Hoje, 08 de Março, consagrou-se como o Dia Internacional da Mulher - as razões que o levaram a tornar-se famoso não serão das mais abonatórias para quem decidiu sobre a vida, (neste caso, a morte), de mulheres que se determinaram a lutar pelos seus direitos. Só de tristes e vergonhosos factos se marcam datas para nos celebrarem, e só cabeças masculinas são chamadas a tomar decisões destas...
Mas, hoje, dedico o que se segue a todos os homens que não souberam amar-me, ou não quiseram deixar-se amar, o que, por vezes, é o mais difícil, de tão elementar e fácil que é.
Dizia um amigo meu, colega dos meus anos de estudo no liceu de Nampula, professor de Matemática, que "um bom professor não tem tempo para constituir família". Não serei tão radical; mas que é um facto a considerar, é-o, sem dúvida.
Ser mulher não é só ter um corpo, um sexo, um útero: é muito mais que isso.
Uma amiga de infância dizia-me há uns anos atrás, (avó assumida!): "Tu não tens filhos, nem netinhos!..." Só faltou acrescentar: "ué?!..." A minha resposta, de acordo com as minhas experiências, foi: "Sabes? Nos tempos que correm, não sei se isso me traria algum consolo"
Subtraindo estas duas questões, antagónicas, tenho que considerar que tive muitos filhos e filhas, que me deram prazeres imensos, alegrias incomensuráveis pelas sementes que neles depositei, e pelos frutos que colhi; outros, ter-me-ão dado mais destemperanças, mais cuidados, mas esses, para mim, são "filhos de ninguém" - quem não é capaz de reconhecer o bem que se lhes deseja, o denodo com que nos empenhamos por os tornar melhores e maiores, não merece menção.
Mas pretendia eu falar dos homens:
Ainda acredito que somos mais anjos, que demónios - serei romântica, talvez.
Mas acredito que nós, mulheres, temos a capacidade imensa de remediarmos, de curarmos, de alentarmos, de amenizarmos as agressividades que os homens, considerados os "batedores" da selva, que é a vida, os desbravadores das dificuldades, os conquistadores das oportunidades casuísticas, por vezes, ou descontam em nós as más visões que têm, por temerem seguir em frente lutando, ou nos desacreditam, porque nos crêem "seres menores".
Já não referirei as violências domésticas, que recaem sobre as mulheres e são justificadas pelos "maus agouros" que elas desejam aos homens - alegam eles?!... Como o adepto do Benfica que surrava a mulher sempre que o clube perdia: ela é que tinha culpa. Este é um caso verídico, embora incrível, de tão burlesco.
Ser mulher - e gostei sempre de o ser, pela consciência, que a família me transmitiu, pela "endurance" que a vida me obrigou a adquirir, pela frontalidade, que me ensinou meu pai, pela firmeza das minhas convicções, que aprendi a defender - é muito mais que tudo isto:
É ter alma, e ser gente!
É ter corpo, e continuar a sonhar!
É ter vísceras, para dizer a verdade!
É ter sexo, para saber usar saias!
É ter certezas, e lutar por elas!
É ter luz por dentro, e deixá-la fluir nas pontas dos dedos!
É ter ternuras, e expressá-las em actos!
É ter raivas, e saber deitá-las fora!
É ter fé, e acreditar que a vida ainda vale a pena!
É ter dores, e não esquecer que a vida não se compadece!
É ter lágrimas, para chorar em segredo!
É ter um coração, que um dia vai parar de bater!
Mas, sobretudo, é ser mulher inteira, nunca pela metade, seja do que fôr!
08/03/2012, (15h:28')
