Thursday, January 5, 2012

"Há duas maneiras de nos refugiarmos das misérias da vida: música e gatos!" - Albert Schweitzer


Deparei-me hoje com este pensamento de um dos homens que mais admirei na minha adolescência. Li, sôfrega, a sua biografia, e procurei cimentar mais, sempre mais, em torno do denodo deste médico-missionário.
Quis ser freira, quis ser enfermeira-paraquedista, piloto, sei lá?!... Com as experiências que recolhia nos contactos que me eram proporcionados, quer através da Legião de Maria, quer nas longas conversas e leituras, que D. Manuel Vieira Pinto, (o ex-bispo de Nampula), me facultou, aprendi a amar, mais e melhor, o "continente negro", e a terra que me viu nascer.   
Encetei uma rápida e doce viagem ao universo das minhas recordações - costumo dizer, que foram os únicos anos em que conheci a felicidade; depois... foram andanças "de Herodes para Pilatos". Por mais que tente esquecer, ou deixar fluir as sensações, tal como outrora, não dá: bloqueei, de tal sorte, que nem consigo ter pena dos outros. 
Dizia, há bem pouco tempo, uma pessoa amiga, "que tem pena é dos animais - das pessoas, não tem pena nenhuma!"
Deu-me que pensar - mesmo sofrida, ainda acho que poderá valer a pena debruçarmo-nos sobre as mazelas que nos são visíveis. 
Desde sempre, (e que me lembre), os gatos têm-me servido de lenitivo para as minhas amarguras: pressentem angústias, mágoas, momentos menos bons, ou mesmo desagradáveis. São firmes, ternos, atentos, ainda que estoicamente independentes.
A música foi sempre a minha "droga", a panaceia para todos as minhas fragilidades. Dançada, cantada, ou ouvida, tem o sortilégio e o condão de me dispôr de cargas-extra para seguir em frente, ou partir para outra etapa.
Incríveis são estes despertares! 
Não me recordava de ter "anotado" este pensamento, (como o fazia, quando era mais nova, e como continuei a fazê-lo vida fora, desistindo de coleccionar "tiradas filosóficas" fará um par de anos).
É sempre assim: poderei ter outros pendores, mas permaneço fiel a estas duas paixões!