Wednesday, June 5, 2013

As minhas efabulações - 11

Acabadinha de receber a Antologia das Décimas # Navegando a Poesia, num repto lançado pelos responsáveis pelos Horizontes da Poesia, de que tenho imenso orgulho de fazer parte.
Ajudam-nos a reviver, a ler e a sentir o que é essencialmente português. Para quem já não dá aulas de Literatura e Língua Portuguesa há mais de vinte anos , este foi, sem sombra de dúvida, um desafio... daqueles.
De acordo com um dos presidentes do Grupo, Albertino Galvão, que subscreve o prólogo, (e passo a citar):
"...Mote e Glosas em Décimas...uma das vertentes da poesia popular mais bonita e, ao mesmo tempo, ... mais difícil de fazer, pelas exigências no que concerne à rima e à métrica, mas, infelizmente, pouco divulgada e pouco explorada pela maioria dos poetas. Este tipo de poesia tem raízes populares e é nas regiões do Alentejo, Algarve e também no interior do Brasil, que os poetas mais velhos lhe dão, com mérito, a expressão que ela merece.
... O mote dado teve como base alguns versos do poema "Fado Português", de  José Régio".


A capa, relembrando algumas edições antigas - gosto!


                                              A contra-capa.
                                                              Composição: EuEdito
                                                              ISBN: 978- 989-98451-0-7

MOTE:         Canta canção magoada
                                um português navegando
                                o mar bravio enfrentando
                                bem longe da terra amada
                                beijando o ar e mais nada!
                                O fado nasceu um dia
                                enquanto o vento bulia
                                da boca de um marinheiro
                                num frágil barco veleiro
                                Já José Régio dizia
( adaptação de Albertino Galvão com base em alguns versos de José Régio, do seu poema Fado Português)

Regras:      A) - o verso a rimar com o e o
                             - o com o
                             - o com o e o 10º
                             - o com o   

                       B)  O  Mote tem 10 versos; o poema deverá ter 10 estrofes em décimas, (10 x 10)
                       C)  A 1ª estrofe termina com o 1º verso do Mote, (canta canção magoada)
                       D)  A 2ª estrofe, com o 2º verso do Mote, (um português navegando)
                       E)  ... e assim sucessivamente até ao 10º verso do Mote, (Já José Régio dizia)
                       F)  A particularidade e característica principal, e, por tal facto, a maior dificuldade destas
                            DÉCIMAS está na faculdade de permitir que, lidas do princípio para o fim, do fim para o
                            princípio, do meio para os lados, terem sempre o mesmo significado, e entender-se
                            sempre que o assunto exposto não é alterado.

Sou suspeita, mas aconselho a ler - há Décimas de uma beleza inestimável!
Estou ufaníssima!!!