Os meus dias são um sucedâneo de satisfações, obrigatórias, umas, necessárias, outras.
Se não recorro às minhas "terapias de emergência", (e é quando a vontade ainda se encontra em estado aproveitável...), dou em "xarope", descompenso-me completamente - não consigo ultrapassar a aversão de ter que lidar com papelada para resolução do que quer que seja: adio até quase ao limite, mas "o que tem de ser, tem muita força", ou, de contrário, só me restam cascudos, que os meus dentes já não trituram.
Esquecer, é preciso.
Sair de mim, um imperativo.
Assim, ficam por aqui algumas das minhas últimas realizações:
A minha saloiinha, de gesso, que tenho há alguns anos - decidi-me a "vesti-la".
E voltamos às telhas - algumas delas, que me falta a paciência para tirar fotografias...
Outra Casa, outra perespectiva.
Papoilas, fechadas, ainda.
Malmequeres.
Quedas de Água de fragas de uma gruta.
Uma outra variante.
Esta telha foi utilizada em "inversão", com o intuito de fazer sobressair a flor.
Florinhas de um arbusto, num canteiro de uma vizinha - desconheço o nome. Abrem de dia, e fecham-se ao entardecer. São muito pequeninas, e a perespectiva dá delas uma dimensão diferente.
As telhas de entalhe estão a ser muito trabalhosas - ansiosa como sou, tenho que fazer pausas constantes - até porque a minúcia e a atenção são imprescindíveis para obter um resultado satisfatório.
Wednesday, September 5, 2012
Friday, August 31, 2012
As minhas mascotes
Se não estão em desatino
Brincando de pega-e-foge
Ficam assim, num cantinho
Mansos, quedos, bem juntinho
Vigiando, um; o outro, dormindo
E eu, girando no meu "lodge",
Olho para eles, sorrindo:
Tão atentos, tanto tino
Para bichos, (nem sei bem),
O que pensam, quando me vêem,
Mas alegram-me os ares que têm
Mais os ares que se dão,
Quando comigo se zangam:
Entendemo-nos sempre bem.
31/08/2012, (18h:07')
Brincando de pega-e-foge
Ficam assim, num cantinho
Mansos, quedos, bem juntinho
Vigiando, um; o outro, dormindo
E eu, girando no meu "lodge",
Olho para eles, sorrindo:
Tão atentos, tanto tino
Para bichos, (nem sei bem),
O que pensam, quando me vêem,
Mas alegram-me os ares que têm
Mais os ares que se dão,
Quando comigo se zangam:
Entendemo-nos sempre bem.
31/08/2012, (18h:07')
Thursday, August 23, 2012
A minha produção amadora - 10
Ganhei o gosto pela artesanato em telha.
É simples e de rápidos resultados - absorção rápida, secagem dependente do ar envolvente e resultados satisfatórios.
Mais casitas. As fotos são as possíveis, mas interessa-me o registo - com um tm não se poderá esperar grande coisa. Também não vale a pena desperdiçar espaço no cartão digital da Canon - talvez noutra altura mais oportuna me decida a fazer isso...
Duas perespectivas da mesma - a imagem sonega a "belezura"... Ao vivo, e a cores está muito engraçada.
Esta também está engraçada - tem o aspecto de envelhecida, a trepadeira está com características bastante próximas do real.
São as minhas criações mais recentes - acabadinhas farão cerca de duas horas. Falta envernizá-las, esperar que sequem, para poderem brilhar!
É simples e de rápidos resultados - absorção rápida, secagem dependente do ar envolvente e resultados satisfatórios.
Mais casitas. As fotos são as possíveis, mas interessa-me o registo - com um tm não se poderá esperar grande coisa. Também não vale a pena desperdiçar espaço no cartão digital da Canon - talvez noutra altura mais oportuna me decida a fazer isso...
Duas perespectivas da mesma - a imagem sonega a "belezura"... Ao vivo, e a cores está muito engraçada.
Esta também está engraçada - tem o aspecto de envelhecida, a trepadeira está com características bastante próximas do real.
São as minhas criações mais recentes - acabadinhas farão cerca de duas horas. Falta envernizá-las, esperar que sequem, para poderem brilhar!
Tuesday, August 21, 2012
A minha produção amadora - 9
Telhas... Mais para me entreter e arrumar espaços preenchidos.
Nesta série, outras variantes.
As fotografias não são das melhores, mas importa o registo.
Casario de aldeia: numa outra posição; ficou simples e decora bem qualquer recanto, onde não se saiba que fazer dele, no campo, evidentemente.
Mar e barcos: e o céu na linha do horizonte, não visível dado que se trata de uma telha- mini canudo.
Casas velhas de campo: uma alternativa diferente da primeira desta série.
Voltamos às Flores: jasmins-manga. Gosto particularmente desta.
Uma Casa com Girassol à Porta. Semelhante a muitas que se encontram pelas redondezas, quase em ruínas.
Uma Magnólia: uma variação a uma executada em tela - gosto especialmente desta; embora a fotografia não dê a justa imagem, ao vivo surte um efeito magnífico.
E duas de outras experiências em execução; estão em bruto, ainda, em secagem, para serem pintadas.
A primeira: uma prateleira com um Cacho de Uvas, um Pano, um Copo, uma Garrafa e um Pão Saloio.
A segunda: Fruta envolta numa bolsa de tecido - esta irá dar muito trabalho a pintar, dado que são miniaturais as réplicas de frutos expostos.
Veremos como irão ficar...
Nesta série, outras variantes.
As fotografias não são das melhores, mas importa o registo.
Casario de aldeia: numa outra posição; ficou simples e decora bem qualquer recanto, onde não se saiba que fazer dele, no campo, evidentemente.
Mar e barcos: e o céu na linha do horizonte, não visível dado que se trata de uma telha- mini canudo.
Casas velhas de campo: uma alternativa diferente da primeira desta série.
Voltamos às Flores: jasmins-manga. Gosto particularmente desta.
Uma Casa com Girassol à Porta. Semelhante a muitas que se encontram pelas redondezas, quase em ruínas.
Uma Magnólia: uma variação a uma executada em tela - gosto especialmente desta; embora a fotografia não dê a justa imagem, ao vivo surte um efeito magnífico.
E duas de outras experiências em execução; estão em bruto, ainda, em secagem, para serem pintadas.
A primeira: uma prateleira com um Cacho de Uvas, um Pano, um Copo, uma Garrafa e um Pão Saloio.
A segunda: Fruta envolta numa bolsa de tecido - esta irá dar muito trabalho a pintar, dado que são miniaturais as réplicas de frutos expostos.
Veremos como irão ficar...
Friday, August 17, 2012
A minha produção amadora -8
Não ando de telha - nem pouco mais ou menos?!...
Simples artefacto, de fácil pintura, e mais rápida secagem!
Variações:
-2º farol pintado, com variações bastante diferentes um do outro; o primeiro ficou no Algarve.
- paisagem costeira ao nascer do sol
- réplica de um quadrinho a óleo, realizado o ano passado
- pôr-do-sol, velejando
- variações simplistas: rosas brancas em botão
- indicador de garrafeira
- indicador de louceiro, e arrumo de apetrechos de/para chá
Irrepetíveis, peças únicas, feitas ao improviso da vontade e ao sabor da imaginação momentânea.
Brincar com o pincel e as bisnagas já me deu mais gozo - há que aproveitar os materiais, sem desperdiçar o dinheiro investido.
Ideias entrecruzam-se na minha cabeça - responder a todas, dar-lhes tempo para amadurecerem, nem sempre é tarefa consentânea com a minha hiper-energia.
Vou tentando concertar de tudo um pouco com a viabilidade possível, e com as mãos que me deram.
Simples artefacto, de fácil pintura, e mais rápida secagem!
Variações:
-2º farol pintado, com variações bastante diferentes um do outro; o primeiro ficou no Algarve.
- paisagem costeira ao nascer do sol
- réplica de um quadrinho a óleo, realizado o ano passado
- pôr-do-sol, velejando
- variações simplistas: rosas brancas em botão
- indicador de garrafeira
- indicador de louceiro, e arrumo de apetrechos de/para chá
Irrepetíveis, peças únicas, feitas ao improviso da vontade e ao sabor da imaginação momentânea.
Brincar com o pincel e as bisnagas já me deu mais gozo - há que aproveitar os materiais, sem desperdiçar o dinheiro investido.
Ideias entrecruzam-se na minha cabeça - responder a todas, dar-lhes tempo para amadurecerem, nem sempre é tarefa consentânea com a minha hiper-energia.
Vou tentando concertar de tudo um pouco com a viabilidade possível, e com as mãos que me deram.
Thursday, August 9, 2012
As minhas efabulações - 1
Duas Colectâneas - as primeiras, já publicadas:
A Colectânea MÃE, lançada no dia 08/05/2012, na Biblioteca José Saramago, em Loures. Com dois poemetos à minha mãe. ISBN - 978-972-8992-32-5
A Colectânea CRIANÇA, lançada a 01/06/2012, no CSAC, de Stº António dos Cavaleiros. Com um texto meu, a que, de alguma forma, os presentes e os editores reagiram bem. ISBN - 978-972-8992-34-7
O meu primeiro livrinho, de Contos, em 20/06/2012, no Teatro da Malaposta, em Odivelas. Não a minha forma de estar presente na escrita - uma catarse, a que recorri, para me libertar das profundas depressões por que tenho passado. A capa e a contracapa são minhas - fotografias tiradas, em dias diferentes, sensivelmente do mesmo sítio - Ventosa - Vimeiro. ISBN - 978-989-20-3163-7
Estão em laboração outras colectâneas em que participo, bem como duas obras de crítica literária. A sair, também muito em breve, um livrinho de histórias infantis, e outro de peças de teatro.
Vou coligindo muito material, poético, que por aí tenho em "gavetas" - um dia aparecerão...
Entretanto, vou-me debruçando sobre breviários literários - os meus temas e exercícios preferidos.
A Colectânea CRIANÇA, lançada a 01/06/2012, no CSAC, de Stº António dos Cavaleiros. Com um texto meu, a que, de alguma forma, os presentes e os editores reagiram bem. ISBN - 978-972-8992-34-7
O meu primeiro livrinho, de Contos, em 20/06/2012, no Teatro da Malaposta, em Odivelas. Não a minha forma de estar presente na escrita - uma catarse, a que recorri, para me libertar das profundas depressões por que tenho passado. A capa e a contracapa são minhas - fotografias tiradas, em dias diferentes, sensivelmente do mesmo sítio - Ventosa - Vimeiro. ISBN - 978-989-20-3163-7
Estão em laboração outras colectâneas em que participo, bem como duas obras de crítica literária. A sair, também muito em breve, um livrinho de histórias infantis, e outro de peças de teatro.
Vou coligindo muito material, poético, que por aí tenho em "gavetas" - um dia aparecerão...
Entretanto, vou-me debruçando sobre breviários literários - os meus temas e exercícios preferidos.
Tuesday, August 7, 2012
A minha produção (amadora) - 7
Têm mais de um ano estas figurinhas de gesso, "vestidas" com as cores com que me pareceram mais adequadas.
A minha flautista, (que vinha sem flauta...)
O meu buda - um mais na minha razoável colecção, de todos os tipos e materiais
Uns coelhitos amorosos - branquinhos demais, orelhudos e de fraldinhas...
E mochos!... Miniaturais - ficaram engraçados... Para muita gente, aves agoirentas, para mim, o eterno símbolo da sabedoria, da paz, da perespicácia e da curiosidade
Pesadelos - uma constante...
Meus sonos soluçantes,
O meu coração a alvoroçar:
São memórias de antes,
Que esqueço ao acordar
Que angústia, que situação,
Que me põe em desalento:
Não vejo qualquer razão
Para estar neste sofrimento?!
E mesmo que não queira,
Fico sempre a pensar,
Que toda esta toeira
É uma angústia sem par
Sonhava, e, ao despertar,
Lembrava tudo tão bem...
Hoje, se me esforçar,
Nada sei, nada vem...
Quer seja de noite, ou de dia,
Minha alma não sossega
Durmo, em mera vigilia -
Meu corpo numa refrega...
06/08/2012, (parte às 21h:22'; outra parte às 22h:36')
O meu coração a alvoroçar:
São memórias de antes,
Que esqueço ao acordar
Que angústia, que situação,
Que me põe em desalento:
Não vejo qualquer razão
Para estar neste sofrimento?!
E mesmo que não queira,
Fico sempre a pensar,
Que toda esta toeira
É uma angústia sem par
Sonhava, e, ao despertar,
Lembrava tudo tão bem...
Hoje, se me esforçar,
Nada sei, nada vem...
Quer seja de noite, ou de dia,
Minha alma não sossega
Durmo, em mera vigilia -
Meu corpo numa refrega...
06/08/2012, (parte às 21h:22'; outra parte às 22h:36')
Monday, August 6, 2012
Surprise, surprise?!...
Passam-se dias que não vou a determinados "e-mails" - há dois ou três que são "limpos" com mais frequência, porque se prendem com questões laborais, da minha vida cívica, ou por aí.
Fui ao msn, e deparei-me com este "post" do Raíz On Line, da autoria do meu amigo Daniel Teixeira
http://raizonline.blog4ever.com/blog/lire-article-481789-9372244-uma_madrugada_diferente__conto_de_ana_dias_men.html
Por timidez, por humildade, não alardeio o que faço, ou eventualmente me aconteça, de bom, ou de mau. Nem sequer quis ler o artigo na sessão de atribuição do prémio, embora o texto tenha sido elogiado pelo Presidente do "BONJOANENSE"- (um amigo que ganhei!): "E agora vamos ouvir como se fala e escreve o bom Português". Não o li. Porque não o li? Sabia que iria chorar: a comoção foi muita, os nervos também, e a festa um espectáculo, com um grupo de jovens e poetas do melhor que o Algarve tem - os SMENTE. Não queria sensibilizar ninguém. Era uma estranha em terra estranha, praticamente sem quaisquer ligações a Faro, a não ser as breves passagens, uma em menina, (com cerca de 6/7 anitos, quando os meus pais estiveram em casa dos meus avós paternos), e outra, muito mais tarde, quando fiz a Profissionalização em Serviço, na ESE de Faro. Foi uma surpresa para mim, esta Menção Honrosa, tanto mais que sabia que seriam privilegiados os trabalhos de gente da terra, (como, aliás, o reiterou um dos juízes, o dr José Duro).
O texto tem gralhas, nesta transcrição do Daniel - começa por três frases truncadas, que não pertencem ao início do texto.
Vale a surpresa!
(Este texto foi composto numa madrugada - igual a tantas outras da minha vida - e enviado completamente por pura participação; despreocupei- me relativamente à credibilização, ou não, do texto. Puro desportivismo...)
Fui ao msn, e deparei-me com este "post" do Raíz On Line, da autoria do meu amigo Daniel Teixeira
http://raizonline.blog4ever.com/blog/lire-article-481789-9372244-uma_madrugada_diferente__conto_de_ana_dias_men.html
Por timidez, por humildade, não alardeio o que faço, ou eventualmente me aconteça, de bom, ou de mau. Nem sequer quis ler o artigo na sessão de atribuição do prémio, embora o texto tenha sido elogiado pelo Presidente do "BONJOANENSE"- (um amigo que ganhei!): "E agora vamos ouvir como se fala e escreve o bom Português". Não o li. Porque não o li? Sabia que iria chorar: a comoção foi muita, os nervos também, e a festa um espectáculo, com um grupo de jovens e poetas do melhor que o Algarve tem - os SMENTE. Não queria sensibilizar ninguém. Era uma estranha em terra estranha, praticamente sem quaisquer ligações a Faro, a não ser as breves passagens, uma em menina, (com cerca de 6/7 anitos, quando os meus pais estiveram em casa dos meus avós paternos), e outra, muito mais tarde, quando fiz a Profissionalização em Serviço, na ESE de Faro. Foi uma surpresa para mim, esta Menção Honrosa, tanto mais que sabia que seriam privilegiados os trabalhos de gente da terra, (como, aliás, o reiterou um dos juízes, o dr José Duro).
O texto tem gralhas, nesta transcrição do Daniel - começa por três frases truncadas, que não pertencem ao início do texto.
Vale a surpresa!
(Este texto foi composto numa madrugada - igual a tantas outras da minha vida - e enviado completamente por pura participação; despreocupei- me relativamente à credibilização, ou não, do texto. Puro desportivismo...)
Sunday, August 5, 2012
A minha produção (amadora) - 6
Mais umas telhas, só "acrílicas"...
Há quem chame arte?!... Chamo-lhe(s) a minha terapia ocupacional - mais honesto, mais realista!
E esta, para oferta ao meu irmão, (que a adorou), sobre uma ilustração de Danuta Wojciechowska - linda, a ilustração!
Thursday, August 2, 2012
(Queria um céu...)
Queria um céu
Para contar as estrelas.
Queria um arco-íris
Para misturar-lhe as côres.
Queria um jardim
Só de dálias multicores
Para desfolhar nelas o seu perfume,
E uma imensa alegria no seu bailar.
Queria um porto onde não houvesse nunca partida.
Queria um tecto de malvas
Sussurrando-me segredos do vento,
E que o sol me entrasse todos os dias
Pelas janelas rasgadas dos meus sonhos.
22/06/1987, (14h:23')
Para contar as estrelas.
Queria um arco-íris
Para misturar-lhe as côres.
Queria um jardim
Só de dálias multicores
Para desfolhar nelas o seu perfume,
E uma imensa alegria no seu bailar.
Queria um porto onde não houvesse nunca partida.
Queria um tecto de malvas
Sussurrando-me segredos do vento,
E que o sol me entrasse todos os dias
Pelas janelas rasgadas dos meus sonhos.
22/06/1987, (14h:23')
Saturday, July 28, 2012
A minha produção (amadora) - 5
Estes dois, embora recentes, já têm uns mesitos.
As minhas actividades têm andado dispersas por várias áreas, abrangendo o restauro, a remodelação, a assistência à família, a resolução de problemas de "lana caprina", (que roubam tempo, desgastam a paciência, e consomem a disposição para outros "vôos").
Flores
O meu friso de Magnólias
A Soulangiana Athène, a Yellow Glendoik e a Star.
Embora seja um exagero, sou perdida por flores - quer queira, quer não, volta e meia debruço-me sobre a tela, ou outra matéria-prima para as desenhar e pintar...
Cavalos
Uma paixão - a soberbia, a força, a frontalidade, a fleuma e a extrema sensibilidade destes bichos, cativam-me sobremaneira.
As minhas actividades têm andado dispersas por várias áreas, abrangendo o restauro, a remodelação, a assistência à família, a resolução de problemas de "lana caprina", (que roubam tempo, desgastam a paciência, e consomem a disposição para outros "vôos").
Flores
O meu friso de Magnólias
A Soulangiana Athène, a Yellow Glendoik e a Star.
Embora seja um exagero, sou perdida por flores - quer queira, quer não, volta e meia debruço-me sobre a tela, ou outra matéria-prima para as desenhar e pintar...
Cavalos
Uma paixão - a soberbia, a força, a frontalidade, a fleuma e a extrema sensibilidade destes bichos, cativam-me sobremaneira.
Os meus cavalos selvagens...
Tão difíceis de lhes captar os movimentos, quanto mais fácil é amá-los?!...
Friday, July 27, 2012
A minha produção (amadora) - 4
Dos primeiros quadros realizados, em acrílico, para experimentação.
Jarros
Estes últimos produtos foram realizados para venda. Há-as de outros tipos, já terminadas, bem como algumas iniciadas para exposição e venda.
Jarros
Uma Natureza Morta
E algumas Colagens e Acrílico, em Telha Mini, (de barro)
Há que entreter o tempo, quando o tempo nos tenta desintegrar com as suas vicissitudes... Melhor, ou pior, dizia Jeanette Winterson, "There are two kinds of people: those who do, and those who won't do". Acrescento: dá o mesmo trabalho fazer mal, ou fazer bem, raiando a perfeição - é mais saudável empenharmo-nos um "cóchinho" mais, não?
Tuesday, June 26, 2012
Banalizações, Ivaginações, Tesões e outras Aberrações...
De, haverá doze, quinze anos a esta parte, deixei de me debruçar sobre a Poesia:
Para mim, férias sem livros, não eram férias - mais que sacos ou malas de roupas ou adereços, a minha bagagem compunha-se essencialmente de livros, na sua grande maioria de/sobre poesia. O meu lenitivo, a minha panaceia, a minha doce terapia!
Hoje... cansei! Mas não, ainda, dos Clássicos, ou dos Medievos - estes últimos a minha eterna paixão poética! Desde sempre!
Banalizou-se tudo de tal forma que a diarreia mental que atacou os cérebros - ( se é que os há?!...) - me entedia, enerva, gera, bem dentro de mim, náusea, inquietação, negação absoluta.
Se não é do bidé,
É do cafoné, ou do besiché...
Tudo se copia, ou plagia,
Acabou-se a poesia...
Que falta de imaginação
Servir o corpo p'r'á ivaginação
Desbocada, decadente
Presa em tesão permanente
Depois... escrevem aleivosias,
Gritam, sarrentas, as cotovias
Em plasmas sem plenitude
Ah! E erros, erros de torpitude!
26/06/2012, (14h:50')
Tão corriqueiros, repetitivos são os temas, que me remetem, inevitavelmente, incontornavelmente, para os bardos, os trovadores sem eira nem beira, quando se iniciaram as feiras francas - mas ficavam sempre fora das muralhas, (coitados?!...). Hoje a situação é, em tudo, semelhante - escabujam por pertencer a este ou a aquele núcleo, inventam sem consistência, imitam, (julgando que recriam...), plagiam, segmentam palavras atiradas que utilizam com sentidos degenerativos, aplicam verdadeiras corruptelas da nossa bendita Língua - são doutos?!... Com sabedoria de sobra?!...
E correm tertúlias, cansam-nos o ouvido com toadas dissonantes, sempre a mesma insossa lenga-lenga - mas utilizam como isco nomes irrepreensíveis, marcantes da nossa Literatura - uma capa para fazer desperdiçar o tempo aos incautos, já que do que se trata é impor, ler, dizer quadras, versejos da "nova vaga", arrogante, presumida, que enxurdou cafés, salas de chá, (anfi)teatros, restaurantes e outros "antros"
Aberrações!?...
Morreu a poesia, e eu cansei com ela!
26/06/2012, (15h:04')
Para mim, férias sem livros, não eram férias - mais que sacos ou malas de roupas ou adereços, a minha bagagem compunha-se essencialmente de livros, na sua grande maioria de/sobre poesia. O meu lenitivo, a minha panaceia, a minha doce terapia!
Hoje... cansei! Mas não, ainda, dos Clássicos, ou dos Medievos - estes últimos a minha eterna paixão poética! Desde sempre!
Banalizou-se tudo de tal forma que a diarreia mental que atacou os cérebros - ( se é que os há?!...) - me entedia, enerva, gera, bem dentro de mim, náusea, inquietação, negação absoluta.
Se não é do bidé,
É do cafoné, ou do besiché...
Tudo se copia, ou plagia,
Acabou-se a poesia...
Que falta de imaginação
Servir o corpo p'r'á ivaginação
Desbocada, decadente
Presa em tesão permanente
Depois... escrevem aleivosias,
Gritam, sarrentas, as cotovias
Em plasmas sem plenitude
Ah! E erros, erros de torpitude!
26/06/2012, (14h:50')
Tão corriqueiros, repetitivos são os temas, que me remetem, inevitavelmente, incontornavelmente, para os bardos, os trovadores sem eira nem beira, quando se iniciaram as feiras francas - mas ficavam sempre fora das muralhas, (coitados?!...). Hoje a situação é, em tudo, semelhante - escabujam por pertencer a este ou a aquele núcleo, inventam sem consistência, imitam, (julgando que recriam...), plagiam, segmentam palavras atiradas que utilizam com sentidos degenerativos, aplicam verdadeiras corruptelas da nossa bendita Língua - são doutos?!... Com sabedoria de sobra?!...
E correm tertúlias, cansam-nos o ouvido com toadas dissonantes, sempre a mesma insossa lenga-lenga - mas utilizam como isco nomes irrepreensíveis, marcantes da nossa Literatura - uma capa para fazer desperdiçar o tempo aos incautos, já que do que se trata é impor, ler, dizer quadras, versejos da "nova vaga", arrogante, presumida, que enxurdou cafés, salas de chá, (anfi)teatros, restaurantes e outros "antros"
Aberrações!?...
Morreu a poesia, e eu cansei com ela!
26/06/2012, (15h:04')
Saturday, May 26, 2012
Brincando aos Santos Populares - (vêm aí os festejos?!..)
Quem quiser casar comigo
Tem que ter boa aparência
Ser garboso e bom amigo
Nunca primar pel' ausência
Sorrir sempre para mim
Com (os) olhos postos nos céus
Porque, por certo, assim
Estamos nas mãos de Deus
10/03/2012
Tem que ter boa aparência
Ser garboso e bom amigo
Nunca primar pel' ausência
Sorrir sempre para mim
Com (os) olhos postos nos céus
Porque, por certo, assim
Estamos nas mãos de Deus
10/03/2012
Sunday, May 13, 2012
Recordações de uma outra Lisboa (excerto)
......
Há recordações que guardo com carinho pelas pessoas que a elas estão ligadas.
Contudo, há mágoa pelo desrespeito, a insensatez e a injustiça que a pseudo-liberdade, cega, sórdida, execrável, me fez sentir.
Vivi, dos meus dezoito aos vinte e dois anos, em dois lares, situados sensivelmente na mesma zona, embora com características completamente diferentes. Creio que já nenhum deles hoje funciona.
O primeiro, o Lar Joana d'Arc, na Avenida da República; o segundo, na Praça José Fontana.
Há personagens que jamais se apagam das nossas memórias. Como há factos que nos fazem, por um lado, acreditar que ainda há gente com maiúscula, e, por outro, lamentavelmente, que pululam por aí demasiados mentecaptos, que, à revelia, sabe-se lá do quê, se outorgam o direito de destruir o que de bom a vida nos proporciona.
Havia, e desapareceu, infelizmente, uma figura característica de Lisboa - o guarda-nocturno.
Quando vivi no Lar Joana d'Arc, quantas vezes o guarda-nocturno, abrindo-me a porta de entrada do prédio, me perguntava, sempre: "Quer que a acompanhe até à porta, menina?" O edifício era velho, o elevador avariava-se com frequência, e ele sabia-o. Quantas vezes fui cantarolando, escadas acima, para afastar o medo?! Situações houve em que ele teve que correr com mendigos, que se acolhiam nos patamares, ou nas escadas. Mas sabia que, embora não indo comigo, ... ficava à espera, lá em baixo, de porta aberta, até me ouvir entrar no lar.
O Lar da Praça José Fontana ficava no primeiro andar de um prédio mais recente, mas o procedimento do guarda-nocturno da zona era o mesmo. Esperava que entrasse, e só depois prosseguia o giro.
É com este último que, após o 25 de Abril, tenho das mais angustiantes e revoltantes experiências, provocadas por procedimentos de um pseudo-defensor da liberdade.
Uma noite, uma das laristas, que ía sair com o namorado, convidou-me e a mais duas outras raparigas, para irmos com eles.
O guarda-nocturno ía na sua plácida e rotineira volta.
Já íamos de largada, quando o Víctor, de repente, pára o carro a meio da estrada, sai, de rompante, dirige-se ao homem e diz-lhe: "Agora com o 25 de Abril, finalmente posso dizer-lhe o que há muito lhe queria dizer! Seu grandecíssimo filho da puta!"
Não me contive: saí do carro.
O Víctor perguntou-me: "Onde vais?"
- "Desculpa, mas acho que foste, para além de muito mal-educado, extremamente estúpido. Vou voltar para casa".
Espanto dos espantos, fui apodada, pela primeira vez na minha vida, de - "És uma fascista!"
.....
A minha homenagem é para estes seres, que, para além da provecta idade, [(quase) todos já eram de idade avançada - pelo menos para mim, que era nova...], que me merecia o maior respeito, tinham sempre para mim, (e creio que para toda a gente)... uma palavra amiga, um "boa noite", que nos guiava até dentro de casa.
Desapareceram, infelizmente.
Transportavam consigo uma argola enorme, com chaves, muitas, e nunca se enganavam na fechadura certa. Parecia que levavam consigo as chaves do(s) céu(s) e do(s) inferno(s) - e eles sabiam onde estava(m) u(m)/(uns) e outro(s)...
......
...eram uma nota de vida na "côr-local" de Lisboa nocturna.
07/03/2012
______________________________
- texto elaborado, por repto lançado no início do mês de Março, para recordar marcas que "os filhos da madrugada" deixaram para nos entretermos: elas são os deboches, as incúrias, as mal-querenças, as más-educações, as vilanias, o desrespeito pelo próximo, com que temos que lidar todos os dias
- nenhum dos Lares em questão existe hoje; o edifício, onde se situava o da Avenida da República, embora mantendo a fachada, foi reconstruído em traça moderna; o da Praça José Fontana passou a residência particular haverá mais de vinte anos, mas o edifício está intacto.
13/05/2012, (10h:15')
Há recordações que guardo com carinho pelas pessoas que a elas estão ligadas.
Contudo, há mágoa pelo desrespeito, a insensatez e a injustiça que a pseudo-liberdade, cega, sórdida, execrável, me fez sentir.
Vivi, dos meus dezoito aos vinte e dois anos, em dois lares, situados sensivelmente na mesma zona, embora com características completamente diferentes. Creio que já nenhum deles hoje funciona.
O primeiro, o Lar Joana d'Arc, na Avenida da República; o segundo, na Praça José Fontana.
Há personagens que jamais se apagam das nossas memórias. Como há factos que nos fazem, por um lado, acreditar que ainda há gente com maiúscula, e, por outro, lamentavelmente, que pululam por aí demasiados mentecaptos, que, à revelia, sabe-se lá do quê, se outorgam o direito de destruir o que de bom a vida nos proporciona.
Havia, e desapareceu, infelizmente, uma figura característica de Lisboa - o guarda-nocturno.
Quando vivi no Lar Joana d'Arc, quantas vezes o guarda-nocturno, abrindo-me a porta de entrada do prédio, me perguntava, sempre: "Quer que a acompanhe até à porta, menina?" O edifício era velho, o elevador avariava-se com frequência, e ele sabia-o. Quantas vezes fui cantarolando, escadas acima, para afastar o medo?! Situações houve em que ele teve que correr com mendigos, que se acolhiam nos patamares, ou nas escadas. Mas sabia que, embora não indo comigo, ... ficava à espera, lá em baixo, de porta aberta, até me ouvir entrar no lar.
O Lar da Praça José Fontana ficava no primeiro andar de um prédio mais recente, mas o procedimento do guarda-nocturno da zona era o mesmo. Esperava que entrasse, e só depois prosseguia o giro.
É com este último que, após o 25 de Abril, tenho das mais angustiantes e revoltantes experiências, provocadas por procedimentos de um pseudo-defensor da liberdade.
Uma noite, uma das laristas, que ía sair com o namorado, convidou-me e a mais duas outras raparigas, para irmos com eles.
O guarda-nocturno ía na sua plácida e rotineira volta.
Já íamos de largada, quando o Víctor, de repente, pára o carro a meio da estrada, sai, de rompante, dirige-se ao homem e diz-lhe: "Agora com o 25 de Abril, finalmente posso dizer-lhe o que há muito lhe queria dizer! Seu grandecíssimo filho da puta!"
Não me contive: saí do carro.
O Víctor perguntou-me: "Onde vais?"
- "Desculpa, mas acho que foste, para além de muito mal-educado, extremamente estúpido. Vou voltar para casa".
Espanto dos espantos, fui apodada, pela primeira vez na minha vida, de - "És uma fascista!"
.....
A minha homenagem é para estes seres, que, para além da provecta idade, [(quase) todos já eram de idade avançada - pelo menos para mim, que era nova...], que me merecia o maior respeito, tinham sempre para mim, (e creio que para toda a gente)... uma palavra amiga, um "boa noite", que nos guiava até dentro de casa.
Desapareceram, infelizmente.
Transportavam consigo uma argola enorme, com chaves, muitas, e nunca se enganavam na fechadura certa. Parecia que levavam consigo as chaves do(s) céu(s) e do(s) inferno(s) - e eles sabiam onde estava(m) u(m)/(uns) e outro(s)...
......
...eram uma nota de vida na "côr-local" de Lisboa nocturna.
07/03/2012
______________________________
- texto elaborado, por repto lançado no início do mês de Março, para recordar marcas que "os filhos da madrugada" deixaram para nos entretermos: elas são os deboches, as incúrias, as mal-querenças, as más-educações, as vilanias, o desrespeito pelo próximo, com que temos que lidar todos os dias
- nenhum dos Lares em questão existe hoje; o edifício, onde se situava o da Avenida da República, embora mantendo a fachada, foi reconstruído em traça moderna; o da Praça José Fontana passou a residência particular haverá mais de vinte anos, mas o edifício está intacto.
13/05/2012, (10h:15')
Friday, May 4, 2012
Inquietações e Desassossegos
Há já uns dias que memórias da minha infância me deixam prostrada, sonhando acordada.
Não aguentei a "marinada" e tive que vir descarregar, no meu "diário electrónico" toda esta disforia.
Relembrar o cinema, os filmes, as imagens, que encheram os meus olhos de sonhos, o meu cérebro de utopias, e o meu coração de recordações coloridas, que jamais se repetiram, ou virão a repetir-se, deixa-me inquieta, vibrante, lamentando nunca me ter sido possível fazer o mesmo percurso que os meus pais me possibilitaram guardar com ternura, fascínio, e um imenso amor à vida e à família.
De cada vez que decidiam sair, quer para o cinema, quer para o teatro... Que lindo era tudo?!... Deverão ter começado aí as noites curtas, as minhas madrugadas prematuras...
Recordo-me deitada na cama deles, de perna cruzada sobre um dos joelhos, vendo-os prepararem-se - a minha mãe, que, voltando-se de costas para o meu pai, lhe pedia que puxasse o "zipper" do vestido, (longo, sempre até aos pés), ou que lhe colocasse o colar; o meu pai, no outro espelho, ou por detrás dela, dando o nó na gravata, mas pretendendo que ela lhe desse o jeitinho particular, e muito pessoal, quer à gravata, ou ao laço, quer ao lenço de bolso do casaco. Depois... um cheirinho de perfume, um brinco apertado, um "bâton", um sinal, um caracol... Uma estola, um casaco...e a "pochette", pequenina...
Um prelúdio de sonho, de fantasia, que prosseguiria quando regressassem a casa.
Relembro o espanto de me verem sentada na cama, mal entravam em casa. Mal cabia de expectativa pelas narrações da minha mãe - o meu pai servia de "ponto". Muitas vezes, já só pela madrugada dentro adormecíamos.
A minha mãe teve sempre um jeito muito seu de contar "estórias". As imagens que desnovelava, recriaram enredos bem mais perenes e vivos que os que vi, mais tarde, nos filmes que relatou. Suplantavam sempre, sobrepunham-se sempre às sequências projectadas nos "écrans" - assim foi com Cleópatra, Ben-Hur, A Ponte sobre o Rio Kwai, e tantos, tantos outros. Tenho-os, inclusive, gravados em vídeo - revê-los é, mais que o que a tela vai passando, o desfiar de imagens que ela coloriu quando mos contava.
Se eram longos, ficavam para depois da escola, no outro dia. Chegava a casa, fazia os deveres da escola, e plantava-me ao pé dela para a ouvir.
Momentos destes, inefáveis, doces, quem dera aos miúdos de hoje?!...
Quando comecei a frequentar as "matinées", aos Domingos, com eles e o meu irmão, era um delírio.
A minha mãe desistiu de ir connosco - ríamos tanto, as pessoas mandando-nos calar constantemente, que ela preferia ir com o meu pai à noite. E ele não se importava nada de ver de novo, em diferido, o mesmo filme.
As tardes de Sábado, ou de Domingo, começaram por ser com o meu pai - uma "casa cheia"!?... Não falhávamos Mário Moreno, ("Cantinflas"), ou Louis de Funés. Para além de rirmos com gosto, havia, a contra-gosto, o meu irmão, pequenito, a pedir sempre"Mana, lê alto. Também quero rir: não percebo. As letras fogem..." Era um desassossego completo, e uma alegria para o pai babado que tive.
Passámos a ir sozinhos os dois, mais tarde. Era uma festa - relembro Marisol, Joselito, também... Um lanche em família, depois. Um passeio pelo Jardim Vasco da Gama. Às vezes fotografias, e longos passeios a pé, para arejar e "ver as montras".
Um dos cinemas mais frequentados situava-se na Rua Araújo, a "Rua do Pecado", em Lourenço Marques.
De dia, era uma azáfama, de trabalhadores das alfândegas, dos escritórios, das embaixadas - onde solicitei e recolhi muita informação para as disciplinas de História e de Geografia; como eram em Inglês, ajudaram-me a desenvolver esta língua estrangeira, tornando-me numa das melhores alunas da disciplina. À noite, - (que também por lá passávamos de carro, a caminho do cais, por onde o meu pai adorava andar a pé, para ver o bulício dos trabalhos de carga e de descarga, os guindastres em manobras, um vai-vem de operadores de todo o género - sabia bem a fresquidão da brisa marinha, principalmente em noites quentes, de calor intenso), - era esquisito: pouca gente, muitas piscadelas de "néon", gente de côr envolta em roupagens estranhas, homens de comportamento duvidoso... Enfim: o "pecado" estava na rua e batia à porta dos bares, e das "strip-teasers"...
Nunca interroguei os meus pais sobre esta alteração, na mesma rua, entre o dia e a noite - há coisas que são óbvias, que, intrinsecamente, entendemos - aceitamos, ou rejeitamos: era o dia, dia; era a noite, noite.
05/05/2012, (03h:20')
Não aguentei a "marinada" e tive que vir descarregar, no meu "diário electrónico" toda esta disforia.
Relembrar o cinema, os filmes, as imagens, que encheram os meus olhos de sonhos, o meu cérebro de utopias, e o meu coração de recordações coloridas, que jamais se repetiram, ou virão a repetir-se, deixa-me inquieta, vibrante, lamentando nunca me ter sido possível fazer o mesmo percurso que os meus pais me possibilitaram guardar com ternura, fascínio, e um imenso amor à vida e à família.
De cada vez que decidiam sair, quer para o cinema, quer para o teatro... Que lindo era tudo?!... Deverão ter começado aí as noites curtas, as minhas madrugadas prematuras...
Recordo-me deitada na cama deles, de perna cruzada sobre um dos joelhos, vendo-os prepararem-se - a minha mãe, que, voltando-se de costas para o meu pai, lhe pedia que puxasse o "zipper" do vestido, (longo, sempre até aos pés), ou que lhe colocasse o colar; o meu pai, no outro espelho, ou por detrás dela, dando o nó na gravata, mas pretendendo que ela lhe desse o jeitinho particular, e muito pessoal, quer à gravata, ou ao laço, quer ao lenço de bolso do casaco. Depois... um cheirinho de perfume, um brinco apertado, um "bâton", um sinal, um caracol... Uma estola, um casaco...e a "pochette", pequenina...
Um prelúdio de sonho, de fantasia, que prosseguiria quando regressassem a casa.
Relembro o espanto de me verem sentada na cama, mal entravam em casa. Mal cabia de expectativa pelas narrações da minha mãe - o meu pai servia de "ponto". Muitas vezes, já só pela madrugada dentro adormecíamos.
A minha mãe teve sempre um jeito muito seu de contar "estórias". As imagens que desnovelava, recriaram enredos bem mais perenes e vivos que os que vi, mais tarde, nos filmes que relatou. Suplantavam sempre, sobrepunham-se sempre às sequências projectadas nos "écrans" - assim foi com Cleópatra, Ben-Hur, A Ponte sobre o Rio Kwai, e tantos, tantos outros. Tenho-os, inclusive, gravados em vídeo - revê-los é, mais que o que a tela vai passando, o desfiar de imagens que ela coloriu quando mos contava.
Se eram longos, ficavam para depois da escola, no outro dia. Chegava a casa, fazia os deveres da escola, e plantava-me ao pé dela para a ouvir.
Momentos destes, inefáveis, doces, quem dera aos miúdos de hoje?!...
Quando comecei a frequentar as "matinées", aos Domingos, com eles e o meu irmão, era um delírio.
A minha mãe desistiu de ir connosco - ríamos tanto, as pessoas mandando-nos calar constantemente, que ela preferia ir com o meu pai à noite. E ele não se importava nada de ver de novo, em diferido, o mesmo filme.
As tardes de Sábado, ou de Domingo, começaram por ser com o meu pai - uma "casa cheia"!?... Não falhávamos Mário Moreno, ("Cantinflas"), ou Louis de Funés. Para além de rirmos com gosto, havia, a contra-gosto, o meu irmão, pequenito, a pedir sempre"Mana, lê alto. Também quero rir: não percebo. As letras fogem..." Era um desassossego completo, e uma alegria para o pai babado que tive.
Passámos a ir sozinhos os dois, mais tarde. Era uma festa - relembro Marisol, Joselito, também... Um lanche em família, depois. Um passeio pelo Jardim Vasco da Gama. Às vezes fotografias, e longos passeios a pé, para arejar e "ver as montras".
Um dos cinemas mais frequentados situava-se na Rua Araújo, a "Rua do Pecado", em Lourenço Marques.
De dia, era uma azáfama, de trabalhadores das alfândegas, dos escritórios, das embaixadas - onde solicitei e recolhi muita informação para as disciplinas de História e de Geografia; como eram em Inglês, ajudaram-me a desenvolver esta língua estrangeira, tornando-me numa das melhores alunas da disciplina. À noite, - (que também por lá passávamos de carro, a caminho do cais, por onde o meu pai adorava andar a pé, para ver o bulício dos trabalhos de carga e de descarga, os guindastres em manobras, um vai-vem de operadores de todo o género - sabia bem a fresquidão da brisa marinha, principalmente em noites quentes, de calor intenso), - era esquisito: pouca gente, muitas piscadelas de "néon", gente de côr envolta em roupagens estranhas, homens de comportamento duvidoso... Enfim: o "pecado" estava na rua e batia à porta dos bares, e das "strip-teasers"...
Nunca interroguei os meus pais sobre esta alteração, na mesma rua, entre o dia e a noite - há coisas que são óbvias, que, intrinsecamente, entendemos - aceitamos, ou rejeitamos: era o dia, dia; era a noite, noite.
05/05/2012, (03h:20')
Thursday, May 3, 2012
Arremedos para entreter o tempo
Percorri caminhos sem fim
Vi rostos que desconhecia
Senti fragrâncias de cetim
E quis sempre mais do que sabia
Corri atrás do Sol,
Que me incendiou de luz:
Fui tudo num arrebol
Acrisolando tudo de jus
Andei tonta com a lua
Vendei depois meus olhos:
Quis tingir a minha rua
De margaridas aos molhos
Onde sentisse ciciar
Murmúrios, melopeias
Nas ondas que o mar
Trazia com as areias
Que desmaiavam serenas
Brilhando no meu corpo,
Perfumando minhas melenas
De maresia, de iodo
Juntei o mar e a terra,
Pus o céu de cobertura
Depois... foi uma guerra
P'ra partir p'rà loucura
De querer despertar
- A vida é tão fria
Que não se deixa amar
Tanto quanto eu queria
03/05/2012, (22h:55')
Vi rostos que desconhecia
Senti fragrâncias de cetim
E quis sempre mais do que sabia
Corri atrás do Sol,
Que me incendiou de luz:
Fui tudo num arrebol
Acrisolando tudo de jus
Andei tonta com a lua
Vendei depois meus olhos:
Quis tingir a minha rua
De margaridas aos molhos
Onde sentisse ciciar
Murmúrios, melopeias
Nas ondas que o mar
Trazia com as areias
Que desmaiavam serenas
Brilhando no meu corpo,
Perfumando minhas melenas
De maresia, de iodo
Juntei o mar e a terra,
Pus o céu de cobertura
Depois... foi uma guerra
P'ra partir p'rà loucura
De querer despertar
- A vida é tão fria
Que não se deixa amar
Tanto quanto eu queria
03/05/2012, (22h:55')
Monday, April 23, 2012
Homenagear Zeca Afonso...
... Pois?!...
Dizem, que dizem, e fazem, que fazem...
"Tanta ignorância junta!", como ele diria...
Conhecê-lo, era amá-lo, pelo ser lindo que era, (por dentro); quiseram-no um mito: mataram-no!
Um ser humano, dos maiores que conheci! Convivi de perto, como amigo, como letrado, como colega de multipartidas: amou a vida, desafiou fronteiras, foi sempre um homem carente da incompreensão dos homens - morreu sem que soubessem que sofria de solidão enorme, desmesurada, por querer ser um mais entre os outros...
Benditos momentos que partilhei com ele, antes do 25 de Abril, (nos anfiteatros da Faculdades de Letras), durante, (as permanências frequentes na Universidade, como colega), depois, como parceiro de cafés amargos, (que adoçava esperando a morte em Santa Marta)!
Um homem de mão-cheia, olhar sereno, uma ternura escondida, e uma eterna dádiva à vida...
Admirei-o sempre, até quando, já cansada de ouvir "Os vampiros", (cantados vezes sem conta por aqueles anfiteatros...), abandonava a Faculdade e descia a Alameda da Cidade Universitária, enquanto a polícia, de mangueiras multicores em riste, fazia incursões, e rusgas...
Para mim , Abril está despido - morreram as flores que um dia amei, definharam as almas que quis como ninguém, emudeceu a música que toquei nas escadarias daquela Faculdade que amei, como se se idolatram sonhos por conquistar.
Se calhar, por isso mesmo é "Abril, águas mil!"
23/04/212, (16h:56')
Dizem, que dizem, e fazem, que fazem...
"Tanta ignorância junta!", como ele diria...
Conhecê-lo, era amá-lo, pelo ser lindo que era, (por dentro); quiseram-no um mito: mataram-no!
Um ser humano, dos maiores que conheci! Convivi de perto, como amigo, como letrado, como colega de multipartidas: amou a vida, desafiou fronteiras, foi sempre um homem carente da incompreensão dos homens - morreu sem que soubessem que sofria de solidão enorme, desmesurada, por querer ser um mais entre os outros...
Benditos momentos que partilhei com ele, antes do 25 de Abril, (nos anfiteatros da Faculdades de Letras), durante, (as permanências frequentes na Universidade, como colega), depois, como parceiro de cafés amargos, (que adoçava esperando a morte em Santa Marta)!
Um homem de mão-cheia, olhar sereno, uma ternura escondida, e uma eterna dádiva à vida...
Admirei-o sempre, até quando, já cansada de ouvir "Os vampiros", (cantados vezes sem conta por aqueles anfiteatros...), abandonava a Faculdade e descia a Alameda da Cidade Universitária, enquanto a polícia, de mangueiras multicores em riste, fazia incursões, e rusgas...
Para mim , Abril está despido - morreram as flores que um dia amei, definharam as almas que quis como ninguém, emudeceu a música que toquei nas escadarias daquela Faculdade que amei, como se se idolatram sonhos por conquistar.
Se calhar, por isso mesmo é "Abril, águas mil!"
23/04/212, (16h:56')
Saturday, April 7, 2012
Antítese existencial
Uma música que soa nos escaparates do "video-clip" e nos envolve de sonhos, de ilusórias fugas ao real, que nos focaliza nos espaços em que nos enquadramos.
Um nariz esborrachado na vitrine da vida; os olhos esbugalhados do espanto-certeza do encontro das minhas querenças.
Estou sempre no umbral de acesso ao meu envolvimento: sinto que nunca existe degrau, passagem, pa(ss)/(ç)o, ponte para transpôr o que está de "pose" perante os meus olhos; tão perto que não sei da minha mão para agarrar essa realidade, que é minha, que surge sempre como um aviso dos deuses.
O medo da assumpção?
É, sim, uma ignara sensação de estar sonhando de olhos abertos, como se o meu infra-ego ali estivesse gozando as minhas emoções póstumas ao confronto - e não sei de forças, de agressões à vida para agarrar todo esse mundo que é meu. Porquê, meu Deus? Que concussões terei de provocar? Ou será sofrer?
Deste-me a razão desmedida da análise. Deste-me a magia do raciocínio supra-emoções. Fizeste-me um ser humano, e esqueceste-te de me dar mais animalidade, de me ensinar a ter o que nunca tive - um irracional primitivismo!
Será, afinal, tudo isso que não sou, a verdade desta vida? A verdade de se ser um humano?
19/07/1986, (20h:15')
Um nariz esborrachado na vitrine da vida; os olhos esbugalhados do espanto-certeza do encontro das minhas querenças.
Estou sempre no umbral de acesso ao meu envolvimento: sinto que nunca existe degrau, passagem, pa(ss)/(ç)o, ponte para transpôr o que está de "pose" perante os meus olhos; tão perto que não sei da minha mão para agarrar essa realidade, que é minha, que surge sempre como um aviso dos deuses.
O medo da assumpção?
É, sim, uma ignara sensação de estar sonhando de olhos abertos, como se o meu infra-ego ali estivesse gozando as minhas emoções póstumas ao confronto - e não sei de forças, de agressões à vida para agarrar todo esse mundo que é meu. Porquê, meu Deus? Que concussões terei de provocar? Ou será sofrer?
Deste-me a razão desmedida da análise. Deste-me a magia do raciocínio supra-emoções. Fizeste-me um ser humano, e esqueceste-te de me dar mais animalidade, de me ensinar a ter o que nunca tive - um irracional primitivismo!
Será, afinal, tudo isso que não sou, a verdade desta vida? A verdade de se ser um humano?
19/07/1986, (20h:15')
Wednesday, April 4, 2012
(Sem Título)
Apetecia-me escrever para tentar sair desta modorra de querer, não querer sair, sentir outro ar, sair de mim... e é sempre assim: sem dinheiro não sou capaz de sentir força anímica, "minha", preciso de um "émulo" qualquer - uma chamada, um desafio... e penso que em todas as circunstâncias idênticas sou um ser sem alma, amorfo, sem vontade suficiente para esquecer que tenho os bolsos vazios. Como eu detesto esta dependência, este não-ser-nada, se estou na "bancarrota"?!
Não tenho saídas - sinto-me um ser desterrado, acéfalo, inconsistente...
Com dinheiro, tenho tudo, mesmo que nada faça.
Não seria capaz de imaginar-me alguma vez perdida no marasmo de canto qualquer, dependente de um qualquer ser, que me subsidiasse, me alimentasse, vestisse, calçasse, ou de quem dependesse a bica que tomo pela manhã - daria em louca!
Loucura é isto de ter as possibilidades todas, de ser perfeita e inteiramente capaz, de ter roupeiros cheios a precisarem de ser arejados e não ser capaz de fazer um simples gesto como pegar nas chaves do carro e ir por aí - notas são átomos de vida para mim; são a sensação plena de que posso, mesmo que não queira; que quero, mesmo que não deva; que devo, mesmo que a escolha seja outra - gastar, comprar e preencher vazios que se avolumam quando nada posso.
Devia, e tenho que ter dinheiro - não por amor e ganância, mas pelos prazeres e plenitude que me incute, pela grandeza, (e como é triste sabê-lo?!...), que ele me confere. Um "canudo" não é nada; dinheiro é tudo: beleza, bem-estar, leveza de espírito, segurança, certezas, transparência, fluidez, liberdade!
Que voltas mais dará a vida, que a tômbola da riqueza nunca aponta para mim?!...
Depender de alguém com "massa"? "Ná!"... Será sempre de alguém, não minha - não me serve a alternativa.
Que, ao menos, Deus me encaminhe à(s) porta(s) secreta(s), correcta(s) para ter a minha "árvore das patacas" - ainda tenho sonhos por realizar: preciso de "cheta"!!!
22/06/1999, (21h:20' - 21h:40')
- Folheando textos avulsos, encontrei um registo, que a meu ver, prenunciava todo o destempero que me assolou desde que vim para a Lourinhã;
- Hoje abri uma carta da AEDLV, em resposta a uma minha em que solicitava o pagamento de 4, (quatro), meses de 2011, que me foram surripiados - isso mesmo: surripiados! As alegações não têm qualquer razão de ser - estou de baixa por ruptura completa do meu sistema nervoso, estive a soro o ano passado por estar sub-alimentada, foi solicitado um período de carência - não posso recorrer mais - e estou em vias de perder a minha casa; a minha mãe não é, nem a AEDLV, nem a DREL, nem o MINISTÉRIO DA EDUCAÇÂO, para arcar com as responsabilidades que tenho que suportar; para além do mais, há mais vidas para viver que aturar mentecaptos e ignaros.
- Já tentei de tudo, com o currículo que tenho, e com o que sou capaz de fazer; não me mete medo fazer seja o que fôr, desde que honesto. Só me resta ir pastar vacas, pelo que vejo?!...
05/04/2012, (05h:20')
Não tenho saídas - sinto-me um ser desterrado, acéfalo, inconsistente...
Com dinheiro, tenho tudo, mesmo que nada faça.
Não seria capaz de imaginar-me alguma vez perdida no marasmo de canto qualquer, dependente de um qualquer ser, que me subsidiasse, me alimentasse, vestisse, calçasse, ou de quem dependesse a bica que tomo pela manhã - daria em louca!
Loucura é isto de ter as possibilidades todas, de ser perfeita e inteiramente capaz, de ter roupeiros cheios a precisarem de ser arejados e não ser capaz de fazer um simples gesto como pegar nas chaves do carro e ir por aí - notas são átomos de vida para mim; são a sensação plena de que posso, mesmo que não queira; que quero, mesmo que não deva; que devo, mesmo que a escolha seja outra - gastar, comprar e preencher vazios que se avolumam quando nada posso.
Devia, e tenho que ter dinheiro - não por amor e ganância, mas pelos prazeres e plenitude que me incute, pela grandeza, (e como é triste sabê-lo?!...), que ele me confere. Um "canudo" não é nada; dinheiro é tudo: beleza, bem-estar, leveza de espírito, segurança, certezas, transparência, fluidez, liberdade!
Que voltas mais dará a vida, que a tômbola da riqueza nunca aponta para mim?!...
Depender de alguém com "massa"? "Ná!"... Será sempre de alguém, não minha - não me serve a alternativa.
Que, ao menos, Deus me encaminhe à(s) porta(s) secreta(s), correcta(s) para ter a minha "árvore das patacas" - ainda tenho sonhos por realizar: preciso de "cheta"!!!
22/06/1999, (21h:20' - 21h:40')
- Folheando textos avulsos, encontrei um registo, que a meu ver, prenunciava todo o destempero que me assolou desde que vim para a Lourinhã;
- Hoje abri uma carta da AEDLV, em resposta a uma minha em que solicitava o pagamento de 4, (quatro), meses de 2011, que me foram surripiados - isso mesmo: surripiados! As alegações não têm qualquer razão de ser - estou de baixa por ruptura completa do meu sistema nervoso, estive a soro o ano passado por estar sub-alimentada, foi solicitado um período de carência - não posso recorrer mais - e estou em vias de perder a minha casa; a minha mãe não é, nem a AEDLV, nem a DREL, nem o MINISTÉRIO DA EDUCAÇÂO, para arcar com as responsabilidades que tenho que suportar; para além do mais, há mais vidas para viver que aturar mentecaptos e ignaros.
- Já tentei de tudo, com o currículo que tenho, e com o que sou capaz de fazer; não me mete medo fazer seja o que fôr, desde que honesto. Só me resta ir pastar vacas, pelo que vejo?!...
05/04/2012, (05h:20')
Monday, March 12, 2012
Razões de ser
À uma da manhã, (-5 minutos), saía do portão da E.S.P.A.M.O.L - acabei o P.F.A.P - é bem pior que fazer a atribulada viagem no "combóio de Chelas"!?... Nem rescaldo, nem inquietação: uma sóbria quietude apaziguadora, um diluir de tensões desenfreadas: as sombras mortas que se esvaiem já tão fora de sentido e razão de ser ou existir. Regressa a minha consciência tranquila, tão fora das ninharias que me rodearam, que me abalaram - a benção divina que desce sobre mim é o lenitivo dos meus dias normais, de novo: nem a fome, o sono e o desiquilíbrio da "desertificação" em que me encontrei durante duas semanas consegue já ser um pálido resquício: já tenho de novo música dentro de mim! Só a letra, (numa breve análise), permanece ainda insegura - vai voltar a paz, a distância do resto, e, sobretudo, a certeza de que há muitas mais razões a precisar da minha constante racionalização, imagística, dádiva: a minha razão de existir - os meus jovens!
19-20/11/1993, (sexta para Sábado)
- Quem andou envolvid(a)/(o) nestas andanças da profissionalização sabe do que estou a falar e da loucura (dos outros), que nos perturbam e desajustam, desnecessariamente. Restam muitas más recordações, noites perdidas com longos dias de trabalho, sem nunca descurar a devida atenção a tudo o que pudesse envolver aulas, clubes, sala de estudo, biblioteca, arquivo morto,(o Biotério), e tantas outras actividades em que estava envolvida - mas há sempre (a)/(o)s amig(a)/o)s da desgraça alheia - é dest(a)/(e)s que prescindimos "a todo o vapor"!
12/03/2012, (17h:58')
19-20/11/1993, (sexta para Sábado)
- Quem andou envolvid(a)/(o) nestas andanças da profissionalização sabe do que estou a falar e da loucura (dos outros), que nos perturbam e desajustam, desnecessariamente. Restam muitas más recordações, noites perdidas com longos dias de trabalho, sem nunca descurar a devida atenção a tudo o que pudesse envolver aulas, clubes, sala de estudo, biblioteca, arquivo morto,(o Biotério), e tantas outras actividades em que estava envolvida - mas há sempre (a)/(o)s amig(a)/o)s da desgraça alheia - é dest(a)/(e)s que prescindimos "a todo o vapor"!
12/03/2012, (17h:58')
Thursday, March 8, 2012
Dia da Mulher
Hoje, 08 de Março, consagrou-se como o Dia Internacional da Mulher - as razões que o levaram a tornar-se famoso não serão das mais abonatórias para quem decidiu sobre a vida, (neste caso, a morte), de mulheres que se determinaram a lutar pelos seus direitos. Só de tristes e vergonhosos factos se marcam datas para nos celebrarem, e só cabeças masculinas são chamadas a tomar decisões destas...
Mas, hoje, dedico o que se segue a todos os homens que não souberam amar-me, ou não quiseram deixar-se amar, o que, por vezes, é o mais difícil, de tão elementar e fácil que é.
Dizia um amigo meu, colega dos meus anos de estudo no liceu de Nampula, professor de Matemática, que "um bom professor não tem tempo para constituir família". Não serei tão radical; mas que é um facto a considerar, é-o, sem dúvida.
Ser mulher não é só ter um corpo, um sexo, um útero: é muito mais que isso.
Uma amiga de infância dizia-me há uns anos atrás, (avó assumida!): "Tu não tens filhos, nem netinhos!..." Só faltou acrescentar: "ué?!..." A minha resposta, de acordo com as minhas experiências, foi: "Sabes? Nos tempos que correm, não sei se isso me traria algum consolo"
Subtraindo estas duas questões, antagónicas, tenho que considerar que tive muitos filhos e filhas, que me deram prazeres imensos, alegrias incomensuráveis pelas sementes que neles depositei, e pelos frutos que colhi; outros, ter-me-ão dado mais destemperanças, mais cuidados, mas esses, para mim, são "filhos de ninguém" - quem não é capaz de reconhecer o bem que se lhes deseja, o denodo com que nos empenhamos por os tornar melhores e maiores, não merece menção.
Mas pretendia eu falar dos homens:
Ainda acredito que somos mais anjos, que demónios - serei romântica, talvez.
Mas acredito que nós, mulheres, temos a capacidade imensa de remediarmos, de curarmos, de alentarmos, de amenizarmos as agressividades que os homens, considerados os "batedores" da selva, que é a vida, os desbravadores das dificuldades, os conquistadores das oportunidades casuísticas, por vezes, ou descontam em nós as más visões que têm, por temerem seguir em frente lutando, ou nos desacreditam, porque nos crêem "seres menores".
Já não referirei as violências domésticas, que recaem sobre as mulheres e são justificadas pelos "maus agouros" que elas desejam aos homens - alegam eles?!... Como o adepto do Benfica que surrava a mulher sempre que o clube perdia: ela é que tinha culpa. Este é um caso verídico, embora incrível, de tão burlesco.
Ser mulher - e gostei sempre de o ser, pela consciência, que a família me transmitiu, pela "endurance" que a vida me obrigou a adquirir, pela frontalidade, que me ensinou meu pai, pela firmeza das minhas convicções, que aprendi a defender - é muito mais que tudo isto:
É ter alma, e ser gente!
É ter corpo, e continuar a sonhar!
É ter vísceras, para dizer a verdade!
É ter sexo, para saber usar saias!
É ter certezas, e lutar por elas!
É ter luz por dentro, e deixá-la fluir nas pontas dos dedos!
É ter ternuras, e expressá-las em actos!
É ter raivas, e saber deitá-las fora!
É ter fé, e acreditar que a vida ainda vale a pena!
É ter dores, e não esquecer que a vida não se compadece!
É ter lágrimas, para chorar em segredo!
É ter um coração, que um dia vai parar de bater!
Mas, sobretudo, é ser mulher inteira, nunca pela metade, seja do que fôr!
08/03/2012, (15h:28')
Mas, hoje, dedico o que se segue a todos os homens que não souberam amar-me, ou não quiseram deixar-se amar, o que, por vezes, é o mais difícil, de tão elementar e fácil que é.
Dizia um amigo meu, colega dos meus anos de estudo no liceu de Nampula, professor de Matemática, que "um bom professor não tem tempo para constituir família". Não serei tão radical; mas que é um facto a considerar, é-o, sem dúvida.
Ser mulher não é só ter um corpo, um sexo, um útero: é muito mais que isso.
Uma amiga de infância dizia-me há uns anos atrás, (avó assumida!): "Tu não tens filhos, nem netinhos!..." Só faltou acrescentar: "ué?!..." A minha resposta, de acordo com as minhas experiências, foi: "Sabes? Nos tempos que correm, não sei se isso me traria algum consolo"
Subtraindo estas duas questões, antagónicas, tenho que considerar que tive muitos filhos e filhas, que me deram prazeres imensos, alegrias incomensuráveis pelas sementes que neles depositei, e pelos frutos que colhi; outros, ter-me-ão dado mais destemperanças, mais cuidados, mas esses, para mim, são "filhos de ninguém" - quem não é capaz de reconhecer o bem que se lhes deseja, o denodo com que nos empenhamos por os tornar melhores e maiores, não merece menção.
Mas pretendia eu falar dos homens:
Ainda acredito que somos mais anjos, que demónios - serei romântica, talvez.
Mas acredito que nós, mulheres, temos a capacidade imensa de remediarmos, de curarmos, de alentarmos, de amenizarmos as agressividades que os homens, considerados os "batedores" da selva, que é a vida, os desbravadores das dificuldades, os conquistadores das oportunidades casuísticas, por vezes, ou descontam em nós as más visões que têm, por temerem seguir em frente lutando, ou nos desacreditam, porque nos crêem "seres menores".
Já não referirei as violências domésticas, que recaem sobre as mulheres e são justificadas pelos "maus agouros" que elas desejam aos homens - alegam eles?!... Como o adepto do Benfica que surrava a mulher sempre que o clube perdia: ela é que tinha culpa. Este é um caso verídico, embora incrível, de tão burlesco.
Ser mulher - e gostei sempre de o ser, pela consciência, que a família me transmitiu, pela "endurance" que a vida me obrigou a adquirir, pela frontalidade, que me ensinou meu pai, pela firmeza das minhas convicções, que aprendi a defender - é muito mais que tudo isto:
É ter alma, e ser gente!
É ter corpo, e continuar a sonhar!
É ter vísceras, para dizer a verdade!
É ter sexo, para saber usar saias!
É ter certezas, e lutar por elas!
É ter luz por dentro, e deixá-la fluir nas pontas dos dedos!
É ter ternuras, e expressá-las em actos!
É ter raivas, e saber deitá-las fora!
É ter fé, e acreditar que a vida ainda vale a pena!
É ter dores, e não esquecer que a vida não se compadece!
É ter lágrimas, para chorar em segredo!
É ter um coração, que um dia vai parar de bater!
Mas, sobretudo, é ser mulher inteira, nunca pela metade, seja do que fôr!
08/03/2012, (15h:28')
Saturday, March 3, 2012
Filtros e Imagens
Tenho tido, com muito mais frequência, actualmente, visualizações, que, há uns tempos, pela primeira vez há onze anos atrás, pouco mais ou menos, e mais recentemente, fará um mês, me surpreenderam com estranheza.
Quem percebe, minimamente, de fotografia, sabe que são utilizados filtros para compor, distorcer, melhorar, fazer sobressair, "construir" imagens, que a objectiva capta.
Não são a estas filtragens que me refiro.
Sem distorções, com uma nitidez impressionante, as sequências que tenho captado são rudes, feias, bisonhas - contrariamente às que guardei de Chipre, por aqui tem acontecido uma panóplia de rostos emporcalhados, de gente com corpo tresandando a sarro, transportando lixo por dentro...
Não consigo exprimir, claramente, esta clara, abjecta transmutação orgânica.
Uma aura de promiscuidade agravada, uma forte e impressiva rejeição, atingindo as raias do nojo, da repelência, envolvem-me. Nem se tratará de "uma câmara de horrores" - isso implicaria difusões e distorções. São imagens vivas, "en passant", abjectas.
Gente feia, por dentro e por fora. Pensar que poderei ser tocada, mesmo de raspão, faz-me desejar que todas as fímbrias do meu corpo se encolham, se retraiam e me furtem ao toque, seja de que modo fôr - não posso evitar esta sensação.
Pensar em tocar-lhes, é como se me transfigurasse, tentando penetrar, por momentos, nesse mundo. Lembro-me sempre dos leprosos, em Moçambique, (em Nampula, para ser mais clara), em quem tocava, para desespero da minha mãe - mas esses tinham o cuidado, (por imposição do governo, ou por seguimento das ideias emanadas da Bíblia, ou porque assim era determinado pelas missões), de se fazerem acompanhar de sinetas, ou campainhas para salvaguardarem os que não padeciam da doença.
Por aqui, impoem-se, infiltram-se, emporcalham-nos, sem respeito nenhum pelo próximo. E é esta atitude, esta postura que denigre, mais ainda, o seu "modus vivendi" e adensa a rejeição que me tolda os sentidos, me provoca náusea, angústia, sofrimento e dor. De outro modo não se explicariam os sucessivos males-estar, doenças, que me têm prostrado desde que por aqui vou vegetando.
Não existem refúgios onde possa estar em paz, longe de tudo isto: perseguem-me, antecipam-se às minhas pressupostas intenções de buscar lugares de reflexão, de meditação, de encontro com a harmonia. Um assédio, a todos os títulos, irreverente, sórdido, primário e de impulsos animalescos. Aliás, nem mesmo os animais, sentindo-se sujos, se aproximam dos donos, e/ou evitam o contacto com as pessoas.
Com esta gente dá-se o contrário. Quando se apercebem, gastam água, (calhando das fontes e nascentes), e, julgando-se "lavados", vestem-se de novas roupagens, tentam a aproximação - o mal está lá, persiste, apesar de tudo - mas eles não têm consciência disso. São acríticos, (ou criticam o que não devem, sem se aperceberem que padecem dos mesmos males), irresponsáveis, incivilizados: uma geral inconsciencialização cresce, avoluma-se numa massificação tenebrosa, numa mole imensa de esterco humano.
Lamento, às vezes, a minha incapacidade de lidar com estas miudezas. Não sei ser de outro modo.
04/03/2012, (07h:08')
Quem percebe, minimamente, de fotografia, sabe que são utilizados filtros para compor, distorcer, melhorar, fazer sobressair, "construir" imagens, que a objectiva capta.
Não são a estas filtragens que me refiro.
Sem distorções, com uma nitidez impressionante, as sequências que tenho captado são rudes, feias, bisonhas - contrariamente às que guardei de Chipre, por aqui tem acontecido uma panóplia de rostos emporcalhados, de gente com corpo tresandando a sarro, transportando lixo por dentro...
Não consigo exprimir, claramente, esta clara, abjecta transmutação orgânica.
Uma aura de promiscuidade agravada, uma forte e impressiva rejeição, atingindo as raias do nojo, da repelência, envolvem-me. Nem se tratará de "uma câmara de horrores" - isso implicaria difusões e distorções. São imagens vivas, "en passant", abjectas.
Gente feia, por dentro e por fora. Pensar que poderei ser tocada, mesmo de raspão, faz-me desejar que todas as fímbrias do meu corpo se encolham, se retraiam e me furtem ao toque, seja de que modo fôr - não posso evitar esta sensação.
Pensar em tocar-lhes, é como se me transfigurasse, tentando penetrar, por momentos, nesse mundo. Lembro-me sempre dos leprosos, em Moçambique, (em Nampula, para ser mais clara), em quem tocava, para desespero da minha mãe - mas esses tinham o cuidado, (por imposição do governo, ou por seguimento das ideias emanadas da Bíblia, ou porque assim era determinado pelas missões), de se fazerem acompanhar de sinetas, ou campainhas para salvaguardarem os que não padeciam da doença.
Por aqui, impoem-se, infiltram-se, emporcalham-nos, sem respeito nenhum pelo próximo. E é esta atitude, esta postura que denigre, mais ainda, o seu "modus vivendi" e adensa a rejeição que me tolda os sentidos, me provoca náusea, angústia, sofrimento e dor. De outro modo não se explicariam os sucessivos males-estar, doenças, que me têm prostrado desde que por aqui vou vegetando.
Não existem refúgios onde possa estar em paz, longe de tudo isto: perseguem-me, antecipam-se às minhas pressupostas intenções de buscar lugares de reflexão, de meditação, de encontro com a harmonia. Um assédio, a todos os títulos, irreverente, sórdido, primário e de impulsos animalescos. Aliás, nem mesmo os animais, sentindo-se sujos, se aproximam dos donos, e/ou evitam o contacto com as pessoas.
Com esta gente dá-se o contrário. Quando se apercebem, gastam água, (calhando das fontes e nascentes), e, julgando-se "lavados", vestem-se de novas roupagens, tentam a aproximação - o mal está lá, persiste, apesar de tudo - mas eles não têm consciência disso. São acríticos, (ou criticam o que não devem, sem se aperceberem que padecem dos mesmos males), irresponsáveis, incivilizados: uma geral inconsciencialização cresce, avoluma-se numa massificação tenebrosa, numa mole imensa de esterco humano.
Lamento, às vezes, a minha incapacidade de lidar com estas miudezas. Não sei ser de outro modo.
04/03/2012, (07h:08')
Thursday, February 23, 2012
Sons na noite
A brisa suave da noite traz-me o repicar dos sinos das cercanias.
Fazem eco no meu corpo, fundem-se em mim - semicerro os olhos, e conto as badaladas...
Sempre esta imensíssima sensação de estaticidade, de plasmagonia, de ressonância sacrossanta. Como uma sonata só minha - esta magia acompanha-me desde sempre.
Não batem todos a compasso: cada um - e, se bem recordo, serão dezanove as oradas, igrejas e capelas da zona, - têm horas diferentes, repiques similares, mas distintos uns dos outros.
Uma toada que me enche de paz, como se anjos tocassem harpa, ou címbalo...
"Terna é a noite"...
Tudo se conjuga com a plenitude de paz, que me apazigua sobressaltos, inquietações, e esta ausência de mim.
De noite, tudo parece mais intenso.
A verdade é que, qualquer que seja a hora do dia em que me seja possível ouvi-los, páro, inadvertidamente, sem mesmo me dar conta, esteja eu a fazer seja o que fôr - como uma oração, reflectem-se no meu âmago as cadências, os timbres, e sinto uma incontida vontade de cantar(olar).
O medievismo das esferas concêntricas.
A harmonia perfeita entre o universo e eu.
Sinto-me envolvida numa redoma, como se a protecção divina me impedisse de ser ferida.
Volto a acreditar que tudo vale a pena.
Uma vontade impulsiva, imprime vida à minha vida.
Gott sei Dank!
24/02/2012, (04h:55')
Fazem eco no meu corpo, fundem-se em mim - semicerro os olhos, e conto as badaladas...
Sempre esta imensíssima sensação de estaticidade, de plasmagonia, de ressonância sacrossanta. Como uma sonata só minha - esta magia acompanha-me desde sempre.
Não batem todos a compasso: cada um - e, se bem recordo, serão dezanove as oradas, igrejas e capelas da zona, - têm horas diferentes, repiques similares, mas distintos uns dos outros.
Uma toada que me enche de paz, como se anjos tocassem harpa, ou címbalo...
"Terna é a noite"...
Tudo se conjuga com a plenitude de paz, que me apazigua sobressaltos, inquietações, e esta ausência de mim.
De noite, tudo parece mais intenso.
A verdade é que, qualquer que seja a hora do dia em que me seja possível ouvi-los, páro, inadvertidamente, sem mesmo me dar conta, esteja eu a fazer seja o que fôr - como uma oração, reflectem-se no meu âmago as cadências, os timbres, e sinto uma incontida vontade de cantar(olar).
O medievismo das esferas concêntricas.
A harmonia perfeita entre o universo e eu.
Sinto-me envolvida numa redoma, como se a protecção divina me impedisse de ser ferida.
Volto a acreditar que tudo vale a pena.
Uma vontade impulsiva, imprime vida à minha vida.
Gott sei Dank!
24/02/2012, (04h:55')
Friday, February 17, 2012
Um Conto por mês (excertos)
Bacalhau à Zé do Pipo
Acontecem os triângulos, amorosos, ou nem por isso.
Quis o destino que almas gêmeas no desregramento, na desmesura e insensatez se cruzassem, escada abaixo, escada acima.
Uma fêmea despudorada intromete-se na relação de um casal de gasta vivência, embora com poucos anos de matrimónio. A vida opaca, sem palavras por reinventar, leva o macho a pressupor, (assediado por outros rabos-de-saia), de que é um "gatão" de alto coturno; quase analfabeto, ...
... // ... ... // ... ... // ... ... // ...
... - hoje vinga(-se) o sexo, justifi(c)/(x)a-se tudo pelo sexo, seja lá como, onde e quando fôr ...
... // ... ... // ... ... // ... ... // ...
Mas por amor, (dizem...), aguenta-se tudo - já alguém disse que "amar é permitir que nos magoem"; não vou por aí, mas, neste caso, decalca-se o chavão: a mulher - Fúria Delirante - no princípio, dá-lhe rédea solta ...; depois, muda de táctica, e tenta uma aproximação com a adversária, de modo subtil, umas vezes, outras, em que se nota algum desagrado, e por fim, uma amizade partilhada de cafés e festins e passeatas.
... // ... ... // ... ... // ... ... // ...
...; há uma (quase) inquestionável normalidade que decorre com o passar dos dias, até que novos abalos e cansaços surtam efeitos contrários.
(O Zé do Pipo é mesmo assim: desbocado, presumido e um imbecil chapado).
... // ... ... // ... ... // ... ... // ...
... estas bacalhoadas sempre permitem mãos e colheres alheias no tacho; o que é preciso é levar o bote a bom porto, mesmo que já nada volte a ser como dantes.
07/11/2011 (15h:30')
Acontecem os triângulos, amorosos, ou nem por isso.
Quis o destino que almas gêmeas no desregramento, na desmesura e insensatez se cruzassem, escada abaixo, escada acima.
Uma fêmea despudorada intromete-se na relação de um casal de gasta vivência, embora com poucos anos de matrimónio. A vida opaca, sem palavras por reinventar, leva o macho a pressupor, (assediado por outros rabos-de-saia), de que é um "gatão" de alto coturno; quase analfabeto, ...
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... - hoje vinga(-se) o sexo, justifi(c)/(x)a-se tudo pelo sexo, seja lá como, onde e quando fôr ...
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Mas por amor, (dizem...), aguenta-se tudo - já alguém disse que "amar é permitir que nos magoem"; não vou por aí, mas, neste caso, decalca-se o chavão: a mulher - Fúria Delirante - no princípio, dá-lhe rédea solta ...; depois, muda de táctica, e tenta uma aproximação com a adversária, de modo subtil, umas vezes, outras, em que se nota algum desagrado, e por fim, uma amizade partilhada de cafés e festins e passeatas.
... // ... ... // ... ... // ... ... // ...
...; há uma (quase) inquestionável normalidade que decorre com o passar dos dias, até que novos abalos e cansaços surtam efeitos contrários.
(O Zé do Pipo é mesmo assim: desbocado, presumido e um imbecil chapado).
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... estas bacalhoadas sempre permitem mãos e colheres alheias no tacho; o que é preciso é levar o bote a bom porto, mesmo que já nada volte a ser como dantes.
07/11/2011 (15h:30')
Thursday, February 9, 2012
Lagoa de Braças
Paraíso aberto ao sol,
Onde tu e eu nos abraçámos
Em busca da quimera:
Tudo resultou poesia
- Tu, eu, o mar e o sol...
O coaxar das rãs
Foi música de fundo,
O pipilar dos pássaros,
O marulhar das folhas,
Concerto inacabado
E eu senti-me longe, longe...
Talvez vagando no infinito
E tu correndo nos meus braços
E eu esfarelando areias,
Riscando letras desconexas,
Desenhando o rosto do amor,
Impreciso, turbulento e belo...
Quedámo-nos no silêncio
E fizémo-lo ária do sonho,
E tivémos esse sonho,
E fomos, enfim, humanos
Tão puros, tão nus: eu, Eva - tu, Adão
- Pecámos na maçã de fogo
Que nos abrasou ao entardecer.
25.08.1972, (23h:10')
Onde tu e eu nos abraçámos
Em busca da quimera:
Tudo resultou poesia
- Tu, eu, o mar e o sol...
O coaxar das rãs
Foi música de fundo,
O pipilar dos pássaros,
O marulhar das folhas,
Concerto inacabado
E eu senti-me longe, longe...
Talvez vagando no infinito
E tu correndo nos meus braços
E eu esfarelando areias,
Riscando letras desconexas,
Desenhando o rosto do amor,
Impreciso, turbulento e belo...
Quedámo-nos no silêncio
E fizémo-lo ária do sonho,
E tivémos esse sonho,
E fomos, enfim, humanos
Tão puros, tão nus: eu, Eva - tu, Adão
- Pecámos na maçã de fogo
Que nos abrasou ao entardecer.
25.08.1972, (23h:10')
Quando eu morrer...
Quando eu morrer
Quero que me vistam de estrelas,
Que me fechem nas mãos
As mais belas conchas do mar,
E me ponham nos cabelos uma dália vermelha
Para levar comigo
Um pouco de céu,
Um cheiro de mar,
E o eterno perfume da vida!
23/07/1982, (20h:40')
Quero que me vistam de estrelas,
Que me fechem nas mãos
As mais belas conchas do mar,
E me ponham nos cabelos uma dália vermelha
Para levar comigo
Um pouco de céu,
Um cheiro de mar,
E o eterno perfume da vida!
23/07/1982, (20h:40')
Wednesday, February 8, 2012
(Sem Título)
Anos que fiz
Anos que vivi
Anos que não quis
Mas em que fui feliz
E hoje, fazendo anos, esqueço, às vezes, que também tenho um Sol à minha espera, que a lua ainda chama por mim, que a música ainda ecoa em mim, que ainda há risos que não ri e sonhos que não sonhei.
Só dor, lágrimas e uma angústia feita medo, desencanto, denúncia, descrença... Sim: sobretudo isso - uma sólida, solitária e crua descrença, numa desconfiança de pesos que me arrastam, de gestos mal-entendidos, de palavras por decifrar, de olhares por rimar, de certezas por receber.
"E eu tão só..."
De mim já nada mais sei que isto: inconformismo de sonhos consecutivamente desfeitos, de dádivas murchas e sem resposta, de códigos por desvendar, e anos... tantos anos, de e por esperar.
06/02/1989, (23h:18')
- nascer em África, e mais propriamente em Moçambique, ter a família que tive, (hoje truncada), é um estigma sem
possibilidade de "apagão" - é-se assim, porque sim... o resto são puras demagogias, sem enquadramento, nem razão de
ser neste mar de desilusões que é o "continente"
Anos que vivi
Anos que não quis
Mas em que fui feliz
E hoje, fazendo anos, esqueço, às vezes, que também tenho um Sol à minha espera, que a lua ainda chama por mim, que a música ainda ecoa em mim, que ainda há risos que não ri e sonhos que não sonhei.
Só dor, lágrimas e uma angústia feita medo, desencanto, denúncia, descrença... Sim: sobretudo isso - uma sólida, solitária e crua descrença, numa desconfiança de pesos que me arrastam, de gestos mal-entendidos, de palavras por decifrar, de olhares por rimar, de certezas por receber.
"E eu tão só..."
De mim já nada mais sei que isto: inconformismo de sonhos consecutivamente desfeitos, de dádivas murchas e sem resposta, de códigos por desvendar, e anos... tantos anos, de e por esperar.
06/02/1989, (23h:18')
- nascer em África, e mais propriamente em Moçambique, ter a família que tive, (hoje truncada), é um estigma sem
possibilidade de "apagão" - é-se assim, porque sim... o resto são puras demagogias, sem enquadramento, nem razão de
ser neste mar de desilusões que é o "continente"
Thursday, February 2, 2012
Hoje...
O dia prenuncia boas perspectivas - vamos nessa!
Muito trabalho programado, como sempre, aliás, mas há apelos a que não poderei deixar de responder: a satisfação das minhas realizações passa por aí - um mundo, o meu eterno, sempre imperecível mundo, prontinho e feito para me seduzir até ao êxtase!
Há orgasmos sem falos, nem corpos debatendo-se. Há paixões eternas que aspergem os aromas, as cores, as volutas de mil fruições - sempre vieram até mim, com luminosidades, que aos outros passam despercebidas.
A minha hipersensibilidade tem destas coisas - uma mediunidade genética, como sinestesias intrínsecas, inebriante, doce, como o são todas as sensações de felicidade.
É uma aura de luz irradiante - os outros sentem de mim, mas não vêem, não sentem, e muito menos são capazes de interiorizar este quê, que é só meu.
Debati-me, em tempos, com um receio desconhecido da consciência que tinha desta força avassaladora - há muito que me deixei inundar por esta onda mágica; hoje quero-a em cada dia de todos da minha vida.
Vai ser assim, hoje e daqui em diante.
A isto chamo eu
AMOR.
Sem projecção, sem objecto, sem corporização, sem substância.
É essência pura!
03/02/2012, (07h:42')
Muito trabalho programado, como sempre, aliás, mas há apelos a que não poderei deixar de responder: a satisfação das minhas realizações passa por aí - um mundo, o meu eterno, sempre imperecível mundo, prontinho e feito para me seduzir até ao êxtase!
Há orgasmos sem falos, nem corpos debatendo-se. Há paixões eternas que aspergem os aromas, as cores, as volutas de mil fruições - sempre vieram até mim, com luminosidades, que aos outros passam despercebidas.
A minha hipersensibilidade tem destas coisas - uma mediunidade genética, como sinestesias intrínsecas, inebriante, doce, como o são todas as sensações de felicidade.
É uma aura de luz irradiante - os outros sentem de mim, mas não vêem, não sentem, e muito menos são capazes de interiorizar este quê, que é só meu.
Debati-me, em tempos, com um receio desconhecido da consciência que tinha desta força avassaladora - há muito que me deixei inundar por esta onda mágica; hoje quero-a em cada dia de todos da minha vida.
Vai ser assim, hoje e daqui em diante.
A isto chamo eu
AMOR.
Sem projecção, sem objecto, sem corporização, sem substância.
É essência pura!
03/02/2012, (07h:42')
A minha produção (amadora) - 3
FLORES:
Flores, sempre flores!
Uma magnólia, a Sprengeri "Diva", de cultura e origem norte-americana.
Quando é Primavera, na pressa de florirem, não esperam pelas folhas?!....
Esta foi de encomenda.
Flores, sempre flores!
Uma magnólia, a Sprengeri "Diva", de cultura e origem norte-americana.
Quando é Primavera, na pressa de florirem, não esperam pelas folhas?!....
Esta foi de encomenda.
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