Saturday, January 7, 2012

Mudança de ano

Respiro no ar uma sensação de espaços por preencher - falências de plenitude pairam à minha volta. Nem sei bem explicitar o quê, de concreto.
Mas, nestas épocas do ano, de todos os anos, subsiste um/(a) permanente histeri(smo)/(a); passagem de ano é isso mesmo: ilusão, crença falaz, fogo fátuo. Nada de consistente para sentir, nada de concreto para agarrar, nada de pleno para guardar. Vazio, somente.
Amanhã, desnovelar-se-á um novo ano.
Tantas intenções se formularão.
Tantas esperanças nascerão.
O bater das horas soará igual ao de todos os outros dias passados.
A luta continuará:
- Mais agruras para enfrentar.
- Mais trilhos por desbravar.
- Mais sonhos por realizar.
- Mais desânimos para esquecer.
- Mais recordações para guardar.
Amanhã será o início de um ano de muitos dias, (366), para acordar.
Amanhã adormeceremos nos frenesins que a noite entonteceu.
Amanhã já será outro dia, igual ao de todos os outros, já antigos.
Amanhã, o absurdo, que é a vida, gritará mais alto.
.............
E vêm aí filhoses para marcar o compasso da quadra...




(Texto composto a 31.12.2011, 18h:59m, antes de sair de casa, no Calvário, para festejar a Passagem do Ano, na Praia da Rocha.)