Thursday, February 23, 2012

Sons na noite

A brisa suave da noite traz-me o repicar dos sinos das cercanias.
Fazem eco no meu corpo, fundem-se em mim - semicerro os olhos, e conto as badaladas...
Sempre esta imensíssima sensação de estaticidade, de plasmagonia, de ressonância sacrossanta. Como uma sonata só minha - esta magia acompanha-me desde sempre.
Não batem todos a compasso: cada um - e, se bem recordo, serão dezanove as oradas, igrejas e capelas da zona, - têm horas diferentes, repiques similares, mas distintos uns dos outros.
Uma toada que me enche de paz, como se anjos tocassem harpa, ou címbalo... 
"Terna é a noite"...
Tudo se conjuga com a plenitude de paz, que me apazigua sobressaltos, inquietações, e esta ausência de mim.
De noite, tudo parece mais intenso. 
A verdade é que, qualquer que seja a hora do dia em que me seja possível ouvi-los, páro, inadvertidamente, sem mesmo me dar conta, esteja eu a fazer seja o que fôr - como uma oração, reflectem-se no meu âmago as cadências, os timbres, e sinto uma incontida vontade de cantar(olar).
O medievismo das esferas concêntricas.
A harmonia perfeita entre o universo e eu.
Sinto-me envolvida numa redoma, como se a protecção divina me impedisse de ser ferida.
Volto a acreditar que tudo vale a pena.
Uma vontade impulsiva, imprime vida à minha vida.
Gott sei Dank!

24/02/2012, (04h:55')