Friday, February 17, 2012

Um Conto por mês (excertos)

Bacalhau à Zé do Pipo

Acontecem os triângulos, amorosos, ou nem por isso.
Quis o destino que almas gêmeas no desregramento, na desmesura e insensatez se cruzassem, escada abaixo, escada acima.
Uma fêmea despudorada intromete-se na relação de um casal de gasta vivência, embora com poucos anos de matrimónio. A vida opaca, sem palavras por reinventar, leva o macho a pressupor, (assediado por outros rabos-de-saia), de que é um "gatão" de alto coturno; quase analfabeto, ...

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... - hoje vinga(-se) o sexo, justifi(c)/(x)a-se tudo pelo sexo, seja lá como, onde e quando fôr ...

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Mas por amor, (dizem...), aguenta-se tudo - já alguém disse que "amar é permitir que nos magoem"; não vou por aí, mas, neste caso, decalca-se o chavão: a mulher - Fúria Delirante - no princípio, dá-lhe rédea solta ...; depois, muda de táctica, e tenta uma aproximação com a adversária, de modo subtil, umas vezes, outras, em que se nota algum desagrado, e por fim, uma amizade partilhada de cafés e festins e passeatas.

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...; há uma (quase) inquestionável normalidade que decorre com o passar dos dias, até que novos abalos e cansaços surtam efeitos contrários.
(O  Zé do Pipo é mesmo assim: desbocado, presumido e um imbecil chapado).

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... estas bacalhoadas sempre permitem mãos e colheres alheias no tacho; o que é preciso é levar o bote a bom porto, mesmo que já nada volte a ser como dantes.

07/11/2011 (15h:30')