Não sabia da surpresa que me esperava ao sair dos festejos do 3º aniversário da Lua de Marfim.
Como sempre que tenho um compromisso, há uma propensão para que a vida disponha de diversificadas maneiras, umas bastante desagradáveis, que me descompensam e permitem que as minhas forças anímicas, já de si fragilizadas por muitas e desconfortáveis agruras nestes últimos 7/8 anos, baqueiem entre indecisões - fico atordoada, insegura; muitas vezes desisto dos programinhas que me permito proporcionar.
Tive que me sujeitar a esperar que a oficina me desse o carro como pronto, para o ir buscar e seguir viagem - um "arrombozito" no meu orçamento...
Depois, foi correr para Lisboa, para estar no lançamento de O MUNDO DA LUA.
Saí descoroçoada, também aborrecida com o entra e sai no átrio a que o Paulo nos obrigou, para provarmos o bolo. Farta do joguinho, preocupada, por um lado, porque a Zora tinha ficado no carro e estava bastante frio, e, por outro, porque após algumas voltas em busca de aparcamento, lá encontrei um lugar relativamente perto, entre a Biblioteca Municipal e a Alameda da Universidade, e, muito embora tivesse verificado o parquímetro, fico sempre em sobressalto - surpresas acontecem, e de que maneira?!...
Saí e fui remoendo com os meus botões.
De repente, deparo com dois homens de negro - pareceram-me polícias, ou fiscais de aparcamentos e o meu coração parou.
"Pas de problème"!
Só então me apercebi que estava à porta da Galeria 111.
Luzes, alguma gente...
Entrei: uma "vernissage".
Passei de largo por Paula Rego - conheço-lhe os traços e as cores. Sou pela (re)construção, pela (re)/(i)novação. O que os seus quadros me transmitem é quase inexplicável: sinto como se uma torre de cristal implodisse, deprimem-me, angustiam-me.
Seguiu-se um óleo de Júlio Pomar - meu Deus! Que horror de "borrão"!
Pizas, Eduardo Batarda, ...
Nada que prestasse, ou me prendesse, por momentos, a atenção. Saí com a noção de que já tinha visto melhor nalguns quadros deitados ao lixo, ou que deveria começar a fazer buscas e recolhas, tal a qualidade de alguns expostos.
Observando um último que, por contrastivo em vários aspectos, me agradou um pouco, ouvi alguém dizer, em frente ao de Júlio Pomar, "está avaliado em 50.000" - quê? Grãos de areia, ou feijões?
Não abusem da nossa credulidade, não ultrajem o que deveria merecer algum respeito - a sensibilidade dos outros!
Ao sair, sinto um olhar demorado, que me seguiu. Olhei, e saí. Como não podia deixar de ser, era "Madame Benilde", e os tais homens eram os seus guarda-costas.
10/02/2014, (13h:58')
