Apetecia-me escrever para tentar sair desta modorra de querer, não querer sair, sentir outro ar, sair de mim... e é sempre assim: sem dinheiro não sou capaz de sentir força anímica, "minha", preciso de um "émulo" qualquer - uma chamada, um desafio... e penso que em todas as circunstâncias idênticas sou um ser sem alma, amorfo, sem vontade suficiente para esquecer que tenho os bolsos vazios. Como eu detesto esta dependência, este não-ser-nada, se estou na "bancarrota"?!
Não tenho saídas - sinto-me um ser desterrado, acéfalo, inconsistente...
Com dinheiro, tenho tudo, mesmo que nada faça.
Não seria capaz de imaginar-me alguma vez perdida no marasmo de canto qualquer, dependente de um qualquer ser, que me subsidiasse, me alimentasse, vestisse, calçasse, ou de quem dependesse a bica que tomo pela manhã - daria em louca!
Loucura é isto de ter as possibilidades todas, de ser perfeita e inteiramente capaz, de ter roupeiros cheios a precisarem de ser arejados e não ser capaz de fazer um simples gesto como pegar nas chaves do carro e ir por aí - notas são átomos de vida para mim; são a sensação plena de que posso, mesmo que não queira; que quero, mesmo que não deva; que devo, mesmo que a escolha seja outra - gastar, comprar e preencher vazios que se avolumam quando nada posso.
Devia, e tenho que ter dinheiro - não por amor e ganância, mas pelos prazeres e plenitude que me incute, pela grandeza, (e como é triste sabê-lo?!...), que ele me confere. Um "canudo" não é nada; dinheiro é tudo: beleza, bem-estar, leveza de espírito, segurança, certezas, transparência, fluidez, liberdade!
Que voltas mais dará a vida, que a tômbola da riqueza nunca aponta para mim?!...
Depender de alguém com "massa"? "Ná!"... Será sempre de alguém, não minha - não me serve a alternativa.
Que, ao menos, Deus me encaminhe à(s) porta(s) secreta(s), correcta(s) para ter a minha "árvore das patacas" - ainda tenho sonhos por realizar: preciso de "cheta"!!!
22/06/1999, (21h:20' - 21h:40')
- Folheando textos avulsos, encontrei um registo, que a meu ver, prenunciava todo o destempero que me assolou desde que vim para a Lourinhã;
- Hoje abri uma carta da AEDLV, em resposta a uma minha em que solicitava o pagamento de 4, (quatro), meses de 2011, que me foram surripiados - isso mesmo: surripiados! As alegações não têm qualquer razão de ser - estou de baixa por ruptura completa do meu sistema nervoso, estive a soro o ano passado por estar sub-alimentada, foi solicitado um período de carência - não posso recorrer mais - e estou em vias de perder a minha casa; a minha mãe não é, nem a AEDLV, nem a DREL, nem o MINISTÉRIO DA EDUCAÇÂO, para arcar com as responsabilidades que tenho que suportar; para além do mais, há mais vidas para viver que aturar mentecaptos e ignaros.
- Já tentei de tudo, com o currículo que tenho, e com o que sou capaz de fazer; não me mete medo fazer seja o que fôr, desde que honesto. Só me resta ir pastar vacas, pelo que vejo?!...
05/04/2012, (05h:20')
