Presumimos o que somos, o que pretendemos ser, o que gostaríamos de ser, o que os outros supõem que somos, o que os outros gostariam que fossemos... E, afinal, somos um nada, desconstruído, coisificado, deidificado, vilipendiado, usado, abusado...
Presumimos dos outros até o que os outros não sabem deles próprios...
Para preencher o quê?
Espaços?
Tempos?
Retóricas?
Extrapolações?
Negações?
Divinizações?
Lacunas! Nada mais!
Águas pardas, paradas, cercadas de cristalizações que estatuímos como limites de compreensibilidades que cremos ficar catalogadas para nossa melhor orientação das coordenadas da vida - lacunas...
Que étimos riquíssimos possuimos!
Nada mais. Tudo se apaga: recrudescer, reviver, reapelar, reiterar, resolver, rematar...
O quê?
Os momentos não deixam de fluir; o compasso nem sempre é binário - oxalá fosse...
Somos nós, aquele e os outros, que são nossos, e todos os outros que são daquele, e que nem sempre são coincidentes.
Concupiscências, promiscuidades, intromissões, interposições, desvinculações, anulações, dúvidas, inseguranças, fragilidades...
... e todas as negações grudadas às nossas auto-afirmações!
Como é possível crer-se, ainda, que sejamos capazes de nos refazermos num mundo renovado?!
"No man is an island in itself..." John Donne - pois não!... Quem diria?!...
26/09/2013, (03h:58')
