Num conto de fadas
Um belo conto, doce e mavioso...
Uma linda princesa,
Boa, jovem e com muita nobreza,
Andava encoberta na sua pobreza
De guardadora de patos
Com as suas roupas em farrapos
E quis um dia Deus premiá-la
Pois também mostrá-la quis
A um garboso sapateiro-aprendiz.
Cansada, preparava-se para se deitar
E eis que, ao pentear-se,
Sua maravilhosa voz se quis soltar
E assim encher o ar
Com um meigo e cristalino canto.
Nesse intérim, o arrogante aprendiz,
Passando, ouviu-a e quis
Saber a quem pertencia tão linda voz:
E, pé ante pé, da porta se aproximou
E maravilhado ficou,
Pois não esperava ver o que viu.
E lançando um assobio,
Foi assustar a pobre pequena,
Que, sem o saber, o deixou preso de encantos
Na grácil e real figura.
Medrosa e inquieta, a porta abriu.
E o que se viu
Foi algo de espantar!
O impudente sapateiro
De joelhos se postrou
E ainda mais assustou
A pobre donzela
Que, sem saber que era bela,
Longe dos homens vivia
E assim desconhecia
Esse "bicho malvado e maldizente".
Criava os seus patitos
E todos os bocaditos
Para eles e ela chegavam
E longe do mundo estavam
Pois só conheciam,
(E isso os satisfazia),
Toda a sua diáfana felicidade.
Passaram-se os dias;
A princesa ansiosa vivia
Pois também presa de encantos ficara
Desse procaz e insolente,
Que tão singelamente arrebatara
Dela toda a sua alegria.
E, no seu exíguo quarto,
Vivia em sonhos e utopias,
Anelos transcendentes e arcanos -
- Pois, sem querer, queria
Ver esse importuno senhor
Que, açambarcador,
Lhe tirava toda a euforia.
E a princesa assim morreu
De tristeza e torturada
Por esse amor que nasceu
Numa noite inesperada.
27/06/1968, (no meu 5º ano do Liceu Almirante Gago Coutinho, Nampula)
-nas transcrições dos meus poem(as)/(etos) de outrora, não efectuei correcções; estão quase tão virgens como
o estão nos manuscritos, por aqui amontoados; poderiam ter sido efectuadas alterações, de molde a fabricar
a rima entre alguns versos; contudo, está lá a possibilidade de o fazer - porque deixei assim, já não recordo...
