com sonares poderosíssimos, mas ainda estão por decifrar esses códigos "linguísticos".
Cada tratamento destes pode atingir entre 1.700,00 euro e os 2.500,00 euro por hora - que salário terá que ter uma família para obviar os bons resultados, relativamente rápidos, de sessão para sessão, de um descendente? Um dos pais está, por certo, a esfalfar-se para além do que o seu arcaboiço aguenta... Ou, na melhor das hipóteses, decidiu-se a delapidar fortuna de família... (Não vou, nem quero entrar por outros desvios: estas crianças não o merecem, porque são, normalmente, super-dotadas, ou, mesmo, pequenos génios).
Conheci, de relatos ocasionais por parte do meu sobrinho, da dedicação, da abnegação de um pai um destes Verões, no Algarve.
Um dos parques aquáticos tem golfinhos. Ele os conduzia e vigiava. A relação garoto-golfinho tinha, subrepticiamente, despoletado quaisquer correspodências entre os dois, que o pai, (segundo o meu sobrinho), andava doido de alegria e retemperado de excessos de amarguras e dores contidas.
Inimagináveis os "buracos" na conta - pagava, e por ser todos os dias, 1.650,00 euro diariamente, "cash". Tanto dinheiro não permitia a utilização de cheques.
Deve "doer"...
No fim desse Verão, já o garoto se envolvia com o golfinho, sozinho.
Prescindia de ajuda. Os olhos já se erguiam para fitar, feliz, o pai.
Não há subsídios para estes tratamentos, como é fácil de calcular.

Só de imaginar-me em situação semelhante, arrepio-me e encarquilho-me toda!
Os que não têm esta possibilidade, sabe-se lá a custo de quê, demoram eternidades de tempo a demonstrar melhoras e a acordar para o mundo exterior.


[Ando numa de sensibilização para o acompanhamento e adopção de animais. Operam maravilhas! Experimentem!]

20/05/2013, (22h:42')