Boa noite.
De facto, é com imensa pena que ainda vejo a ignorância a imperar - se partirmos do princípio que todos os emigrados têm direito aos seus haveres, porque não quem viveu, labutou e sofreu pelos países onde se integrou até que Deus o permitiu, ou as condições adversas, (em que a própria vida se via ameaçada, quer pelas guerrilhas, quer pelas perseguições absolutamente inacreditáveis), obrigaram a grande maioria dos portugueses a sair com a roupa do corpo? Salvaram-se os que, fazendo jus à imensa capacidade de trabalho e dedicação, foram convidados a ficar a contratos a prazo, com a intenção de poderem trazer mais alguns haveres, (porque assim estava consignado nos contratos...) Não obstante, é sabido que se pode dar à "justiça" e/ou "justeza", as voltas que o poder quiser - sabem-no alguns, (muito poucos), que se viram em palpos de aranha para verem satisfeitas as cláusulas dos contratos...
Depois, e por incrível que pareça, (e, quem não sabe, poderá ficar ciente, que) a própria embaixada de Portugal, durante o período de transição, nada fez de concreto em prol dos portugueses que lá se encontravam; muito antes pelo contrário: nem apoio, nem colaboração, nem quaisquer atitudes ou actos que valorizassem o trabalho dos que ainda lá se mantinham, contra tudo e contra todos - entregou-os aos bichos, fazendo absoluto caso omisso de todas as petições que entravam na embaixada - quem (não) se recorda do Dr Martins da Cruz?
Depois, "árvore das patacas" terá sido após a independência, com os cooperantes - grandes, e rápidos, "pés de meia" se fizeram, e continuam a fazer?!...
O IARN foi uma grande ajuda para alguns, uma "boda aos pobres" para outros, uma "dádiva dos céus" para outros tantos; mas, como todas as ajudas falaciosas, só serviu minorias - milhares de pessoas, nem às magras ajudas à chegada a Lisboa, no aeroporto, tiveram direito. Houve quem arranjasse meios de nunca reverterem para os cofres do estado os empréstimos cedidos? "Ladrão que rouba a ladrão..."
Meus amigos, é vergonhoso que o epíteto, que continua a denegrir, mais que quem de lá veio, os que por lá ficaram "à espera de Godot", que viram cerrarem-se os olhos às realidades de África, taparem-se os ouvidos a todas as solicitações que de lá vinham e nos deixaram à nossa sorte, (até ao fim dos tempos de mel e fel). Não somos RETORNADOS - alguns nasceram lá; somos filhos de emigrados, como quaisquer outros, em França, Inglaterra, Alemanha, Macau, Canadá, etc.
Tem que haver uma medida e um peso, inalterável, seja lá qual fôr a região onde a mão-de-obra portuguesa se determina pela sua entrega, pelo seu empenho e pelos laços de sangue que cria.
Como mulher, como moçambicana, e, sobretudo, como patriota e filha de quem amou, até ao fim dos seus dias, o país onde os filhos nasceram, desgosta-me deparar com tanta "cegueira", passados que são cerca de trinta anos.
23/Junho/2004, (18h:42':32'')
Monday, January 23, 2012
Saturday, January 21, 2012
Um conto por mês, (excertos)
Atestado de Residência
Cheia de ares de bom-tom, sempre de lulu à rreata, e uma gata de cauda pavoneante cirandando pelas redondezas "em busca de ratos", diz.
Os ratos são os restos que alguns vão deixando rente aos caixotes do lixo - comem de meias a gata, mais vadia, e o cão, já atacado por outro quase até à morte.
Contudo, vai dizendo mal do burgo, que se vai embora, que saiu de Stº Antão do Tojal por haver muitos negros - é uma verdade: eles agregam-se onde se sentem integrados, lá como em muitos outros locais deste país. Não acontece só com eles: o mesmo se passa com os ciganos, os imigrantes de Leste, ...
O filho aconselhou-a a aguardar pelo Verão - e que Verão?!...
Vieram as eleições, que deram para tudo: ele eram bandeiras do PS penduradas no estendal da roupa, ele era um corropio atrás das caravanas, até que estacionou, (bem mal e à tordesca), esgalhada numa esquina da Marmeleira - e foram noites longas a desfiar considerandos sobre os resultados, até que decidiu, (ou decidiram por ela), que deveria voltar à base.
Deixou de rir como costumava, de tudo e de todos, passou a concentrar-se mais em jogadas rocambolescas, mudou as cortinas para esteiras corredias para espreitar os passantes....
.../... .../... .../... .../...
Que outros resultados das eleições virão por aí? Parece-me que alguém anda a tirar o cabaço à odalisca, direita que nem um fuso, esquelética, mas com ares de dona dos prados e dos passeios, que se enxameiam dos dejectos do lulu.
Tirou o atestado de residência - já não maldiz o lugarejo, e até se dá ares de popular.
O que podem umas eleições?!...
.../... .../... .../... .../...
Mas valeu a pena: Dª Fusa tirou o atestado de residência!
Inserido nos CONTOS EM NOITES DE LUA CHEIA, "O VAle das Sombras"
Cheia de ares de bom-tom, sempre de lulu à rreata, e uma gata de cauda pavoneante cirandando pelas redondezas "em busca de ratos", diz.
Os ratos são os restos que alguns vão deixando rente aos caixotes do lixo - comem de meias a gata, mais vadia, e o cão, já atacado por outro quase até à morte.
Contudo, vai dizendo mal do burgo, que se vai embora, que saiu de Stº Antão do Tojal por haver muitos negros - é uma verdade: eles agregam-se onde se sentem integrados, lá como em muitos outros locais deste país. Não acontece só com eles: o mesmo se passa com os ciganos, os imigrantes de Leste, ...
O filho aconselhou-a a aguardar pelo Verão - e que Verão?!...
Vieram as eleições, que deram para tudo: ele eram bandeiras do PS penduradas no estendal da roupa, ele era um corropio atrás das caravanas, até que estacionou, (bem mal e à tordesca), esgalhada numa esquina da Marmeleira - e foram noites longas a desfiar considerandos sobre os resultados, até que decidiu, (ou decidiram por ela), que deveria voltar à base.
Deixou de rir como costumava, de tudo e de todos, passou a concentrar-se mais em jogadas rocambolescas, mudou as cortinas para esteiras corredias para espreitar os passantes....
.../... .../... .../... .../...
Que outros resultados das eleições virão por aí? Parece-me que alguém anda a tirar o cabaço à odalisca, direita que nem um fuso, esquelética, mas com ares de dona dos prados e dos passeios, que se enxameiam dos dejectos do lulu.
Tirou o atestado de residência - já não maldiz o lugarejo, e até se dá ares de popular.
O que podem umas eleições?!...
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Mas valeu a pena: Dª Fusa tirou o atestado de residência!
Inserido nos CONTOS EM NOITES DE LUA CHEIA, "O VAle das Sombras"
Alguma da minha produção (amadora) - 1
FLORES:
Todos em acrílico.
Jarros - de côr pouco usual; há-os de várias espécies; nesta categoria encontram-se variedades absolutamente incríveis.Tulipas - há-as de muitas cores. Optei por esta, para a minha Galeria de trazer por casa.
Miosótis - miminhos de ternura e delicadeza; a fragilidade feita sinfonia de côr.Também de cores mais diversas.
Jasmim-Estrela - há-os de tantas côres e das mais variadas espécies?! Na minha terra, adorava os Jasmins-Manga da mangueira do meu quintal. O seu odor intenso, inebria, entontece - mas são bonitos e mimosos.
Há outras produções a serem ultimadas.
Há quadros espalhados pelas várias casa da família - já não me pertencem. Os que aqui figurarem são do meu património.
Alguma da minha produção (amadora)
ESPAÇOS:
Acrílico - mais barato e seca mais depressa.
Faróis outra paixão - o encanto do regresso ao aconchego. Acrílico, também.
Um quarto, uma janela aberta à vida - Calvário, Algarve. Acrílico.
O Calhau, Mexilhoeira da Carregação, Algarve - um dos refúgios mais procurados, em tempo de férias. Acrílico.
Um pôr-do-sol à beira duma praia qualquer. Óleo. Num dia de febre alta, dores terríveis com o recesso de Zona que me apanhou todos os quatro nervos do lado esquerdo da cabeça, e de que ainda não estou completamente curada. Esquecer-me de mim, quando me sinto mal, é o mais importante, "no matter what"...
Monday, January 16, 2012
Youtube.com Videa - Ivan Rebroff - Canto dos Barqueiros do Rio Volga Videa
Youtube.com Videa - Ivan Rebroff - Canto dos Barqueiros do Rio Volga Videa
A música que me surge, inexplicavelmente, em muitas situações de desassossego.
Depois, Ivan Rebroff foi, no meu local de refúgio, em Moçambique, na garagem, e dentro do carro do meu pai, a "subida aos céus"! Garota, ainda, (com onze ou doze anos), sabe-se lá porque me sentia retemperada?!... Às vezes a sua figura fazia-me recordar o Gigante Adamastor, mas, sem o "fétiche" do medo e consequente masoquismo, a sua voz, cheia, acalentava-me e envolvia-me de paz e harmonia.
Era o meu segredo partilhado em casa - os meus pais respeitaram sempre esta minha fuga para a reconquista de mim mesma.
17/01/2012, (05h:25')
A música que me surge, inexplicavelmente, em muitas situações de desassossego.
Depois, Ivan Rebroff foi, no meu local de refúgio, em Moçambique, na garagem, e dentro do carro do meu pai, a "subida aos céus"! Garota, ainda, (com onze ou doze anos), sabe-se lá porque me sentia retemperada?!... Às vezes a sua figura fazia-me recordar o Gigante Adamastor, mas, sem o "fétiche" do medo e consequente masoquismo, a sua voz, cheia, acalentava-me e envolvia-me de paz e harmonia.
Era o meu segredo partilhado em casa - os meus pais respeitaram sempre esta minha fuga para a reconquista de mim mesma.
17/01/2012, (05h:25')
Nem Fénix, nem poema
Tatuei-te, e não tem jeito
Tentares esquecer-te de mim
Adormeceste no meu peito
Como se fosse sempre assim
A vida já não se demora
Corre, célere, hora a hora
Paraste a vê-la passar
Sempre à espera de acordar
Dorme agora, lerdo e quedo,
Vai onde nem tu sabes onde
Mas esconde, muito em segredo,
O amor que já não vem.
Foi-se nos dias desse ontem
Não renascerá já no meu peito
16/01/2012, (12h:04')
Tatuei-te, e não tem jeito
Tentares esquecer-te de mim
Adormeceste no meu peito
Como se fosse sempre assim
A vida já não se demora
Corre, célere, hora a hora
Paraste a vê-la passar
Sempre à espera de acordar
Dorme agora, lerdo e quedo,
Vai onde nem tu sabes onde
Mas esconde, muito em segredo,
O amor que já não vem.
Foi-se nos dias desse ontem
Não renascerá já no meu peito
16/01/2012, (12h:04')
Saturday, January 7, 2012
Mudança de ano
Respiro no ar uma sensação de espaços por preencher - falências de plenitude pairam à minha volta. Nem sei bem explicitar o quê, de concreto.
Mas, nestas épocas do ano, de todos os anos, subsiste um/(a) permanente histeri(smo)/(a); passagem de ano é isso mesmo: ilusão, crença falaz, fogo fátuo. Nada de consistente para sentir, nada de concreto para agarrar, nada de pleno para guardar. Vazio, somente.
Amanhã, desnovelar-se-á um novo ano.
Tantas intenções se formularão.
Tantas esperanças nascerão.
O bater das horas soará igual ao de todos os outros dias passados.
A luta continuará:
- Mais agruras para enfrentar.
- Mais trilhos por desbravar.
- Mais sonhos por realizar.
- Mais desânimos para esquecer.
- Mais recordações para guardar.
Amanhã será o início de um ano de muitos dias, (366), para acordar.
Amanhã adormeceremos nos frenesins que a noite entonteceu.
Amanhã já será outro dia, igual ao de todos os outros, já antigos.
Amanhã, o absurdo, que é a vida, gritará mais alto.
.............
E vêm aí filhoses para marcar o compasso da quadra...
(Texto composto a 31.12.2011, 18h:59m, antes de sair de casa, no Calvário, para festejar a Passagem do Ano, na Praia da Rocha.)
Mas, nestas épocas do ano, de todos os anos, subsiste um/(a) permanente histeri(smo)/(a); passagem de ano é isso mesmo: ilusão, crença falaz, fogo fátuo. Nada de consistente para sentir, nada de concreto para agarrar, nada de pleno para guardar. Vazio, somente.
Amanhã, desnovelar-se-á um novo ano.
Tantas intenções se formularão.
Tantas esperanças nascerão.
O bater das horas soará igual ao de todos os outros dias passados.
A luta continuará:
- Mais agruras para enfrentar.
- Mais trilhos por desbravar.
- Mais sonhos por realizar.
- Mais desânimos para esquecer.
- Mais recordações para guardar.
Amanhã será o início de um ano de muitos dias, (366), para acordar.
Amanhã adormeceremos nos frenesins que a noite entonteceu.
Amanhã já será outro dia, igual ao de todos os outros, já antigos.
Amanhã, o absurdo, que é a vida, gritará mais alto.
.............
E vêm aí filhoses para marcar o compasso da quadra...
(Texto composto a 31.12.2011, 18h:59m, antes de sair de casa, no Calvário, para festejar a Passagem do Ano, na Praia da Rocha.)
Thursday, January 5, 2012
"Há duas maneiras de nos refugiarmos das misérias da vida: música e gatos!" - Albert Schweitzer
Deparei-me hoje com este pensamento de um dos homens que mais admirei na minha adolescência. Li, sôfrega, a sua biografia, e procurei cimentar mais, sempre mais, em torno do denodo deste médico-missionário.
Quis ser freira, quis ser enfermeira-paraquedista, piloto, sei lá?!... Com as experiências que recolhia nos contactos que me eram proporcionados, quer através da Legião de Maria, quer nas longas conversas e leituras, que D. Manuel Vieira Pinto, (o ex-bispo de Nampula), me facultou, aprendi a amar, mais e melhor, o "continente negro", e a terra que me viu nascer.
Encetei uma rápida e doce viagem ao universo das minhas recordações - costumo dizer, que foram os únicos anos em que conheci a felicidade; depois... foram andanças "de Herodes para Pilatos". Por mais que tente esquecer, ou deixar fluir as sensações, tal como outrora, não dá: bloqueei, de tal sorte, que nem consigo ter pena dos outros.
Dizia, há bem pouco tempo, uma pessoa amiga, "que tem pena é dos animais - das pessoas, não tem pena nenhuma!"
Deu-me que pensar - mesmo sofrida, ainda acho que poderá valer a pena debruçarmo-nos sobre as mazelas que nos são visíveis.
Desde sempre, (e que me lembre), os gatos têm-me servido de lenitivo para as minhas amarguras: pressentem angústias, mágoas, momentos menos bons, ou mesmo desagradáveis. São firmes, ternos, atentos, ainda que estoicamente independentes.
A música foi sempre a minha "droga", a panaceia para todos as minhas fragilidades. Dançada, cantada, ou ouvida, tem o sortilégio e o condão de me dispôr de cargas-extra para seguir em frente, ou partir para outra etapa.
Incríveis são estes despertares!
Não me recordava de ter "anotado" este pensamento, (como o fazia, quando era mais nova, e como continuei a fazê-lo vida fora, desistindo de coleccionar "tiradas filosóficas" fará um par de anos).
É sempre assim: poderei ter outros pendores, mas permaneço fiel a estas duas paixões!
Deparei-me hoje com este pensamento de um dos homens que mais admirei na minha adolescência. Li, sôfrega, a sua biografia, e procurei cimentar mais, sempre mais, em torno do denodo deste médico-missionário.
Quis ser freira, quis ser enfermeira-paraquedista, piloto, sei lá?!... Com as experiências que recolhia nos contactos que me eram proporcionados, quer através da Legião de Maria, quer nas longas conversas e leituras, que D. Manuel Vieira Pinto, (o ex-bispo de Nampula), me facultou, aprendi a amar, mais e melhor, o "continente negro", e a terra que me viu nascer.
Encetei uma rápida e doce viagem ao universo das minhas recordações - costumo dizer, que foram os únicos anos em que conheci a felicidade; depois... foram andanças "de Herodes para Pilatos". Por mais que tente esquecer, ou deixar fluir as sensações, tal como outrora, não dá: bloqueei, de tal sorte, que nem consigo ter pena dos outros.
Dizia, há bem pouco tempo, uma pessoa amiga, "que tem pena é dos animais - das pessoas, não tem pena nenhuma!"
Deu-me que pensar - mesmo sofrida, ainda acho que poderá valer a pena debruçarmo-nos sobre as mazelas que nos são visíveis.
Desde sempre, (e que me lembre), os gatos têm-me servido de lenitivo para as minhas amarguras: pressentem angústias, mágoas, momentos menos bons, ou mesmo desagradáveis. São firmes, ternos, atentos, ainda que estoicamente independentes.
A música foi sempre a minha "droga", a panaceia para todos as minhas fragilidades. Dançada, cantada, ou ouvida, tem o sortilégio e o condão de me dispôr de cargas-extra para seguir em frente, ou partir para outra etapa.
Incríveis são estes despertares!
Não me recordava de ter "anotado" este pensamento, (como o fazia, quando era mais nova, e como continuei a fazê-lo vida fora, desistindo de coleccionar "tiradas filosóficas" fará um par de anos).
É sempre assim: poderei ter outros pendores, mas permaneço fiel a estas duas paixões!
Thursday, December 29, 2011
Não podia ser melhor este final de 2011, depois de todas, muitas, pesadas, desajustadas ocorrências ao longo de todo o ano - perdi textos que deveria endereçar para publicação!
Vou ter de partir do início, e tudo já será diferente - texto, impulso, "élan".
Sou a mais sortuda de todas as almas, de facto?!...
Se não me destroem os manuscritos, se não mos fazem desaparecer no espaço virtual, se não se infiltram para mos surripiar, acontece sempre o imprevisível - na minha preocupação com o(s) outro(s), esqueço que estas variantes de escrita ainda nos pregam desagradáveis surpresas.
Foi-se um trabalho de dias, algumas horas friorentas inclinada sobre o tablado, escrevinhando como se catasse o sal da minha vida perdida, sucessivamente sonegada, por estas ou aquelas razões.
A persistência também desiste.
A força também esmorece.
O frenesim torna-se melancolia, taciturnidade.
E tudo fica por acontecer.
E tudo permanece em folhas soltas, escondidas, algures, pelos cantos onde melhor possa esquecer os minutos em que quis realizar qualquer coisa, ocupar o meu tempo intemporal, longe da matéria envolvente.
Tentarei, como sempre, um dia qualquer, quando a verve e a vontade se entrelaçarem...
Vou ter de partir do início, e tudo já será diferente - texto, impulso, "élan".
Sou a mais sortuda de todas as almas, de facto?!...
Se não me destroem os manuscritos, se não mos fazem desaparecer no espaço virtual, se não se infiltram para mos surripiar, acontece sempre o imprevisível - na minha preocupação com o(s) outro(s), esqueço que estas variantes de escrita ainda nos pregam desagradáveis surpresas.
Foi-se um trabalho de dias, algumas horas friorentas inclinada sobre o tablado, escrevinhando como se catasse o sal da minha vida perdida, sucessivamente sonegada, por estas ou aquelas razões.
A persistência também desiste.
A força também esmorece.
O frenesim torna-se melancolia, taciturnidade.
E tudo fica por acontecer.
E tudo permanece em folhas soltas, escondidas, algures, pelos cantos onde melhor possa esquecer os minutos em que quis realizar qualquer coisa, ocupar o meu tempo intemporal, longe da matéria envolvente.
Tentarei, como sempre, um dia qualquer, quando a verve e a vontade se entrelaçarem...
Tuesday, July 19, 2011
Anos '50/'60/'70/'80...
Agarramo-nos às vivências que nos trazem cores, cheiros, sons, emoções dos nossos caminhos percorridos; estranho é ter-se consciência de que os vários estágios por que se pautam as nossas experiências, que vão consolidando, quer as nossas projecções, quer a nossa personalidade, perdem nitidez, difusam-se com o rolar do tempo - hoje são os outros que nos fazem, na maioria das vezes, de "ponto" dos nossos registos; antes, o nosso individualismo era suficiente para se impor, para inscrever cada uma das nossas actividades, selectivas ou não.
Mimamos, em gestos e olhares.
Revimo-nos no(s) outro(s) - sentimo-nos sombras, ou corpos sem densidade, sem forma: há reflecções, difusões, latências que perpassam pelos nossos olhos; imagens fugazes, que esquecemos até voltarmos a ser diapasões recíprocos das nossas fruições sem consistência.
O ser já é somente estar; o permanecer foi pintado nos registos dos nossos diários de outros tempos.
Dizia Pablo Picasso que "leva tempo a tornarmo-nos jovens".
Matusalém tem a complacência, a quietude, a singeleza da expectativa, do sonho plausível, da concretização, da realização das nossas mais permanentes querenças.
E, afinal, somos corpos em mutação, como antes, sempre, mas de outro modo. Vivemos pela essência; o antes era a substância, avolumada nas posturas, nas atitudes, nos gestos.
Mas somos uma identidade semelhante - de Picasso recolhe-se o que ficou por fazer, quando as nossas capacidades não puderam exprimir-se.
Anos '50, '60, '70, '80...
Mimamos, em gestos e olhares.
Revimo-nos no(s) outro(s) - sentimo-nos sombras, ou corpos sem densidade, sem forma: há reflecções, difusões, latências que perpassam pelos nossos olhos; imagens fugazes, que esquecemos até voltarmos a ser diapasões recíprocos das nossas fruições sem consistência.
O ser já é somente estar; o permanecer foi pintado nos registos dos nossos diários de outros tempos.
Dizia Pablo Picasso que "leva tempo a tornarmo-nos jovens".
Matusalém tem a complacência, a quietude, a singeleza da expectativa, do sonho plausível, da concretização, da realização das nossas mais permanentes querenças.
E, afinal, somos corpos em mutação, como antes, sempre, mas de outro modo. Vivemos pela essência; o antes era a substância, avolumada nas posturas, nas atitudes, nos gestos.
Mas somos uma identidade semelhante - de Picasso recolhe-se o que ficou por fazer, quando as nossas capacidades não puderam exprimir-se.
Anos '50, '60, '70, '80...
Sunday, May 1, 2011
Relicário
Se as experiências contam p’ra valer, e se valem o que valem, os bambúrrios da fortuna giram de forma contrária a tudo o que se deseja – perde-se o gosto, perde-se a memória, perde-se o sonho, perde-se a esperança, perde-se o “élan” – perde-se o amor, ao cabo e ao resto!
Vida madrasta esta, como doença crónica de angústia, de descrença e malquerença – andamos sempre de mal com ela: não se deixa amar, ainda que persistamos em amanteigar “o pão do Diabo” de todos os dias… Dá vontade de desistir dela, e “partir p’ra outra”!
Canso. Os ossos pedem descanso.
Retardo, e esmoreço. Qualquer sensação próxima do alento da morte bafeja à minha volta.
Fumo, para ver se ainda respiro – desisto: não fruo do modo como soía; deixa-me amargos de boca desconhecidos, como se de calos ficassem cheios os meus papilos – que desconforto sem nome…
Gmail: Email from Google
Vida madrasta esta, como doença crónica de angústia, de descrença e malquerença – andamos sempre de mal com ela: não se deixa amar, ainda que persistamos em amanteigar “o pão do Diabo” de todos os dias… Dá vontade de desistir dela, e “partir p’ra outra”!
Canso. Os ossos pedem descanso.
Retardo, e esmoreço. Qualquer sensação próxima do alento da morte bafeja à minha volta.
Fumo, para ver se ainda respiro – desisto: não fruo do modo como soía; deixa-me amargos de boca desconhecidos, como se de calos ficassem cheios os meus papilos – que desconforto sem nome…
Gmail: Email from Google
Monday, April 4, 2011
"Sei de uma camponesa..."
... que vive dentro de mim, paredes meias com a desventura, roçagando escolhos e abrolhos - senta-se todos os dias à minha mesa, refrigera-me as noites, dormitando silente, e desvelando cuidados por uma vida melhor; vagueou, perdida na esperança do amor à vida, perdeu mais do que ganhou, não por não saber jogar - as "mãos" foram de "dor e pecado", não conseguiu, (ou não quis), vincular-se à desconexa hipocrisia, ao cinismo, às "mise-en-scènes" fortuitas - troca-se tudo de tudo, desrespeita-se o sonho do outro, a calma ociosidade da filosofia, e depois... depois restam as cruzes, palpitando e ensombrando momentos outros próximos das repetições anteriores. E foi assim que me perdi com ela, trazendo-a num aperto no peito, deixando morrer sorrisos, cerrando os olhos de sombras, rasgando a carne de ressentimento, de raiva, de inconformismo desmesurado...
Sunday, April 27, 2008
Smoothly like a cloud...
... I'm finding my feet.
Time is going through changes: no one can perceive it; I don't care, anymore. I know what I am, I see what others can't see, I feel, deeply inside me, the utmost requests my life has asked me, time after time; life, and mainly others, have prevented me from doing all I ought to do - now, it's time to start a new beginning, with no complaints, no matter what... So help me God?!...
Another Sunday, another complete empty day... to the other people! For me, as usual, a day to fill with my tiny great things...
Time is going through changes: no one can perceive it; I don't care, anymore. I know what I am, I see what others can't see, I feel, deeply inside me, the utmost requests my life has asked me, time after time; life, and mainly others, have prevented me from doing all I ought to do - now, it's time to start a new beginning, with no complaints, no matter what... So help me God?!...
Another Sunday, another complete empty day... to the other people! For me, as usual, a day to fill with my tiny great things...
Tuesday, April 22, 2008
"Winning is habit.Unfortunately so is losing"
Não me recordo do nome do autor da citação, mas, sem dúvida alguma, para alguns a primeira parte da mesma funciona, inapelável e impunemente, sempre a seu contento. Porquê? Cumplicidades há-as sempre, mas a promiscuidade, (se a deixarmos anexada?!...), deteriora tudo e todos em redor.
E é destas cumplicidades que eu não gosto nem um pouquinho - enojam-me: respondem, sempre, de modo caótico, ao mesmo apelo, mesmo sabendo das inconveniências e estranhezas sociais que comportam.
Reverter é preciso!
Não temos que "sentir o rabo preso", não há que temer incongruências, e, muito menos, recear apontá-las, corrigi-las - "errare humanum est", e, muito mais, ser-se capaz de reconhecer falhas, consciencializarmo-nos que somos seres finitos.
Costuma dizer-se que o "céu é o limite", e, parafraseando Einstein, "não há infinito" - partindo dos dois pressupostos, entendo que há um só caminho, ainda que com incontáveis atalhos.
"Não vou por aí", dizia o poeta; digo eu, "p'r'á frente é que é caminho".
Lisura, compostura, singeleza, fiabilidade passam por aí: "corta-se a direito", é, com toda a certeza, mais seguro.
E é destas cumplicidades que eu não gosto nem um pouquinho - enojam-me: respondem, sempre, de modo caótico, ao mesmo apelo, mesmo sabendo das inconveniências e estranhezas sociais que comportam.
Reverter é preciso!
Não temos que "sentir o rabo preso", não há que temer incongruências, e, muito menos, recear apontá-las, corrigi-las - "errare humanum est", e, muito mais, ser-se capaz de reconhecer falhas, consciencializarmo-nos que somos seres finitos.
Costuma dizer-se que o "céu é o limite", e, parafraseando Einstein, "não há infinito" - partindo dos dois pressupostos, entendo que há um só caminho, ainda que com incontáveis atalhos.
"Não vou por aí", dizia o poeta; digo eu, "p'r'á frente é que é caminho".
Lisura, compostura, singeleza, fiabilidade passam por aí: "corta-se a direito", é, com toda a certeza, mais seguro.
Tuesday, October 30, 2007
"No man was ever wise by chance", Lucius Annaeus Seneca
"Levanta esse moral", disse-me ontem a força maior que a Natureza um dia criou.
Como se um interruptor tivesse sido ligado, a descarga aconteceu, e fez-se luz onde a inépcia campeava, assombrosa, degradante, aniquiladora, suicidariamente.
Mansa e alastradora, uma aura de terna harmonia evolou-se por tudo à minha volta.
Movi-me, sem bem saber que o fazia, desfazendo enovelados confusionismos de um ócio mais que contraditório do seu implícito sentido etimológico.
Amanhã é outro dia, que começará, para mim, daqui a meros instantes - as minhas noites insones, ou as minhas madrugadas prematuras, ou ainda todo o tempo que me recuso a desperdiçar dormindo...
Como se um interruptor tivesse sido ligado, a descarga aconteceu, e fez-se luz onde a inépcia campeava, assombrosa, degradante, aniquiladora, suicidariamente.
Mansa e alastradora, uma aura de terna harmonia evolou-se por tudo à minha volta.
Movi-me, sem bem saber que o fazia, desfazendo enovelados confusionismos de um ócio mais que contraditório do seu implícito sentido etimológico.
Amanhã é outro dia, que começará, para mim, daqui a meros instantes - as minhas noites insones, ou as minhas madrugadas prematuras, ou ainda todo o tempo que me recuso a desperdiçar dormindo...
Sunday, June 24, 2007
Angústia(s)...
Este inapetite de tudo, esta sensação de querer agarrar a poeira que se esvai, densa, por entre os interstícios, nas fímbrias da minha dor, sem saber de quê...
Um peso sem dimensão que aniquila toda a minha vontade, que me prosta, me acorrenta a uma mudança sem tempo, num espaço sem medida, numa inacção permanente....
Um desgosto profundo rebenta com o meu peito, sinto o coração querer saltar pela boca: onde antes era fruição por tudo e por nada - bastava a vida para me sentir bem... - permanece, recrudesce este sentir oco, desnudo, esfarrapado, desconstruído. Apagou-se a luz dos meus olhos, a claridade da minha face, o brilho dos meus cabelos, a concretização dos meus mais ínfimos sonhos...
Sinto-me morrer de dia para dia, sem alento em cada esquartejar do tempo - tenho medo de não ser capaz de nunca mais ser capaz de voltar a mim - já não me reconheço: perdi a réstea de esperança que me ajudava a prosseguir... As sombras felizes do meu passado deixaram de ser uma, a única razão que me orientava, que me animava: tudo fugiu de mim, esvai-se-me, também, a alma...
Um peso sem dimensão que aniquila toda a minha vontade, que me prosta, me acorrenta a uma mudança sem tempo, num espaço sem medida, numa inacção permanente....
Um desgosto profundo rebenta com o meu peito, sinto o coração querer saltar pela boca: onde antes era fruição por tudo e por nada - bastava a vida para me sentir bem... - permanece, recrudesce este sentir oco, desnudo, esfarrapado, desconstruído. Apagou-se a luz dos meus olhos, a claridade da minha face, o brilho dos meus cabelos, a concretização dos meus mais ínfimos sonhos...
Sinto-me morrer de dia para dia, sem alento em cada esquartejar do tempo - tenho medo de não ser capaz de nunca mais ser capaz de voltar a mim - já não me reconheço: perdi a réstea de esperança que me ajudava a prosseguir... As sombras felizes do meu passado deixaram de ser uma, a única razão que me orientava, que me animava: tudo fugiu de mim, esvai-se-me, também, a alma...
Tuesday, May 8, 2007
Palavras: ("Paroles, paroles, paroles"...)
Este mundo de palavras feitas, de palavras incompletas, de palavras por dizer, essencialmente: "clichés" que preenchem os quartos que as horas têm, exposições que deixam quase tudo por dizer, e muito mais por sentir.
Fecha-se um círculo, qual roda tosca, primária, o mundo gira em torno de si mesmo, como um pião que perdeu o fuso.
Outra mecha se atira, e novamente a roda tosca desgasta arestas, sem deixar alternativas, repisando ideias fixas, levantando a poeira que persiste em grudar-se ao tempo que persiste em recuar, em se reafirmar...
... E nós que somos a consciência de tudo, somos, afinal, os inconscientes aos apelos que o mundo, a vida, e as coisas nos trazem de mansinho, subrepticiamente, sem dó nem piedade: ensinamos a persistência e somos os mais renegados e estulsos teimosos , duros de ouvido, anquilosados nos pressupostos que criamos para nos fazermos ouvir, olvidando que tudo o resto reflecte a essência, que nos habituamos a ignorar - portas abertas à vida, respostas prontas à ignorância, dados por trabalhar na tessitura desta globalização que faz de nós o ponto mais ínfimo do universo, mas que se rege por nossas mãos, adormentadas de recusar afectos.
Fecha-se um círculo, qual roda tosca, primária, o mundo gira em torno de si mesmo, como um pião que perdeu o fuso.
Outra mecha se atira, e novamente a roda tosca desgasta arestas, sem deixar alternativas, repisando ideias fixas, levantando a poeira que persiste em grudar-se ao tempo que persiste em recuar, em se reafirmar...
... E nós que somos a consciência de tudo, somos, afinal, os inconscientes aos apelos que o mundo, a vida, e as coisas nos trazem de mansinho, subrepticiamente, sem dó nem piedade: ensinamos a persistência e somos os mais renegados e estulsos teimosos , duros de ouvido, anquilosados nos pressupostos que criamos para nos fazermos ouvir, olvidando que tudo o resto reflecte a essência, que nos habituamos a ignorar - portas abertas à vida, respostas prontas à ignorância, dados por trabalhar na tessitura desta globalização que faz de nós o ponto mais ínfimo do universo, mas que se rege por nossas mãos, adormentadas de recusar afectos.
Sunday, April 29, 2007
Eu...
... que me imginava distante destas pequenas, maçadoras ligações?!...
... que entendia, que as grandes afectividades se encontravam de outras formas mais palpáveis, e sensitivas, também;
... por aqui divago, (devagarinho?!...), que este recanto não é para pressas, nem para buscas, e muito menos para fugas - pedaços colados ao tempo modorrento dos meus espaços insossos de alguns dias - ou uma pausa a pedir reencontros com a minha própria, (e muito "sui generis") solidão?!...
..., que nem "acredito em anjos", (?!), vinculei-me a um intemporal compromisso - (até que os dedos me doam de percorrer teclas) - para recatar um equilíbrio, (esse, sim, reachado?!), no remanso das minhas pequenas fruições, doseadas de inconstâncias, de dispersas atenções, de interesses o mais plurais possíveis, mas, sempre, soltos, ao sabor das minhas pendências e das minhas frágeis, fugazes apetências para discernir, escrev(e)/(i)n/(nhan)do...
...!! Foi-se a vontade de por aqui continuar - vou "correr uma cortina": parto para outra apelativa e tranquila inscrição no meu espaço vital - uma "bica" chegou até mim pelo odor que me trouxe o vento...
... que entendia, que as grandes afectividades se encontravam de outras formas mais palpáveis, e sensitivas, também;
... por aqui divago, (devagarinho?!...), que este recanto não é para pressas, nem para buscas, e muito menos para fugas - pedaços colados ao tempo modorrento dos meus espaços insossos de alguns dias - ou uma pausa a pedir reencontros com a minha própria, (e muito "sui generis") solidão?!...
..., que nem "acredito em anjos", (?!), vinculei-me a um intemporal compromisso - (até que os dedos me doam de percorrer teclas) - para recatar um equilíbrio, (esse, sim, reachado?!), no remanso das minhas pequenas fruições, doseadas de inconstâncias, de dispersas atenções, de interesses o mais plurais possíveis, mas, sempre, soltos, ao sabor das minhas pendências e das minhas frágeis, fugazes apetências para discernir, escrev(e)/(i)n/(nhan)do...
...!! Foi-se a vontade de por aqui continuar - vou "correr uma cortina": parto para outra apelativa e tranquila inscrição no meu espaço vital - uma "bica" chegou até mim pelo odor que me trouxe o vento...
Saturday, April 7, 2007
Madrugada(s)!
Busco em cada madrugada um lenitivo, uma resposta para o desânimo, no solilóquio das minhas lucubrações - fico sempre, ou numa nuvem fluida de intenções, ou mergulho num amarfanhante marasmo de já nem me conhecer, de já não saber de mim.
Esta solidão, que me corrói, este amar demais a vida e não sentir nada - apenas o frio inóspito do desencanto, a tristura infinita da descrença, o calculismo inevitável das razões que a vida me traz nas palavras dos outros; uma inconstância em cada presença que (de)marco, depois... mais nada: o vazio, a fugacidade de um qualquer momento que passou, justamente, ao meu lado, que, se me fez vibrar, creio, até, que foi fingimento.
Utopia, para onde foste?
Quimeras que inventei, onde estão?
Sonhos que desbravei, que restam deles?
E, afinal, só peço à vida um pouco de vida, um punhado de amigos, paz, comigo e com os outros, e vou morrendo aos poucos, um pedaço de mim em cada dia que passa - não sei, tão pouco, se é ódio, se indiferença, muitas vezes, mas é, (tenho a certeza), a sombra de mim mesma que persiste em caminhar por mim...
Mulher que me fizeram, hoje resta a mulher que (des)construiram, porque teimo em aceitar a ideia de que me destruiram, malquerenças, pouco ou nenhum amor, muito pouca dedicação, e um profundo desconhecimento da minha interioridade - assim vou sentindo que tudo se vai (apagando), sem retorno: envelheci. mais por dentro, que por fora.
As marcas do tempo, essas, são inevitáveis; as marcas da vida, ah! as marcas da vida!, pod(er)iam bem ter sido evitadas, com um leve "touch of rapture", verdadeiro - não há plásticas para a alma: ela perde-se, ou vai-se perdendo, de angústia em angústia, de desamor em desamor, de incredulidade em incredulidade, de dádivas imperfeitas, (se as houve...), em circunstanciais opacidades feitas de (des)encontros...
Nem sei mesmo se não será só disto - encontros roídos e gastos pela vida de cada um de todos nós - que se faz, que se está (na), que se sente a vida...
Mas que rejeito isto que é nada, (ainda tenho força e consciência suficiente para tal), não posso deixar de o fazer.
Quero outra coisa, qualquer coisa, uma coisa coisificada de modo diferente do que tenho, e há para receber - sei que está aí, pronta para ser agarrada, sentida, vivida, mas... como alcançá-la?
Quem sabe me terei perdido demais para lutar por ela?!...
Esta solidão, que me corrói, este amar demais a vida e não sentir nada - apenas o frio inóspito do desencanto, a tristura infinita da descrença, o calculismo inevitável das razões que a vida me traz nas palavras dos outros; uma inconstância em cada presença que (de)marco, depois... mais nada: o vazio, a fugacidade de um qualquer momento que passou, justamente, ao meu lado, que, se me fez vibrar, creio, até, que foi fingimento.
Utopia, para onde foste?
Quimeras que inventei, onde estão?
Sonhos que desbravei, que restam deles?
E, afinal, só peço à vida um pouco de vida, um punhado de amigos, paz, comigo e com os outros, e vou morrendo aos poucos, um pedaço de mim em cada dia que passa - não sei, tão pouco, se é ódio, se indiferença, muitas vezes, mas é, (tenho a certeza), a sombra de mim mesma que persiste em caminhar por mim...
Mulher que me fizeram, hoje resta a mulher que (des)construiram, porque teimo em aceitar a ideia de que me destruiram, malquerenças, pouco ou nenhum amor, muito pouca dedicação, e um profundo desconhecimento da minha interioridade - assim vou sentindo que tudo se vai (apagando), sem retorno: envelheci. mais por dentro, que por fora.
As marcas do tempo, essas, são inevitáveis; as marcas da vida, ah! as marcas da vida!, pod(er)iam bem ter sido evitadas, com um leve "touch of rapture", verdadeiro - não há plásticas para a alma: ela perde-se, ou vai-se perdendo, de angústia em angústia, de desamor em desamor, de incredulidade em incredulidade, de dádivas imperfeitas, (se as houve...), em circunstanciais opacidades feitas de (des)encontros...
Nem sei mesmo se não será só disto - encontros roídos e gastos pela vida de cada um de todos nós - que se faz, que se está (na), que se sente a vida...
Mas que rejeito isto que é nada, (ainda tenho força e consciência suficiente para tal), não posso deixar de o fazer.
Quero outra coisa, qualquer coisa, uma coisa coisificada de modo diferente do que tenho, e há para receber - sei que está aí, pronta para ser agarrada, sentida, vivida, mas... como alcançá-la?
Quem sabe me terei perdido demais para lutar por ela?!...
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