Uma música que soa nos escaparates do "video-clip" e nos envolve de sonhos, de ilusórias fugas ao real, que nos focaliza nos espaços em que nos enquadramos.
Um nariz esborrachado na vitrine da vida; os olhos esbugalhados do espanto-certeza do encontro das minhas querenças.
Estou sempre no umbral de acesso ao meu envolvimento: sinto que nunca existe degrau, passagem, pa(ss)/(ç)o, ponte para transpôr o que está de "pose" perante os meus olhos; tão perto que não sei da minha mão para agarrar essa realidade, que é minha, que surge sempre como um aviso dos deuses.
O medo da assumpção?
É, sim, uma ignara sensação de estar sonhando de olhos abertos, como se o meu infra-ego ali estivesse gozando as minhas emoções póstumas ao confronto - e não sei de forças, de agressões à vida para agarrar todo esse mundo que é meu. Porquê, meu Deus? Que concussões terei de provocar? Ou será sofrer?
Deste-me a razão desmedida da análise. Deste-me a magia do raciocínio supra-emoções. Fizeste-me um ser humano, e esqueceste-te de me dar mais animalidade, de me ensinar a ter o que nunca tive - um irracional primitivismo!
Será, afinal, tudo isso que não sou, a verdade desta vida? A verdade de se ser um humano?
19/07/1986, (20h:15')
