Paraíso aberto ao sol,
Onde tu e eu nos abraçámos
Em busca da quimera:
Tudo resultou poesia
- Tu, eu, o mar e o sol...
O coaxar das rãs
Foi música de fundo,
O pipilar dos pássaros,
O marulhar das folhas,
Concerto inacabado
E eu senti-me longe, longe...
Talvez vagando no infinito
E tu correndo nos meus braços
E eu esfarelando areias,
Riscando letras desconexas,
Desenhando o rosto do amor,
Impreciso, turbulento e belo...
Quedámo-nos no silêncio
E fizémo-lo ária do sonho,
E tivémos esse sonho,
E fomos, enfim, humanos
Tão puros, tão nus: eu, Eva - tu, Adão
- Pecámos na maçã de fogo
Que nos abrasou ao entardecer.
25.08.1972, (23h:10')
