Saturday, July 28, 2012

A minha produção (amadora) - 5

Estes dois, embora recentes, já têm uns mesitos.
As minhas actividades têm andado dispersas por várias áreas, abrangendo o restauro, a remodelação, a assistência à família, a resolução de problemas de "lana caprina", (que roubam tempo, desgastam a paciência, e consomem a disposição para outros "vôos").

Flores
O meu friso de Magnólias

A Soulangiana Athène, a Yellow Glendoik e a Star.
Embora seja um exagero, sou perdida por flores - quer queira, quer não, volta e meia debruço-me sobre a tela, ou outra matéria-prima para as desenhar e pintar...






Cavalos
Uma paixão - a soberbia, a força, a frontalidade, a fleuma e a extrema sensibilidade destes bichos, cativam-me sobremaneira.

Os meus cavalos selvagens...
Tão difíceis de lhes captar os movimentos, quanto mais fácil é amá-los?!...

(Ficou mal tirada esta foto - as cores estão esbatidas.)

Friday, July 27, 2012

A minha produção (amadora) - 4

Dos primeiros quadros realizados, em acrílico, para experimentação.
Jarros

Uma Natureza Morta

E algumas Colagens e Acrílico, em Telha Mini,  (de barro)

Estes últimos produtos foram realizados para venda. Há-as de outros tipos, já terminadas, bem como algumas iniciadas para exposição e venda.

Há que entreter o tempo, quando o tempo nos tenta desintegrar com as suas vicissitudes... Melhor, ou pior, dizia Jeanette Winterson, "There are two kinds of people: those who do, and those who won't do". Acrescento: dá o mesmo trabalho fazer mal, ou fazer bem, raiando a perfeição - é mais saudável empenharmo-nos um "cóchinho" mais, não?

Tuesday, June 26, 2012

Banalizações, Ivaginações, Tesões e outras Aberrações...

De, haverá doze, quinze anos a esta parte, deixei de me debruçar sobre a Poesia:
Para mim, férias sem livros, não eram férias - mais que sacos ou malas de roupas ou adereços, a minha bagagem compunha-se essencialmente de livros, na sua grande maioria de/sobre poesia. O meu lenitivo, a minha panaceia, a minha doce terapia!
Hoje... cansei! Mas não, ainda, dos Clássicos, ou dos Medievos - estes últimos a minha eterna paixão poética! Desde sempre!
Banalizou-se tudo de tal forma que a diarreia mental que atacou os cérebros - ( se é que os há?!...) - me entedia, enerva, gera, bem dentro de mim, náusea, inquietação, negação absoluta.

Se não é do bidé,
É do cafoné, ou do besiché...
Tudo se copia, ou plagia,
Acabou-se a poesia...

Que falta de imaginação
Servir o corpo p'r'á ivaginação
Desbocada, decadente
Presa em tesão permanente

Depois... escrevem aleivosias,
Gritam, sarrentas, as cotovias
Em plasmas sem plenitude
Ah! E erros, erros de torpitude!

26/06/2012, (14h:50')

Tão corriqueiros, repetitivos são os temas, que me remetem, inevitavelmente, incontornavelmente, para os bardos, os trovadores sem eira nem beira, quando se iniciaram as feiras francas - mas ficavam sempre fora das muralhas, (coitados?!...). Hoje a situação é, em tudo, semelhante - escabujam por pertencer a este ou a aquele núcleo, inventam sem consistência, imitam, (julgando que recriam...), plagiam, segmentam palavras atiradas que utilizam com sentidos degenerativos, aplicam verdadeiras corruptelas da nossa bendita Língua - são doutos?!... Com sabedoria de sobra?!...

E correm tertúlias, cansam-nos o ouvido com toadas dissonantes, sempre a mesma insossa lenga-lenga - mas utilizam como isco nomes irrepreensíveis, marcantes da nossa Literatura - uma capa para fazer desperdiçar o tempo aos incautos, já que do que se trata é impor, ler, dizer quadras, versejos da "nova vaga", arrogante, presumida, que enxurdou cafés, salas de chá, (anfi)teatros, restaurantes e outros "antros" 

Aberrações!?...

Morreu a poesia, e eu cansei com ela!

26/06/2012, (15h:04')




Saturday, May 26, 2012

Brincando aos Santos Populares - (vêm aí os festejos?!..)

Quem quiser casar comigo
Tem que ter boa aparência
Ser garboso e bom amigo
Nunca primar pel' ausência

Sorrir sempre para mim
Com (os) olhos postos nos céus
Porque, por certo, assim
Estamos nas mãos de Deus

10/03/2012

Sunday, May 13, 2012

Recordações de uma outra Lisboa (excerto)

......
Há recordações que guardo com carinho pelas pessoas que a elas estão ligadas.
Contudo, há mágoa pelo desrespeito, a insensatez e a injustiça que a pseudo-liberdade, cega, sórdida, execrável, me fez sentir.

Vivi, dos meus dezoito aos vinte e dois anos, em dois lares, situados sensivelmente na mesma zona, embora com características completamente diferentes. Creio que já nenhum deles hoje funciona.
O primeiro, o Lar Joana d'Arc, na Avenida da República; o segundo, na Praça José Fontana.

Há personagens que jamais se apagam das nossas memórias. Como há factos que nos fazem, por um lado, acreditar que ainda há gente com maiúscula, e, por outro, lamentavelmente, que pululam por aí demasiados mentecaptos, que, à revelia, sabe-se lá do quê, se outorgam o direito de destruir o que de bom a vida nos proporciona.

Havia, e desapareceu, infelizmente, uma figura característica de Lisboa - o guarda-nocturno.

Quando vivi no Lar Joana d'Arc, quantas vezes o guarda-nocturno, abrindo-me a porta de entrada do prédio, me perguntava, sempre: "Quer que a acompanhe até à porta, menina?" O edifício era velho, o elevador avariava-se com frequência, e ele sabia-o. Quantas vezes fui cantarolando, escadas acima, para afastar o medo?! Situações houve em que ele teve que correr com mendigos, que se acolhiam nos patamares, ou nas escadas. Mas sabia que, embora não indo comigo, ... ficava à espera, lá em baixo, de porta aberta, até me ouvir entrar no lar.
O Lar da Praça José Fontana ficava no primeiro andar de um prédio mais recente, mas o procedimento do guarda-nocturno da zona era o mesmo. Esperava que entrasse, e só depois prosseguia o giro.

É com este último que, após o 25 de Abril, tenho das mais angustiantes e revoltantes experiências, provocadas por procedimentos de um pseudo-defensor da liberdade.
Uma noite, uma das laristas, que ía sair com o namorado, convidou-me e a mais duas outras raparigas, para irmos com eles.
O guarda-nocturno ía na sua plácida e rotineira volta.
Já íamos de largada, quando o Víctor, de repente, pára o carro a meio da estrada, sai, de rompante, dirige-se ao homem e diz-lhe: "Agora com o 25 de Abril, finalmente posso dizer-lhe o que há muito lhe queria dizer! Seu grandecíssimo filho da puta!"
Não me contive: saí do carro.

O Víctor perguntou-me: "Onde vais?"
- "Desculpa, mas acho que foste, para além de muito mal-educado, extremamente estúpido. Vou voltar para casa".
Espanto dos espantos, fui apodada, pela primeira vez na minha vida, de - "És uma fascista!"

.....

A minha homenagem é para estes seres, que, para além da provecta idade, [(quase) todos já eram de idade avançada - pelo menos para mim, que era nova...], que me merecia o maior respeito, tinham sempre para mim, (e creio que para toda a gente)... uma palavra amiga, um "boa noite", que nos guiava até dentro de casa.

Desapareceram, infelizmente.

Transportavam consigo uma argola enorme, com chaves, muitas, e nunca se enganavam na fechadura certa. Parecia que levavam consigo as chaves do(s) céu(s) e do(s) inferno(s) - e eles sabiam onde estava(m) u(m)/(uns) e outro(s)...

......

...eram uma nota de vida na "côr-local" de Lisboa nocturna.

07/03/2012

______________________________
- texto elaborado, por repto lançado no início do mês de Março, para recordar marcas que "os filhos da madrugada" deixaram para nos entretermos: elas são os deboches, as incúrias, as mal-querenças, as más-educações, as vilanias, o desrespeito pelo próximo, com que temos que lidar todos os dias
- nenhum dos Lares em questão existe hoje; o edifício, onde se situava o da Avenida da República, embora mantendo a fachada, foi reconstruído em traça moderna; o da Praça José Fontana passou a residência particular haverá mais de vinte anos, mas o edifício está intacto.
13/05/2012, (10h:15')
 

Friday, May 4, 2012

Inquietações e Desassossegos

Há já uns dias que memórias da minha infância me deixam prostrada, sonhando acordada.
Não aguentei a "marinada" e tive que vir descarregar, no meu "diário electrónico" toda esta disforia.


Relembrar o cinema, os filmes, as imagens, que encheram os meus olhos de sonhos, o meu cérebro de utopias, e o meu coração de recordações coloridas, que jamais se repetiram, ou virão a repetir-se, deixa-me inquieta, vibrante, lamentando nunca me ter sido possível fazer o mesmo percurso que os meus pais me possibilitaram guardar com ternura, fascínio, e um imenso amor à vida e à família. 


De cada vez que decidiam sair, quer para o cinema, quer para o teatro... Que lindo era tudo?!... Deverão ter começado aí as noites curtas, as minhas madrugadas prematuras...
Recordo-me deitada na cama deles, de perna cruzada sobre um dos joelhos, vendo-os prepararem-se - a minha mãe, que, voltando-se de costas para o meu pai, lhe pedia que puxasse o "zipper" do vestido, (longo, sempre até aos pés), ou que lhe colocasse o colar; o meu pai, no outro espelho, ou por detrás dela, dando o nó na gravata, mas pretendendo que ela lhe desse o jeitinho particular, e muito pessoal, quer à gravata, ou ao laço, quer ao lenço de bolso do casaco. Depois... um cheirinho de perfume, um brinco apertado, um "bâton", um sinal, um caracol... Uma estola, um casaco...e a "pochette", pequenina...
Um prelúdio de sonho, de fantasia, que prosseguiria quando regressassem a casa.
Relembro o espanto de me verem sentada na cama, mal entravam em casa. Mal cabia de expectativa pelas narrações da minha mãe - o meu pai servia de "ponto". Muitas vezes, já só pela madrugada dentro adormecíamos.
A minha mãe teve sempre um jeito muito seu de contar "estórias". As imagens que desnovelava, recriaram enredos bem mais perenes e vivos que os que vi, mais tarde, nos filmes que relatou. Suplantavam sempre, sobrepunham-se sempre às sequências projectadas nos "écrans" - assim foi com Cleópatra, Ben-Hur, A Ponte sobre o Rio Kwai, e tantos, tantos outros. Tenho-os, inclusive, gravados em vídeo - revê-los é, mais que o que a tela vai passando, o desfiar de imagens que ela coloriu quando mos contava.
Se eram longos, ficavam para depois da escola, no outro dia. Chegava a casa, fazia os deveres da escola, e plantava-me ao pé dela para a ouvir. 
Momentos destes, inefáveis, doces, quem dera aos miúdos de hoje?!...


Quando comecei a frequentar as "matinées", aos Domingos, com eles e o meu irmão, era um delírio.
A minha mãe desistiu de ir connosco - ríamos tanto, as pessoas mandando-nos calar constantemente, que ela preferia ir com o meu pai à noite. E ele não se importava nada de ver de novo, em diferido, o mesmo filme.
As tardes de Sábado, ou de Domingo, começaram por ser com o meu pai - uma "casa cheia"!?... Não falhávamos Mário Moreno, ("Cantinflas"), ou Louis de Funés. Para além de rirmos com gosto, havia, a contra-gosto, o meu irmão, pequenito, a pedir sempre"Mana, lê alto. Também quero rir: não percebo. As letras fogem..." Era um desassossego completo, e uma alegria para o pai babado que tive.
Passámos a ir sozinhos os dois, mais tarde. Era uma festa - relembro Marisol, Joselito, também... Um lanche em família, depois. Um passeio pelo Jardim Vasco da Gama. Às vezes fotografias, e longos passeios a pé, para arejar e "ver as montras".


Um dos cinemas mais frequentados situava-se na Rua Araújo, a "Rua do Pecado", em Lourenço Marques.
De dia, era uma azáfama, de trabalhadores das alfândegas, dos escritórios, das embaixadas - onde solicitei e recolhi muita informação para as disciplinas de História e de Geografia; como eram em Inglês, ajudaram-me a desenvolver esta língua estrangeira, tornando-me numa das melhores alunas da disciplina. À noite, - (que também por lá passávamos de carro, a caminho do cais, por onde o meu pai adorava andar a pé, para ver o bulício dos trabalhos de carga e de descarga, os guindastres em manobras, um vai-vem de operadores de todo o género - sabia bem a fresquidão da brisa marinha, principalmente em noites quentes, de calor intenso), - era esquisito: pouca gente, muitas piscadelas de "néon", gente de côr envolta em roupagens estranhas, homens de comportamento duvidoso... Enfim: o "pecado" estava na rua e batia à porta dos bares, e das "strip-teasers"...


Nunca interroguei os meus pais sobre esta alteração, na mesma rua, entre o dia e a noite - há coisas que são óbvias, que, intrinsecamente, entendemos - aceitamos, ou rejeitamos: era o dia, dia; era a noite, noite.


05/05/2012, (03h:20') 


  

Thursday, May 3, 2012

Arremedos para entreter o tempo

Percorri caminhos sem fim
Vi rostos que desconhecia
Senti fragrâncias de cetim
E quis sempre mais do que sabia

Corri atrás do Sol,
Que me incendiou de luz:
Fui tudo num arrebol
Acrisolando tudo de jus

Andei tonta com a lua
Vendei depois meus olhos:
Quis tingir a minha rua
De margaridas aos molhos

Onde sentisse ciciar
Murmúrios, melopeias
Nas ondas que o mar
Trazia com as areias

Que desmaiavam serenas
Brilhando no meu corpo,
Perfumando minhas melenas
De maresia, de iodo

Juntei o mar e a terra,
Pus o céu de cobertura
Depois... foi uma guerra
P'ra partir p'rà loucura

De querer despertar
- A vida é tão fria
Que não se deixa amar
Tanto quanto eu queria

03/05/2012, (22h:55')



Monday, April 23, 2012

Homenagear Zeca Afonso...

... Pois?!...
Dizem, que dizem, e fazem, que fazem...
"Tanta ignorância junta!", como ele diria...
Conhecê-lo, era amá-lo, pelo ser lindo que era, (por dentro); quiseram-no um mito: mataram-no!

Um ser humano, dos maiores que conheci! Convivi de perto, como amigo, como  letrado, como colega de  multipartidas: amou a vida, desafiou fronteiras, foi sempre um  homem carente da incompreensão dos  homens -  morreu sem que soubessem que sofria de solidão enorme, desmesurada, por querer ser um mais entre os outros...
Benditos momentos que partilhei com ele, antes do 25 de Abril, (nos anfiteatros da Faculdades de Letras), durante, (as permanências frequentes na Universidade, como colega), depois, como parceiro de cafés amargos, (que adoçava esperando a morte em Santa Marta)!
Um homem de mão-cheia, olhar sereno, uma ternura escondida, e uma eterna dádiva à vida...
Admirei-o sempre, até quando, já cansada de ouvir "Os vampiros", (cantados vezes sem conta por aqueles anfiteatros...), abandonava a Faculdade e descia a Alameda da Cidade Universitária, enquanto a polícia, de mangueiras multicores em riste, fazia incursões, e rusgas...
Para mim , Abril está despido - morreram as flores que um dia amei, definharam as almas que quis como ninguém, emudeceu a música que toquei nas escadarias daquela Faculdade que amei, como se se idolatram sonhos por conquistar.
Se calhar, por isso mesmo é "Abril, águas mil!"

23/04/212, (16h:56')

Saturday, April 7, 2012

Antítese existencial

Uma música que soa nos escaparates do "video-clip" e nos envolve de sonhos, de ilusórias fugas ao real, que nos focaliza nos espaços em que nos enquadramos.
Um nariz esborrachado na vitrine da vida; os olhos esbugalhados do espanto-certeza do encontro das minhas querenças.
Estou sempre no umbral de acesso ao meu envolvimento: sinto que nunca existe degrau, passagem, pa(ss)/(ç)o, ponte para transpôr o que está de "pose" perante os meus olhos; tão perto que não sei da minha mão para agarrar essa realidade, que é minha, que surge sempre como um aviso dos deuses.
O medo da assumpção?
É, sim, uma ignara sensação de estar sonhando de olhos abertos, como se o meu infra-ego ali estivesse gozando as minhas emoções póstumas ao confronto - e não sei de forças, de agressões à vida para agarrar todo esse mundo que é meu. Porquê, meu Deus? Que concussões terei de provocar? Ou será sofrer?
Deste-me a razão desmedida da análise. Deste-me a magia do raciocínio supra-emoções. Fizeste-me um ser humano, e esqueceste-te de me dar mais animalidade, de me ensinar a ter o que nunca tive - um irracional primitivismo!
Será, afinal, tudo isso que não sou, a verdade desta vida? A verdade de se ser um humano?

19/07/1986, (20h:15')

Wednesday, April 4, 2012

(Sem Título)

Apetecia-me escrever para tentar sair desta modorra de querer, não querer sair, sentir outro ar, sair de mim... e é sempre assim: sem dinheiro não sou capaz de sentir força anímica, "minha", preciso de um "émulo" qualquer - uma chamada, um desafio... e penso que em todas as circunstâncias idênticas sou um ser sem alma, amorfo, sem vontade suficiente para esquecer que tenho os bolsos vazios. Como eu detesto esta dependência, este não-ser-nada, se estou na "bancarrota"?! 
Não tenho saídas - sinto-me um ser desterrado, acéfalo, inconsistente...
Com dinheiro, tenho tudo, mesmo que nada faça.
Não seria capaz de imaginar-me alguma vez perdida no marasmo de canto qualquer, dependente de um qualquer ser, que me subsidiasse, me alimentasse, vestisse, calçasse, ou de quem dependesse a bica que tomo pela manhã - daria em louca!
Loucura é isto de ter as possibilidades todas, de ser perfeita e inteiramente capaz, de ter roupeiros cheios a precisarem de ser arejados e não ser capaz de fazer um simples gesto como pegar nas chaves do carro e ir por aí - notas são átomos de vida para mim; são a sensação plena de que posso, mesmo que não queira; que quero, mesmo que não deva; que devo, mesmo que a escolha seja outra - gastar, comprar e preencher vazios que se avolumam quando nada posso.
Devia, e tenho que ter dinheiro - não por amor e ganância, mas pelos prazeres e plenitude que me incute, pela grandeza, (e como é triste sabê-lo?!...), que ele me confere. Um "canudo" não é nada; dinheiro é tudo: beleza, bem-estar, leveza de espírito, segurança, certezas, transparência, fluidez, liberdade!
Que voltas mais dará a vida, que a tômbola da riqueza nunca aponta para mim?!...
Depender de alguém com "massa"? "Ná!"... Será sempre de alguém, não minha - não me serve a alternativa.
Que, ao menos, Deus me encaminhe à(s) porta(s) secreta(s), correcta(s) para ter a minha "árvore das patacas" - ainda tenho sonhos por realizar: preciso de "cheta"!!!


22/06/1999, (21h:20' - 21h:40')


- Folheando textos avulsos, encontrei um registo, que a meu ver, prenunciava todo o destempero que me assolou desde que vim para a Lourinhã;
- Hoje abri uma carta da AEDLV, em resposta a uma minha em que solicitava o pagamento de 4, (quatro), meses de 2011, que me foram surripiados - isso mesmo: surripiados! As alegações não têm qualquer razão de ser - estou de baixa por ruptura completa do meu sistema nervoso, estive a soro o ano passado por estar sub-alimentada, foi solicitado um período de carência - não posso recorrer mais - e estou em vias de perder a minha casa; a minha mãe não é, nem a AEDLV, nem a DREL, nem o MINISTÉRIO DA EDUCAÇÂO, para arcar com as responsabilidades que tenho que suportar; para além do mais, há mais vidas para viver que aturar mentecaptos e ignaros.
- Já tentei de tudo, com o currículo que tenho, e com o que sou capaz de fazer; não me mete medo fazer seja o que fôr, desde que honesto. Só me resta ir pastar vacas, pelo que vejo?!...
                                                                                                             05/04/2012, (05h:20')  

Monday, March 12, 2012

Razões de ser

À uma da manhã, (-5 minutos), saía do portão da E.S.P.A.M.O.L - acabei o P.F.A.P - é bem pior que fazer a atribulada viagem no "combóio de Chelas"!?... Nem rescaldo, nem inquietação: uma sóbria quietude apaziguadora, um diluir de tensões desenfreadas: as sombras mortas que se esvaiem já tão fora de sentido e razão de ser ou existir. Regressa a minha consciência tranquila, tão fora das ninharias que me rodearam, que me abalaram - a benção divina que desce sobre mim é o lenitivo dos meus dias normais, de novo: nem a fome, o sono e o desiquilíbrio da "desertificação" em que me encontrei durante duas semanas consegue já ser um pálido resquício: já tenho de novo música dentro de mim! Só a letra, (numa breve análise), permanece ainda insegura - vai voltar a paz, a distância do resto, e, sobretudo, a certeza de que há muitas mais razões a precisar da minha constante racionalização, imagística, dádiva: a minha razão de existir - os meus jovens!

19-20/11/1993, (sexta para Sábado)

- Quem andou envolvid(a)/(o) nestas andanças da profissionalização sabe do que estou a falar e da loucura (dos outros), que nos perturbam e desajustam, desnecessariamente. Restam muitas más recordações, noites perdidas com longos dias de trabalho, sem nunca descurar a devida atenção a tudo o que pudesse envolver aulas, clubes, sala de estudo, biblioteca, arquivo morto,(o Biotério), e tantas outras actividades em que estava envolvida - mas há sempre (a)/(o)s amig(a)/o)s da desgraça alheia - é dest(a)/(e)s que prescindimos "a todo o vapor"!
12/03/2012, (17h:58')

Thursday, March 8, 2012

Dia da Mulher

Hoje, 08 de Março, consagrou-se como o Dia Internacional da Mulher - as razões que o levaram a tornar-se famoso não serão das mais abonatórias para quem decidiu sobre a vida, (neste caso, a morte), de mulheres que se determinaram a lutar pelos seus direitos. Só de tristes e vergonhosos factos se marcam datas para nos celebrarem, e só cabeças masculinas são chamadas a tomar decisões destas...

Mas, hoje, dedico o que se segue a todos os homens que não souberam amar-me, ou não quiseram deixar-se amar, o que, por vezes, é o mais difícil, de tão elementar e fácil que é.

Dizia um amigo meu, colega dos meus anos de estudo no liceu de Nampula, professor de Matemática, que "um bom professor não tem tempo para constituir família". Não serei tão radical; mas que é um facto a considerar, é-o, sem dúvida.
Ser mulher não é só ter um corpo, um sexo, um útero: é muito mais que isso.
Uma amiga de infância dizia-me há uns anos atrás, (avó assumida!): "Tu não tens filhos, nem netinhos!..." Só faltou acrescentar: "ué?!..." A minha resposta, de acordo com as minhas experiências, foi: "Sabes? Nos tempos que correm, não sei se isso me traria algum consolo"

Subtraindo estas duas questões, antagónicas, tenho que considerar que tive muitos filhos e filhas, que me deram prazeres imensos, alegrias incomensuráveis pelas sementes que neles depositei, e pelos frutos que colhi; outros, ter-me-ão dado mais destemperanças, mais cuidados, mas esses, para mim, são "filhos de ninguém" - quem não é capaz de reconhecer o bem que se lhes deseja, o denodo com que nos empenhamos por os tornar melhores e maiores, não merece menção.

Mas pretendia eu falar dos homens:
Ainda acredito que somos mais anjos, que demónios - serei romântica, talvez.
Mas acredito que nós, mulheres, temos a capacidade imensa de remediarmos, de curarmos, de alentarmos, de amenizarmos as agressividades que os homens, considerados os "batedores" da selva, que é a vida, os desbravadores das dificuldades, os conquistadores das oportunidades casuísticas, por vezes, ou descontam em nós as más visões que têm, por temerem seguir em frente lutando, ou nos desacreditam, porque nos crêem "seres menores".
Já não referirei as violências domésticas, que recaem sobre as mulheres e são justificadas pelos "maus agouros" que elas desejam aos homens - alegam eles?!... Como o adepto do Benfica que surrava a mulher sempre que o clube perdia: ela é que tinha culpa. Este é um caso verídico, embora incrível, de tão burlesco.

Ser mulher - e gostei sempre de o ser, pela consciência, que a família me transmitiu, pela "endurance" que a vida me obrigou a adquirir, pela frontalidade, que me ensinou meu pai, pela firmeza das minhas convicções, que aprendi a defender - é muito mais que tudo isto:
É ter alma, e ser gente!
É ter corpo, e continuar a sonhar!
É ter vísceras, para dizer a verdade!
É ter sexo, para saber usar saias!
É ter certezas, e lutar por elas!
É ter luz por dentro, e deixá-la fluir nas pontas dos dedos!
É ter ternuras, e expressá-las em actos!
É ter raivas, e saber deitá-las fora!
É ter fé, e acreditar que a vida ainda vale a pena!
É ter dores, e não esquecer que a vida não se compadece!
É ter lágrimas, para chorar em segredo!
É ter um coração, que um dia vai parar de bater!
Mas, sobretudo, é ser mulher inteira, nunca pela metade, seja do que fôr!

08/03/2012, (15h:28')


  
  

Saturday, March 3, 2012

Filtros e Imagens

Tenho tido, com muito mais frequência, actualmente, visualizações, que, há uns tempos, pela primeira vez há onze anos atrás, pouco mais ou menos, e mais recentemente, fará um mês, me surpreenderam com estranheza.
Quem percebe, minimamente, de fotografia, sabe que são utilizados filtros para compor, distorcer, melhorar, fazer sobressair, "construir" imagens, que a objectiva capta. 
Não são a estas filtragens que me refiro.
Sem distorções, com uma nitidez impressionante, as sequências que tenho captado são rudes, feias, bisonhas - contrariamente às que guardei de Chipre, por aqui tem acontecido uma panóplia de rostos emporcalhados, de gente com corpo tresandando a sarro, transportando lixo por dentro...
Não consigo exprimir, claramente, esta clara, abjecta transmutação orgânica.
Uma aura de promiscuidade agravada, uma forte e impressiva rejeição, atingindo as raias do nojo, da repelência, envolvem-me. Nem se tratará de "uma câmara de horrores" - isso implicaria difusões e distorções. São imagens vivas, "en passant", abjectas.
Gente feia, por dentro e por fora. Pensar que poderei ser tocada, mesmo de raspão, faz-me desejar que todas as fímbrias do meu corpo se encolham, se retraiam e me furtem ao toque, seja de que modo fôr - não posso evitar esta sensação.
Pensar em tocar-lhes, é como se me transfigurasse, tentando penetrar, por momentos, nesse mundo. Lembro-me sempre dos leprosos, em Moçambique, (em Nampula, para ser mais clara), em quem tocava, para desespero da minha mãe - mas esses tinham o cuidado, (por imposição do governo, ou por seguimento das ideias emanadas da Bíblia, ou porque assim era determinado pelas missões), de se fazerem acompanhar de sinetas, ou campainhas para salvaguardarem os que não padeciam da doença.
Por aqui, impoem-se, infiltram-se, emporcalham-nos, sem respeito nenhum pelo próximo. E é esta atitude, esta postura que denigre, mais ainda, o seu "modus vivendi" e adensa a rejeição que me tolda os sentidos, me provoca náusea, angústia, sofrimento e dor. De outro modo não se explicariam os sucessivos males-estar, doenças, que me têm prostrado desde que por aqui vou vegetando.
Não existem refúgios onde possa estar em paz, longe de tudo isto: perseguem-me, antecipam-se às minhas pressupostas intenções de buscar lugares de reflexão, de meditação, de encontro com a harmonia. Um assédio, a todos os títulos, irreverente, sórdido, primário e de impulsos animalescos. Aliás, nem mesmo os animais, sentindo-se sujos, se aproximam dos donos, e/ou evitam o contacto com as pessoas.
Com esta gente dá-se o contrário. Quando se apercebem, gastam água, (calhando das fontes e nascentes), e, julgando-se "lavados", vestem-se de novas roupagens, tentam a aproximação - o mal está lá, persiste, apesar de tudo - mas eles não têm consciência disso. São acríticos, (ou criticam o que não devem, sem se aperceberem que padecem dos mesmos males), irresponsáveis, incivilizados: uma geral inconsciencialização cresce, avoluma-se numa massificação tenebrosa, numa mole imensa de esterco humano.
Lamento, às vezes, a minha incapacidade de lidar com estas miudezas. Não sei ser de outro modo.

04/03/2012, (07h:08')          

Thursday, February 23, 2012

Sons na noite

A brisa suave da noite traz-me o repicar dos sinos das cercanias.
Fazem eco no meu corpo, fundem-se em mim - semicerro os olhos, e conto as badaladas...
Sempre esta imensíssima sensação de estaticidade, de plasmagonia, de ressonância sacrossanta. Como uma sonata só minha - esta magia acompanha-me desde sempre.
Não batem todos a compasso: cada um - e, se bem recordo, serão dezanove as oradas, igrejas e capelas da zona, - têm horas diferentes, repiques similares, mas distintos uns dos outros.
Uma toada que me enche de paz, como se anjos tocassem harpa, ou címbalo... 
"Terna é a noite"...
Tudo se conjuga com a plenitude de paz, que me apazigua sobressaltos, inquietações, e esta ausência de mim.
De noite, tudo parece mais intenso. 
A verdade é que, qualquer que seja a hora do dia em que me seja possível ouvi-los, páro, inadvertidamente, sem mesmo me dar conta, esteja eu a fazer seja o que fôr - como uma oração, reflectem-se no meu âmago as cadências, os timbres, e sinto uma incontida vontade de cantar(olar).
O medievismo das esferas concêntricas.
A harmonia perfeita entre o universo e eu.
Sinto-me envolvida numa redoma, como se a protecção divina me impedisse de ser ferida.
Volto a acreditar que tudo vale a pena.
Uma vontade impulsiva, imprime vida à minha vida.
Gott sei Dank!

24/02/2012, (04h:55')

Friday, February 17, 2012

Um Conto por mês (excertos)

Bacalhau à Zé do Pipo

Acontecem os triângulos, amorosos, ou nem por isso.
Quis o destino que almas gêmeas no desregramento, na desmesura e insensatez se cruzassem, escada abaixo, escada acima.
Uma fêmea despudorada intromete-se na relação de um casal de gasta vivência, embora com poucos anos de matrimónio. A vida opaca, sem palavras por reinventar, leva o macho a pressupor, (assediado por outros rabos-de-saia), de que é um "gatão" de alto coturno; quase analfabeto, ...

                                                ... // ...      ... // ...      ... // ...      ... // ...

... - hoje vinga(-se) o sexo, justifi(c)/(x)a-se tudo pelo sexo, seja lá como, onde e quando fôr ...

                                                ... // ...     ... // ...      ... // ...      ... // ...

Mas por amor, (dizem...), aguenta-se tudo - já alguém disse que "amar é permitir que nos magoem"; não vou por aí, mas, neste caso, decalca-se o chavão: a mulher - Fúria Delirante - no princípio, dá-lhe rédea solta ...; depois, muda de táctica, e tenta uma aproximação com a adversária, de modo subtil, umas vezes, outras, em que se nota algum desagrado, e por fim, uma amizade partilhada de cafés e festins e passeatas.

                                               ... // ...      ... // ...     ... // ...      ... // ...

...; há uma (quase) inquestionável normalidade que decorre com o passar dos dias, até que novos abalos e cansaços surtam efeitos contrários.
(O  Zé do Pipo é mesmo assim: desbocado, presumido e um imbecil chapado).

                                              ... // ...      ... // ...      ... // ...      ... // ...

... estas bacalhoadas sempre permitem mãos e colheres alheias no tacho; o que é preciso é levar o bote a bom porto, mesmo que já nada volte a ser como dantes.

07/11/2011 (15h:30')   

Thursday, February 9, 2012

Lagoa de Braças

Paraíso aberto ao sol,
Onde tu e eu nos abraçámos
Em busca da quimera:
Tudo resultou poesia
- Tu, eu, o mar e o sol...
O coaxar das rãs
Foi música de fundo,
O pipilar dos pássaros,
O marulhar das folhas,
Concerto inacabado
E eu senti-me longe, longe...
Talvez vagando no infinito
E tu correndo nos meus braços
E eu esfarelando areias,
Riscando letras desconexas,
Desenhando o rosto do amor,
Impreciso, turbulento e belo...
Quedámo-nos no silêncio
E fizémo-lo ária do sonho,
E tivémos esse sonho,
E fomos, enfim, humanos
Tão puros, tão nus: eu, Eva - tu, Adão
- Pecámos na maçã de fogo
Que nos abrasou ao entardecer.

25.08.1972, (23h:10')

Quando eu morrer...

Quando eu morrer
Quero que me vistam de estrelas,
Que me fechem nas mãos
As mais belas conchas do mar,
E me ponham nos cabelos uma dália vermelha
Para levar comigo
Um pouco de céu,
Um cheiro de mar,
E o eterno perfume da vida!

23/07/1982, (20h:40')

Wednesday, February 8, 2012

(Sem Título)

Anos que fiz
Anos que vivi
Anos que não quis
Mas em que fui feliz

E hoje, fazendo anos, esqueço, às vezes, que também tenho um Sol à minha espera, que a lua ainda chama por mim, que a música ainda ecoa em mim, que ainda há risos que não ri e sonhos que não sonhei.
Só dor, lágrimas e uma angústia feita medo, desencanto, denúncia, descrença... Sim: sobretudo isso - uma sólida, solitária e crua descrença, numa desconfiança de pesos que me arrastam, de gestos mal-entendidos, de palavras por decifrar, de olhares por rimar, de certezas por receber.
"E eu tão só..."
De mim já nada mais sei que isto: inconformismo de sonhos consecutivamente desfeitos, de dádivas murchas e sem resposta, de códigos por desvendar, e anos... tantos anos, de e por esperar.

06/02/1989, (23h:18')
- nascer em África, e mais propriamente em Moçambique, ter a família que tive, (hoje truncada), é um estigma sem
  possibilidade de "apagão" - é-se assim, porque sim... o resto são puras demagogias, sem enquadramento, nem razão de
  ser  neste mar de desilusões que é o "continente"

Thursday, February 2, 2012

Hoje...

O dia prenuncia boas perspectivas - vamos nessa!
Muito trabalho programado, como sempre, aliás, mas há apelos a que não poderei deixar de responder: a satisfação das minhas realizações passa por aí - um mundo, o meu eterno, sempre imperecível mundo, prontinho e feito para me seduzir até ao êxtase!
Há orgasmos sem falos, nem corpos debatendo-se. Há paixões eternas que aspergem os aromas, as cores, as volutas de mil fruições - sempre vieram até mim, com luminosidades, que aos outros passam despercebidas.
A minha hipersensibilidade tem destas coisas - uma mediunidade genética, como sinestesias intrínsecas, inebriante, doce, como o são todas as sensações de felicidade.
É uma aura de luz irradiante - os outros sentem de mim, mas não vêem, não sentem, e muito menos são capazes de interiorizar este quê, que é só meu.
Debati-me, em tempos, com um receio desconhecido da consciência que tinha desta força avassaladora - há muito que me deixei inundar por esta onda mágica; hoje quero-a em cada dia de todos da minha vida.
Vai ser assim, hoje e daqui em diante.
A isto chamo eu
                                                             AMOR.
Sem projecção, sem objecto, sem corporização, sem substância.
É essência pura!

03/02/2012, (07h:42')

A minha produção (amadora) - 3

FLORES:


Flores, sempre flores!
Uma magnólia, a Sprengeri "Diva", de cultura e origem norte-americana.
Quando é Primavera, na pressa de florirem, não esperam pelas folhas?!....
Esta foi de encomenda.

Tuesday, January 31, 2012

História Trágica de Uma Princesa

Num conto de fadas
Um belo conto, doce e mavioso...
Uma linda princesa,
Boa, jovem e com muita nobreza,
Andava encoberta na sua pobreza
De guardadora de patos
Com as suas roupas em farrapos
E quis um dia Deus premiá-la
Pois também mostrá-la quis
A um garboso sapateiro-aprendiz.
Cansada, preparava-se para se deitar
E eis que, ao pentear-se,
Sua maravilhosa voz se quis soltar
E assim encher o ar
Com um meigo e cristalino canto.
Nesse intérim, o arrogante aprendiz,
Passando, ouviu-a e quis
Saber a quem pertencia tão linda voz:
E, pé ante pé, da porta se aproximou
E maravilhado ficou,
Pois não esperava ver o que viu.
E lançando um assobio,
Foi assustar a pobre pequena,
Que, sem o saber, o deixou preso de encantos
Na grácil e real figura.
Medrosa e inquieta, a porta abriu.
E o que se viu
Foi algo de espantar!
O impudente sapateiro
De joelhos se postrou
E ainda mais assustou
A pobre donzela
Que, sem saber que era bela,
Longe dos homens vivia
E assim desconhecia
Esse "bicho malvado e maldizente".
Criava os seus patitos
E todos os bocaditos
Para eles e ela chegavam
E longe do mundo estavam
Pois só conheciam,
(E isso os satisfazia),
Toda a sua diáfana felicidade.
Passaram-se os dias;
A princesa ansiosa vivia
Pois também presa de encantos ficara
Desse procaz e insolente,
Que tão singelamente arrebatara
Dela toda a sua alegria.
E, no seu exíguo quarto,
Vivia em sonhos e utopias,
Anelos transcendentes e arcanos -
- Pois, sem querer, queria
Ver esse importuno senhor
Que, açambarcador,
Lhe tirava toda a euforia.
E a princesa assim morreu
De tristeza e torturada
Por esse amor que nasceu
Numa noite inesperada.

27/06/1968, (no meu 5º ano do Liceu Almirante Gago Coutinho, Nampula)
-nas transcrições dos meus poem(as)/(etos) de outrora, não efectuei correcções; estão quase tão virgens como
 o estão nos manuscritos, por aqui amontoados; poderiam ter sido efectuadas alterações, de molde a fabricar
 a rima entre alguns versos; contudo, está lá a possibilidade de o fazer - porque deixei assim, já não recordo...  

Sunday, January 29, 2012

A minha produção (amadora) - 2

ESPAÇOS, (cont.)
Estas produções já têm algum tempo - esquecia-me delas...
São liminares, como é fácil de ver.
Levam muito tempo a estar convenientemente preparadas para serem expostas; tenho uma inata falta de paciência para esperar pelo que quer que seja.
 Nas minhas deambulações, vou "onde me leva o coração", (parafraseando Susanna Tamaro) - gosto de me perder, achando, pelos campos desta Zona Oeste - uma iniciação à aguarela: Casal Teodora, Vimeiro


Um dos meus locais preferidos, repleto de paz, verde, água de nascente e paisagens magníficas; a Monchique da Zona Oeste e em miniatura - Fonte Lima, Vimeiro. Um recanto, em aguarela.
(Ainda ando a ensaiar... Tenho muito a aprender!)

FLORES, (cont.)
Uma perdição para os meus sentidos.
Em miúda, adorava comer as pétalas de algumas flores - sabor bom, agradável, fresco, e perfumado. Deveria ter uma costela de cabra montesa?!...
Zora adora cheirá-las, e zanga-se com os funcionários da Junta de Freguesia, quando os vê levarem-nas secas. Um doce a minha "chiquita maravilhas"?!...
Algumas das muitas flores de Fonte Lima: pequeninas, em "gouache".

Friday, January 27, 2012

Ontem choveu

Ontem choveu, tanto, tanto,
Que se encheram de mágoa
Meus olhos com o pranto
Que a vida lavou com água

Memórias de um tempo
De dor sentida por dentro
Cresparam-se os meus dedos
De tanto desvendar meus medos

Como toda a água de ontem
Corria assim o pensamento
Com tudo de mau que contém
Ficou só o sentimento

De já não querer desejar
Mais nada qu'aquilo que vem
De manso fazer vibrar
Tudo de bom qu'a vida tem

Assim como a chuva d'ontem
Muitas chuvas mais virão
P'ra me deixar só com o bem
Que fará ao meu coração

Podem bater nas vidraças
As gotas que o vento traz
Já não me importam desgraças
Já estou de novo em paz

27/01/2012, (22h:02')

Short Story - A Tale About the Mistery of Blood Ties

Long time ago an old man, coming into an ancient tavern, in the outskirts of London, noticed, completely amazed, that the taverner was staring to a window.
It was very dark, and the depth of the night fell heavily upon mother nature. Something strange filled the air with a vague quietness; no moving noise, no people walking or chattering around...
But the man was still as a statue, deaf and dumb, like a crazy image of discontent and pain.
The old man took a sit, waiting.
Slowly, the taverner turned round, walking to the balcony. He opened a drawer, took a knife and a plate, where he put some smoked salmons and some loaves.
He sat down, picked up a glass from the shelf behind him, and a bottle of wine.
- Don´t forget I'm waiting, mister?!...
The taverner gave no answer.
The old man waited, looking at him, and, after a while, he got up and walking to the man, he said:
- Hey, mister, will you give me one second of your time?
The taverner, stirring as if he was awaking  from a deep sleep, answered:
- Sorry, sir, I couldn´t hear you. It is a bad night for all of us, here in the village. Many years ago our sons had started an expedition into the sea. It was a calm evening. However all the conditions, the weather changed and all of them were shipwrecked - no one returned, and we all mourned our beloved children. In every house, this night, we can feel a deep discouragement, and an outstanding grief from our deads. Nothing gave us any answer, no one appeared to tell us what, how or where the events took place. All we know it's that in this very night, some years ago, something unknown broke our lifetime, as if earth had stopped its turning.

23/05/1988, (durante uma aula de teste de um nono ano, ESRamada)

Thursday, January 26, 2012

Poema a duas "manas"

A labrega sonha e ri
Na sua ignorante imaginação
Que é dádiva do céu
A insígnia de podridão
E a vida que o chulo lhe deu

A famigerada promíscua
Arroga-se de doutas letras
A geba histérica amua
E dá tudo às pedras
Se lhe dizem: "não vou por ti!"

26/01/2012, (23h:53')

....

Quem foi que disse que o amor é sofrimento?
Estava de pernas para o ar, decerto! Ou o filme estava ao contrário?!...

Quem foi que disse que o amor é azul?
Não sabia, por certo, que a luz reflecte "nuances" diversas, todas elas tão cheias de música...

Quem foi que disse que o amor é sonho?
Será que é sonho a flor que adeja ao ar dos campos?

Quem foi que disse que o amor é intriga?
Não será ele feito de espaços abertos, de danças de roda, de mãos que se dão?

Quem foi que disse que o amor é posse?
Se todo ele é dádiva, se todo ele é dado aos outros?

Quem foi que disse que o amor é egoísmo?
Um desencantado ciumento que se fez passar por um náufrago, ou por um Cupido sem aljava?!...

Quem foi que disse que o amor é amargo?
E então a ternura, a doçura de um olhar?

Quem foi que disse que é melhor estar só?
Algum antipático sovina que não aprendeu a aceitar um tímido sol de Inverno!

Quem foi que disse que tudo isto é poesia?
Que será, afinal, Deus?!...

Quem foi que disse que o amor é imoral?
Para que criou Deus o homem e a mulher?

Quem foi que disse que amar assim é pecado?
Algum sacrílego que teima em adormecer nas asas do vento que passa.

Quem foi que disse que o amor é relação antitética?
Alguém que anda perdido nas sendas de algum Cupido manhoso?!...

Quem foi que disse que há quem não saiba amar?
Já lhe bateram à porta de mansinho?


29/04/1990
(Brincadeira a propósito da moda "O Amor é...", "A amizade é...", etc)

Wednesday, January 25, 2012

O TURISMO MATA O TURISMO

....................
Hoje em dia qualquer país  é incomensuralmente um explorador, se atentarmos à procura desenfreada de maquias fabulosas descurando factos primordiais à atracção turística, onde se deveria apoiar o encanto beatificamente natural de certas regiões relegadas hoje a uma beleza pré-fabricada simulada nas super-estruturas que o progresso e a técnica incrementaram.
Baseando-nos em evidências, apontaremos o caso de Tróia, maravilha agreste, selvaticamente desarmante, que foi transmutada em beleza comodamente arquitectónica onde pretendem impôr o mundo cosmopolita, a beleza apagada das luzes do desenvolvimento.
Outro caso idêntico será o das nossas praias do sul, onde toda a sua aridez rochosa primitiva, (nalgumas...), foi substituída por imóveis impantes de poluição, desafiando a pureza gritante, o ar reconfortante de uma vida sã, aberta e livre a toda a alma humana - o progresso, em busca de campos mais amplos, descura e vota à estreiteza toda a Natureza que nos faz sentir mais homens.
Para algumas regiões, atracção turística é o símbolo de simulação; isto é: falsifica-se o artesanato que é exposto e vendido ao público como autenticidade histórica.
Triste é reconhecer-se que o turismo, muito embora devesse incentivar o fomento, o zelo da manutenção de toda uma epopeia, das características que vinculam um povo, provoca, pelo contrário, tendências acentuadamente propínquas à imitação, à assimilação estrangeira, facultando um contra-turismo.

!972, Lar da Praça José Fontana, ( a pedido de uma residente para concurso e progressão na carreira numa empresa seguradora - considerado o melhor trabalho apresentado)
- o título, em epígrafe, era comum para todos os concorrentes
- havia condicionamento de nº de palavras e/ou linhas a utilizar

Monday, January 23, 2012

Manifesto-Resposta a Fernando Gil # AEMO, de 22de Junho de 2004

Boa noite.
De facto, é com imensa pena que ainda vejo a ignorância a imperar - se partirmos do princípio que todos os emigrados têm direito aos seus haveres, porque não quem viveu, labutou e sofreu pelos países onde se integrou até que Deus o permitiu, ou as condições adversas, (em que a própria vida se via ameaçada, quer pelas guerrilhas, quer pelas perseguições absolutamente inacreditáveis), obrigaram a grande maioria dos portugueses a sair com a roupa do corpo? Salvaram-se os que, fazendo jus à imensa capacidade de trabalho e dedicação, foram convidados a ficar a contratos a prazo, com a intenção de poderem trazer mais alguns haveres, (porque assim estava consignado nos contratos...) Não obstante, é sabido que se pode dar à "justiça" e/ou "justeza", as voltas que o poder quiser - sabem-no alguns, (muito poucos), que se viram em palpos de aranha para verem satisfeitas as cláusulas dos contratos...
Depois, e por incrível que pareça, (e, quem não sabe, poderá ficar ciente, que) a própria embaixada de Portugal, durante o período de transição, nada fez de concreto em prol dos portugueses que lá se encontravam; muito antes pelo contrário: nem apoio, nem colaboração, nem quaisquer atitudes ou actos que valorizassem o trabalho dos que ainda lá se mantinham, contra tudo e contra todos - entregou-os aos bichos, fazendo absoluto caso omisso de todas as petições que entravam na embaixada - quem (não) se recorda do Dr Martins da Cruz?
Depois, "árvore das patacas" terá sido após a independência, com os cooperantes - grandes, e rápidos, "pés de meia" se fizeram, e continuam a fazer?!...
O IARN foi uma grande ajuda para alguns, uma "boda aos pobres" para outros, uma "dádiva dos céus" para outros tantos; mas, como todas as ajudas falaciosas, só serviu minorias - milhares de pessoas, nem às magras ajudas à chegada a Lisboa, no aeroporto, tiveram direito. Houve quem arranjasse meios de nunca reverterem para os cofres do estado os empréstimos cedidos? "Ladrão que rouba a ladrão..."
Meus amigos, é vergonhoso que o epíteto, que continua a denegrir, mais que quem de lá veio, os que por lá ficaram "à espera de Godot", que viram cerrarem-se os olhos às realidades de África,  taparem-se os ouvidos a todas as solicitações que de lá vinham e nos deixaram à nossa sorte, (até ao fim dos tempos de mel e fel). Não somos RETORNADOS - alguns nasceram lá; somos filhos de emigrados, como quaisquer outros, em França, Inglaterra, Alemanha, Macau, Canadá, etc.
Tem que haver uma medida e um peso, inalterável, seja lá qual fôr a região onde a mão-de-obra portuguesa se determina pela sua entrega, pelo seu empenho e pelos laços de sangue que cria.
Como mulher, como moçambicana, e, sobretudo, como patriota e filha de quem amou, até ao fim dos seus dias, o país onde os filhos nasceram, desgosta-me deparar com tanta "cegueira", passados que são cerca de trinta anos.

23/Junho/2004, (18h:42':32'')   

Saturday, January 21, 2012

Um conto por mês, (excertos)

Atestado de Residência
Cheia de ares de bom-tom, sempre de lulu à rreata, e uma gata de cauda pavoneante cirandando pelas redondezas "em busca de ratos", diz.
Os ratos são os restos que alguns vão deixando rente aos caixotes do lixo - comem de meias a gata, mais vadia, e o cão, já atacado por outro quase até à morte.
Contudo, vai dizendo mal do burgo, que se vai embora, que saiu de Stº Antão do Tojal por haver muitos negros - é uma verdade: eles agregam-se onde se sentem integrados, lá como em muitos outros locais deste país. Não acontece só com eles: o mesmo se passa com os ciganos, os imigrantes de Leste, ...
O filho aconselhou-a a aguardar pelo Verão - e que Verão?!...
Vieram as eleições, que deram para tudo: ele eram bandeiras do PS penduradas no estendal da roupa, ele era um corropio atrás das caravanas, até que estacionou, (bem mal e à tordesca), esgalhada numa esquina da Marmeleira - e foram noites longas a desfiar considerandos sobre os resultados, até que decidiu, (ou decidiram por ela), que deveria voltar à base.
Deixou de rir como costumava, de tudo e de todos, passou a concentrar-se mais em jogadas rocambolescas, mudou as cortinas para esteiras corredias para espreitar os passantes....
                           .../...      .../...      .../...      .../...
Que outros resultados das eleições virão por aí? Parece-me que alguém anda a tirar o cabaço à odalisca, direita que nem um fuso, esquelética, mas com ares de dona dos prados e dos passeios, que se enxameiam dos dejectos do lulu.
Tirou o atestado de residência - já não maldiz o lugarejo, e até se dá ares de popular.
O que podem umas eleições?!...
                          .../...      .../...      .../...      .../...
Mas valeu a pena: Dª Fusa tirou o atestado de residência!


Inserido nos CONTOS EM NOITES DE LUA CHEIA, "O VAle das Sombras"

Alguma da minha produção (amadora) - 1

FLORES:

Todos em acrílico.
 Jarros - de côr pouco usual; há-os de várias espécies; nesta categoria encontram-se variedades absolutamente incríveis.
 Tulipas - há-as de muitas cores. Optei por esta, para a minha Galeria de trazer por casa.
 Miosótis - miminhos de ternura e delicadeza; a fragilidade feita sinfonia de côr.Também de cores mais diversas.
Jasmim-Estrela - há-os de tantas côres e das mais variadas espécies?! Na minha terra, adorava os Jasmins-Manga da mangueira do meu quintal. O seu odor intenso, inebria, entontece - mas são bonitos e mimosos.



Há outras produções a serem ultimadas.
Há quadros espalhados pelas várias casa da família - já não me pertencem. Os que aqui figurarem são do meu património.

Alguma da minha produção (amadora)

ESPAÇOS:

 Moinhos são uma paixão - pena que não lhes dêem o devido valor; reconstruídos e/ou recuperados proporcionam locais de infinitos prazeres múltiplos, desde que a sua função-base seja preservada.
Acrílico - mais barato e seca mais depressa.
 Faróis outra paixão - o encanto do regresso ao aconchego. Acrílico, também.
 Um quarto, uma janela aberta à vida - Calvário, Algarve. Acrílico.
O Calhau, Mexilhoeira da Carregação, Algarve - um dos refúgios mais procurados, em tempo de férias. Acrílico.
Um pôr-do-sol à beira duma praia qualquer. Óleo. Num dia de febre alta, dores terríveis com o recesso de Zona que me apanhou todos os quatro nervos do lado esquerdo da cabeça, e de que ainda não estou completamente curada. Esquecer-me de mim, quando me sinto mal, é o mais importante, "no matter what"...  

Monday, January 16, 2012

Youtube.com Videa - Ivan Rebroff - Canto dos Barqueiros do Rio Volga Videa

Youtube.com Videa - Ivan Rebroff - Canto dos Barqueiros do Rio Volga Videa

A música que me surge, inexplicavelmente, em muitas situações de desassossego.
Depois, Ivan Rebroff foi, no meu local de refúgio, em Moçambique, na garagem, e dentro do carro do meu pai, a "subida aos céus"! Garota, ainda, (com onze ou doze anos), sabe-se lá porque me sentia retemperada?!... Às vezes a sua figura fazia-me recordar o Gigante Adamastor, mas, sem o "fétiche" do medo e consequente masoquismo, a sua voz, cheia, acalentava-me e envolvia-me de paz e harmonia.
Era o meu segredo partilhado em casa - os meus pais respeitaram sempre esta minha fuga para a reconquista de mim mesma.

17/01/2012, (05h:25')
Projecções

Dá-lhe o que me roubaste
Deixa-a sonhar, ser feliz
Porque tudo o que me tiraste
Foi tudo o que sempre quis

Não posso nem imaginar
Que voltes cá outra vez
Vai, fode-a, vai-te catar
E deixa-me em paz de vez

16/01/2012, (12h:12')
Nem Fénix, nem poema

Tatuei-te, e não tem jeito
Tentares esquecer-te de mim
Adormeceste no meu peito
Como se fosse sempre assim

A vida já não se demora
Corre, célere, hora a hora
Paraste a vê-la passar
Sempre à espera de acordar

Dorme agora, lerdo e quedo,
Vai onde nem tu sabes onde
Mas esconde, muito em segredo,

O amor que já não vem.
Foi-se nos dias desse ontem
Não renascerá já no meu peito

16/01/2012, (12h:04')



Saturday, January 7, 2012

Mudança de ano

Respiro no ar uma sensação de espaços por preencher - falências de plenitude pairam à minha volta. Nem sei bem explicitar o quê, de concreto.
Mas, nestas épocas do ano, de todos os anos, subsiste um/(a) permanente histeri(smo)/(a); passagem de ano é isso mesmo: ilusão, crença falaz, fogo fátuo. Nada de consistente para sentir, nada de concreto para agarrar, nada de pleno para guardar. Vazio, somente.
Amanhã, desnovelar-se-á um novo ano.
Tantas intenções se formularão.
Tantas esperanças nascerão.
O bater das horas soará igual ao de todos os outros dias passados.
A luta continuará:
- Mais agruras para enfrentar.
- Mais trilhos por desbravar.
- Mais sonhos por realizar.
- Mais desânimos para esquecer.
- Mais recordações para guardar.
Amanhã será o início de um ano de muitos dias, (366), para acordar.
Amanhã adormeceremos nos frenesins que a noite entonteceu.
Amanhã já será outro dia, igual ao de todos os outros, já antigos.
Amanhã, o absurdo, que é a vida, gritará mais alto.
.............
E vêm aí filhoses para marcar o compasso da quadra...




(Texto composto a 31.12.2011, 18h:59m, antes de sair de casa, no Calvário, para festejar a Passagem do Ano, na Praia da Rocha.)

Thursday, January 5, 2012

"Há duas maneiras de nos refugiarmos das misérias da vida: música e gatos!" - Albert Schweitzer


Deparei-me hoje com este pensamento de um dos homens que mais admirei na minha adolescência. Li, sôfrega, a sua biografia, e procurei cimentar mais, sempre mais, em torno do denodo deste médico-missionário.
Quis ser freira, quis ser enfermeira-paraquedista, piloto, sei lá?!... Com as experiências que recolhia nos contactos que me eram proporcionados, quer através da Legião de Maria, quer nas longas conversas e leituras, que D. Manuel Vieira Pinto, (o ex-bispo de Nampula), me facultou, aprendi a amar, mais e melhor, o "continente negro", e a terra que me viu nascer.   
Encetei uma rápida e doce viagem ao universo das minhas recordações - costumo dizer, que foram os únicos anos em que conheci a felicidade; depois... foram andanças "de Herodes para Pilatos". Por mais que tente esquecer, ou deixar fluir as sensações, tal como outrora, não dá: bloqueei, de tal sorte, que nem consigo ter pena dos outros. 
Dizia, há bem pouco tempo, uma pessoa amiga, "que tem pena é dos animais - das pessoas, não tem pena nenhuma!"
Deu-me que pensar - mesmo sofrida, ainda acho que poderá valer a pena debruçarmo-nos sobre as mazelas que nos são visíveis. 
Desde sempre, (e que me lembre), os gatos têm-me servido de lenitivo para as minhas amarguras: pressentem angústias, mágoas, momentos menos bons, ou mesmo desagradáveis. São firmes, ternos, atentos, ainda que estoicamente independentes.
A música foi sempre a minha "droga", a panaceia para todos as minhas fragilidades. Dançada, cantada, ou ouvida, tem o sortilégio e o condão de me dispôr de cargas-extra para seguir em frente, ou partir para outra etapa.
Incríveis são estes despertares! 
Não me recordava de ter "anotado" este pensamento, (como o fazia, quando era mais nova, e como continuei a fazê-lo vida fora, desistindo de coleccionar "tiradas filosóficas" fará um par de anos).
É sempre assim: poderei ter outros pendores, mas permaneço fiel a estas duas paixões!

Thursday, December 29, 2011

Não podia ser melhor este final de 2011, depois de todas, muitas, pesadas, desajustadas ocorrências ao longo de todo o ano - perdi textos que deveria endereçar para publicação!
Vou ter de partir do início, e tudo já será diferente - texto, impulso, "élan".
Sou a mais sortuda de todas as almas, de facto?!...
Se não me destroem os manuscritos, se não mos fazem desaparecer no espaço virtual, se não se infiltram para mos surripiar, acontece sempre o imprevisível - na minha preocupação com o(s) outro(s), esqueço que estas variantes de escrita ainda nos pregam desagradáveis surpresas.
Foi-se um trabalho de dias, algumas horas friorentas inclinada sobre o tablado, escrevinhando como se catasse o sal da minha vida perdida, sucessivamente sonegada, por estas ou aquelas razões.
A persistência também desiste.
A força também esmorece.
O frenesim torna-se melancolia, taciturnidade.
E tudo fica por acontecer.
E tudo permanece em folhas soltas, escondidas, algures, pelos cantos onde melhor possa esquecer os minutos em que quis realizar qualquer coisa, ocupar o meu tempo intemporal, longe da matéria envolvente.
Tentarei, como sempre, um dia qualquer, quando a verve e a vontade se entrelaçarem...

Tuesday, July 19, 2011

Anos '50/'60/'70/'80...

Agarramo-nos às vivências que nos trazem cores, cheiros, sons, emoções dos nossos caminhos percorridos; estranho é ter-se consciência de que os vários estágios por que se pautam as nossas experiências, que vão consolidando, quer as nossas projecções, quer a nossa personalidade, perdem nitidez, difusam-se com o rolar do tempo - hoje são os outros que nos fazem, na maioria das vezes, de "ponto" dos nossos registos; antes, o nosso individualismo era suficiente para se impor, para inscrever cada uma das nossas actividades, selectivas ou não.
Mimamos, em gestos e olhares.
Revimo-nos no(s) outro(s) - sentimo-nos sombras, ou corpos sem densidade, sem forma: há reflecções, difusões, latências que perpassam pelos nossos olhos; imagens fugazes, que esquecemos até voltarmos a ser diapasões recíprocos das nossas fruições sem consistência.
O ser já é somente estar; o permanecer foi pintado nos registos dos nossos diários de outros tempos.
Dizia Pablo Picasso que "leva tempo a tornarmo-nos jovens".
Matusalém tem a complacência, a quietude, a singeleza da expectativa, do sonho plausível, da concretização, da realização das nossas mais permanentes querenças.
E, afinal, somos corpos em mutação, como antes, sempre, mas de outro modo. Vivemos pela essência; o antes era a substância, avolumada nas posturas, nas atitudes, nos gestos.
Mas somos uma identidade semelhante - de Picasso recolhe-se o que ficou por fazer, quando as nossas capacidades não puderam exprimir-se.
Anos '50, '60, '70, '80...

Sunday, May 1, 2011

Relicário

Se as experiências contam p’ra valer, e se valem o que valem, os bambúrrios da fortuna giram de forma contrária a tudo o que se deseja – perde-se o gosto, perde-se a memória, perde-se o sonho, perde-se a esperança, perde-se o “élan” – perde-se o amor, ao cabo e ao resto!
Vida madrasta esta, como doença crónica de angústia, de descrença e malquerença – andamos sempre de mal com ela: não se deixa amar, ainda que persistamos em amanteigar “o pão do Diabo” de todos os dias… Dá vontade de desistir dela, e “partir p’ra outra”!
Canso. Os ossos pedem descanso.
Retardo, e esmoreço. Qualquer sensação próxima do alento da morte bafeja à minha volta.
Fumo, para ver se ainda respiro – desisto: não fruo do modo como soía; deixa-me amargos de boca desconhecidos, como se de calos ficassem cheios os meus papilos – que desconforto sem nome…  

Gmail: Email from Google

Monday, April 4, 2011

"Sei de uma camponesa..."

... que vive dentro de mim, paredes meias com a desventura, roçagando escolhos e abrolhos - senta-se todos os dias à minha mesa, refrigera-me as noites, dormitando silente, e desvelando cuidados por uma vida melhor; vagueou, perdida na esperança do amor à vida, perdeu mais do que ganhou, não por não saber jogar - as "mãos" foram de "dor e pecado", não conseguiu, (ou não quis), vincular-se à desconexa hipocrisia, ao cinismo, às "mise-en-scènes" fortuitas - troca-se tudo de tudo, desrespeita-se o sonho do outro, a calma ociosidade da filosofia, e depois... depois restam as cruzes, palpitando e ensombrando momentos outros próximos das repetições anteriores. E foi assim que me perdi com ela, trazendo-a num aperto no peito, deixando morrer sorrisos, cerrando os olhos de sombras, rasgando a carne de ressentimento, de raiva, de inconformismo desmesurado...

Sunday, April 27, 2008

Smoothly like a cloud...

... I'm finding my feet.
Time is going through changes: no one can perceive it; I don't care, anymore. I know what I am, I see what others can't see, I feel, deeply inside me, the utmost requests my life has asked me, time after time; life, and mainly others, have prevented me from doing all I ought to do - now, it's time to start a new beginning, with no complaints, no matter what... So help me God?!...

Another Sunday, another complete empty day... to the other people! For me, as usual, a day to fill with my tiny great things...

Tuesday, April 22, 2008

"Winning is habit.Unfortunately so is losing"

Não me recordo do nome do autor da citação, mas, sem dúvida alguma, para alguns a primeira parte da mesma funciona, inapelável e impunemente, sempre a seu contento. Porquê? Cumplicidades há-as sempre, mas a promiscuidade, (se a deixarmos anexada?!...), deteriora tudo e todos em redor.
E é destas cumplicidades que eu não gosto nem um pouquinho - enojam-me: respondem, sempre, de modo caótico, ao mesmo apelo, mesmo sabendo das inconveniências e estranhezas sociais que comportam.
Reverter é preciso!
Não temos que "sentir o rabo preso", não há que temer incongruências, e, muito menos, recear apontá-las, corrigi-las - "errare humanum est", e, muito mais, ser-se capaz de reconhecer falhas, consciencializarmo-nos que somos seres finitos.
Costuma dizer-se que o "céu é o limite", e, parafraseando Einstein, "não há infinito" - partindo dos dois pressupostos, entendo que há um só caminho, ainda que com incontáveis atalhos.
"Não vou por aí", dizia o poeta; digo eu, "p'r'á frente é que é caminho".
Lisura, compostura, singeleza, fiabilidade passam por aí: "corta-se a direito", é, com toda a certeza, mais seguro.