Sunday, November 10, 2013

GRITO DE MULHER - III


Passeava, descansando cansaços
Quando, por entre as nuvens dos meus engaços,
Vi, tenebrosa vista, de maléfico halo
Um grupo de jovens em grande estrafega
Aproximando-se de mim, decididos
Medos tomaram conta dos meus sentidos,
Já não me deram mais sossega
- Tomaram de mim, abusaram,
Estropiaram, violentaram, violaram
Depois...as dores, muitas, infinitas
Sangue vazando-se das minhas desditas
E fiquei só, estendida no solo
Roupas esfiapadas, em desalinho
Nem um pouco de carinho
Votaram ao meu corpo rasgado
Hoje tenho a desgraça maior
De esperar um filho indesejado
- Não posso desistir, sem me magoar mais.
Tenho por amparo os meus ditosos pais
Que me apoiam na minha dor.
De que valem justiças e tribunais?
Quem me devolve a vida que me roubaram?
Sou eu que, neste mundo, já estou a mais:
Não me move mais a espontaneidade
Natural da minha tenra idade.
Parou o tempo; quedei-me nele.
Soluços vêm sem que eu queira
Lavar as mágoas daquela zoeira.

06/11/2013
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Sobre a violação e o estupro.