Friday, September 6, 2013

Desajustamento


Devaneio teu, ou meu?
Não sei o que nos deu
Sei que já não sou eu
Ajuda-me, Deus meu!

Fica tanto por dizer
E mais por acontecer
Procurava preencher
Esta fome de viver

Dei comigo a sonhar
Com todo o teu versejar
Quando o encanto acabar
Que restará recordar?

Letras, palavras e versos
Foram tempos de outros terços
Foram sonhos esses versos
Em que estivémos imersos

Deste-me sonhos um dia
Para fugir à melancolia
Desta vida fugidia
Vivida sem alegria

E contudo, vê tu bem,
Destruíste tudo, também
Para agradar a alguém
Que tão pouco siso tem

Não ouviste os meus queixumes,
Não sentiste os meus ciúmes:
Deixei-me arder nesses lumes,
Sendo todos meus descostumes

Como mulher te amei,
Como poeta sonhei
E agora já não sei
Desse tudo que guardei

Versos, canções e loucuras
Proporcionaste-me venturas
Com essas tuas brilhaturas
Que floriram nas tuas escrituras

Dei-te tudo num rompante
Senti-te sempre titubeante
Julgando-me uma ignorante
E dos teus versos obsidiante

Nem te cheguei a conhecer
Já nem quero mais saber
Se isso irá acontecer:
És memória a reviver

Esquadrinhado nos espaços,
Nas quebras dos meus cansaços
Levaste para longe fracassos
Esquecidos pelos teus laçaços

Sonho, quimera, ilusão
Foste tudo de supetão
E não vou dizer que não
Foste, sim, também paixão

Adormeço ainda com imagens
Em doces, ternas voragens
Meu corpo embarca em viagens
Sem retorno, sem paragens

Vale Vite, 05/09/2013, (04h:33')