Continuamos a albardar para que as mentes se percam nos passos perdidos da ignorância humana - faz jeito, dá muito jeito, e agrega imensos adeptos. É preciso é "quorum".
A metempsicose tem destas variâncias?!...
Chamarem-me de "vaca", "gaja", "puta", é, de facto desconhecer minimamente os significantes contidos nestes vocábulos.
A língua portuguesa já se presta, por demais, ao sardonismo, à idioti(a)/(ce), à precaridade imaginativa, ao analfabrutismo destes ignorantes.
A Lourinhã - reza uma das eventuais "estórias" cá do "burgo" - surge pelo facto de, bem perto daqui, existir um lugarejo chamado de Casal Lourim. Tinham uma vaca, que lhes fornecia o sustento. O bom do lavrador, (?), chamava por ela: "Anda cá, Lourim!" E a vaca respondia: "Hãããã.." Isto era no tempo em que os animais falavam...
Por inerência, a Lourinhã é conhecida pela "terra das vacas". Ineditismo espantoso, para quem se desloca, passa de viagem, ou se decide a residir por aqui. Depois entende-se. Muito facilmente. As mulheres, para além dos pressupostos que subvertem todos os conceitos e valores do que é "política e socialmente correcto", são, na grande maioria, anafadas, de formas rotundas e "transbordantes". Olhando para elas, percebe-se, que, inevitavelmente, ocorre-nos esse epíteto.
Estou por fora: nunca fui gorda, nem consigo engordar. Depois dos problemas de saúde que tive há cerca de quatro anos atrás, é, de todo, inviável que isso venha acontecer.
Primeiro ponto: resolvido!
"Gaja" entrou no nosso léxico por influência da(s) comunidade(s) cigana(s). "Gajo" e/ou "gaja" significa "aquele e/ou aquela que não pertence à comunidade, à raça". Sou, por via erudita, de facto, "gaja" - nunca me identifiquei com esta gente, e, agora, é tarde demais, "muita água correu debaixo das pontes" para se reverter o que quer que seja.
Contudo, sabemos da conotação implícita. Por este "ponto de vista", estamos mal. É usual as mulheres arranjarem entretenimentos, ocupações para levarem mais umas "lecas" para casa, quer durante a semana, quer no fim-de-semana. O homem, como já é de prever, e é sabido, fica quedo em casa. Então o que são estas fulanas? Das duas, uma: ou não há espelhos em casa, ou são comprados na(s) feira(s); ficam, assim, com a capacidade de distorcer os reflexos.
Ponto dois: resolvido.
Agora temos o caso bicudo de "puta". Era um termo generalizado, curto, para destrinçar quem era meretriz, das que não o eram. Com o 25 de Abril entrou na significação com outra conotação - feminino de "puto". Indicadores assentes: nada tenho a ver com o primeiro; menos, ainda, com o segundo. Rejo-me pelos meus princípios, sempre. Não subsidio, nunca subsidiei chulos. Também já tenho idade suficiente para me distanciar, bastante, da garotada. Depois, por via de teorizações filosóficas modernas, "puta" será toda aquela que tem com que tapar, ou fechar o buraco por onde urina - (os canais são diferentes, mas... simplifiquemos).
Terceiro ponto: resolvido.
Resta, agora, referir uma asserção que ouvi a uma professora, crendo-se "p'rá frentex", chamar a uma "miga": "mula". C' os diabos! A mula surge de cruzamento de cavalo com burra, ou égua com burro... Sou racista, à boa maneira alemã: há que defender o purismo, a cultura, o orgulho da raça. Não defendo, não compreendo a miscigenação. As histórias de vida que conheço não são louváveis, não são admiráveis e têm salientado problemas de monta nos atritos provocados por diferenciação, quer de "modus vivendi", quer de "modus operandi", entre os pares sexuais, quaisquer que sejam as alternativas. Proliferam as "guerrinhas de alecrim e manjerona", com repercussões gravíssimas.
Aqui também não me enquadro. Decididamente, não. Sou moçambicana, de corpo inteiro; fui casada com um português, e dei-me mal, muito mal.
Este foi um revirar da minha intervenção no Festival Grito de Mulher do ano passado.
Vale Vite, 28/05/2015, (07h:30')
