Se hoje voltasse atrás, tentaria fazer o que nunca tive necessidade de fazer, e para o que jamais senti apelo - fugia de casa!
Embarcaria num sonho, que me perseguiu: ser enfermeira-paraquedista!
Nunca tive pressa de crescer, de atingir a maioridade - senti-me sempre bem na minha pele: era livre de fazer o que queria, (desde cedo deixaram-me portas e janelas abertas); os meus imperativos, categóricos, assim o determinaram.
Busquei sempre uma forma outra de reconhecimento de mim, não somente através dos outros, mas das imensas forças ocultas com que a Natureza e a Vida me presenteavam.
Uma consciencialização intrínseca, acomodou-se naturalmente, nos recônditos mais ocultos - fui dando corpo à interiorização, que, sentia, me transformavam em "avis rara" aos olhos dos outros. Explicar, não sou capaz; exemplificar, demonstro nos meus actos - a solidão é, mais que um estado de alma, uma plenitude de harmonia, paz, sensibilidade.
Sente, quem sente - e são poucos.
Quando nos definem com um Q.I. (muito, bastante) acima do normal nesta fase da minha vida, pergunto:
- como era em garota?
Esta desconformidade, que assumo perante o mundo, mas não a imponho - isso é bom para os "normais" - dá-me amargos de boca, uma sede interminável de partir para outro lugar. Costumo dizer que sou um ente em permanente viagem. Mas lugar nenhum é bastante, se houver um(a) incomodativ(o)/(a) "normal" a atasanar-me e a perturbar o meu (desas)sossego.
Sou tão só de amor em mim... (Como há muitos, muitos anos já dizia num poemeto, que escrevi).
Vimeiro, 31/07/2014, (20h:02')
